Conheça a história do cancelado Batman vs Superman: Asylum, de 2002

Antes de A Origem da Justiça, tinha Batman vs Superman: Asylum

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Conheça a história do cancelado Batman vs Superman: Asylum, de 2002

Nessa semana, estreia nos cinemas nacionais e internacionais o aguardadíssimo Batman vs Superman: A Origem da Justiça, trazendo pela primeira vez o encontro do Cavaleiro das Trevas e do Homem de Aço nos cinemas. Porém, se Batman vs Superman: Asylum tivesse saído do papel, os dois heróis teriam se encontrado há mais de 10 anos.

Na época o filme teve seu roteiro todo escrito, mas não chegou ser gravado, ficando mais um pouco na geladeira da DC Entertainment e da Warner Bros, que preferiram utilizar esses personagens em outras franquias (a trilogia Batman: O Cavaleiro das Trevas, de Christopher Nolan, começou em 2005, enquanto Superman: O Retorno veio em 2006).

Porém, como seria o nosso mundo se esse filme tivesse saído do papel? Vamos descobrir!

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Primeiro, vamos obter um pouco de contexto, ok? Estamos falando de 2002, o mesmo ano do lançamento de Homem-Aranha e um pouco depois da estreia de X-Men: O Filme. Os filmes de super-herói estão ganhando momentum e a Warner quer lucrar com seus personagens principais: Batman e o Superman.

Aliás, o estúdio procurava revitalizar esses personagens, já que o Homem de Aço estava longe dos cinemas há anos e o Cavaleiro das Trevas sofreu muito com o fracasso de Batman & Robin, de 1997.

Assim, o estúdio começou a se movimentar para levar os dois personagens para as telonas e surgiu a ideia de colocá-los juntos, num combate que Hollywood nunca esqueceria. Nascia a ideia de Batman vs Superman: Asylum, um roteiro escrito por Andrew Kevin Walker (Seven) e revisionado por Akiva Goldsman (Uma Mente Brilhante, Batman & Robin).

Antes de A Origem da Justiça, tinha Batman vs Superman: Asylum

Como é a história de Batman vs Superman: Asylum

O filme começa com um ataque terrorista no meio de Metrópolis. Um terrorista tenta explodir um Monumento da Liberdade, mas o Superman frustra seus planos. Quando o criminoso acaba “preso” e prestes a ser linchado pela população, o Herói de Metropolis surge para impedir a ação das pessoas e levar o terrorista para a cadeia.

Como deu para ver, o filme já começa com os dois pés na porta, aproveitando de todo o enorme clima de vingança que tomou os EUA pós-11 de setembro (o roteiro foi escrito em 2002 afinal!). Muita coragem.

Quando o Superman levava o terrorista para a cadeia, o crimoso usa um pó de kriptonita para atacar o herói e consegue escapar.

A cena corta e estamos num casamento em Gotham. Bruce Wayne, que não é mais o Batman há 5 anos, está se casando com uma mulher chamada Elizabeth. Na festa, está Barbara Gordon (que agora é a Comissionária Gordon) e nós descobrimos que muita coisa aconteceu nos últimos tempos: Dick Grayson, o Robin, morreu. Quem também faleceu foi o Alfred, o Comissário Gordon e o… Coringa.

Seja como for, depois de 5 anos de luto, Bruce decide recomeçar a sua vida e se casa com Elizabeth. Enquanto isso, Clark Kent (que é o padrinho desse casamento) se vê no meio de um divórcio com Lois Lane, que não aparece no longa (só é citada).

A história realmente começa a pegar fogo quando, na lua de mel, Elizabeth (a nova esposa do Batman) acaba assassinada, envenenada com uma composição química do Coringa, que faz com que ela morra de tanto rir (literalmente).

Em luto, Bruce Wayne volta a ser o Batman para desvendar esse crime, mas se torna um Cavaleiro das Trevas mais violento, imparável, impiedoso.

A dupla descobre que o terrorista inicial do filme era, na verdade, o Coringa (tãtãtã!) e nasce a primeira fagulha de atrito entre os dois heróis: afinal, se Superman tivesse deixado que os civis matassem o terrorista, a esposa do Batman estaria viva ainda.

(De novo, o filme toca no tema da vingança pessoal contra crimes na sociedade, na histeria punitiva e na necessidade de fazer justiça sem sacrificar o que você realmente é)

Nesse momento, os dois heróis se separam e partem em caminhos diferentes. O Superman vai para Smallville, onde salva a cidade de um tornado, começa um namoro com Lana Lang e descobre que Lex Luthor (que está na cadeia) tinha um plano com o governo americano de matá-lo.

Do outro lado, o Batman procura por informações entre bandidos e revira o túmulo do Coringa (e destrói um “cadáver” de papel machê feito pelo vilão com um pé de cabra, numa referência à cena das HQs em que o vilão mata Jason Todd).

Nesse meio tempo, nós descobrimos que Lex Luthor já sabe que Bruce Wayne é o Batman. O gênio do crime formulou um plano que é tudo, menos genial: ele fez clones do Coringa para que Bruce possa sair da aposentadoria e eventualmente matar o Superman.

Enquanto isso, o Batman finalmente encontra o Coringa e seus capangas. Porém, fora de forma, o Cavaleiro das Trevas é derrotado pelo seu arqui-inimigo e deixado para trás. Determinado a obter vingança, Batman invade uma instalação governamental para roubar um pouco de kriptonita, prevendo que o Superman tentaria impedí-lo de concluir seu plano.

A dupla de amigos se reencontra e colocam as cartas na mesa. Bruce diz que matará o Coringa, enquanto Clark diz que terá de pará-lo.

Com os dois heróis distraídos, Lex Luthor consegue fugir ao usar suas unhas super-afiadas (sério) para tornar os guardas da prisão onde está em uma espécie de “zumbis super-obedientes” (sério).

A luta entre o Superman e o Batman começa. O Cavaleiro das Trevas usa uma armadura de Kriptonita para enfraquer o Homem de Aço e os dois se digladiam intensamente por mais de 20 páginas (o que daria uns 20 minutos de tela, mais ou menos), envolvendo destruição, o Batwing detonando mísseis no peito do Superman e um monte de coisa.

Eventualmente, o Batman sai vitorioso do embate e vai atrás do Coringa. Nesse momento, o Cavaleiro das Trevas está prestes a matar o seu arqui-inimigo, quando o Príncipe Palhaço do Crime revela que Elizabeth (a recém-esposa recém-falecida do Batman) estava trabalhando com ele.

Pois é, esse era o plano: desolado, Bruce Wayne conhece Elizabeth Miller, se apaixona, volta a acreditar no poder do amor, da bondade e em fadinhas, vê o amor da sua vida morrer e volta a se entregar ao desespero, apenas para saber que todo aquele amor era falso.

Bang, direto no coração!

Desolado, o Batman perde a vontade de lutar e viver e o Coringa se aproveita disso para tentar matá-lo, mas o Superman impede que isso aconteça.

É nessa hora que surge Lex Luthor, usando sua armadura, e se apresenta como o verdadeiro vilão do filme. Ele mata o Coringa-Clone e luta contra o Batman e o Superman.

A batalha é difícil, mas eventualmente todos eles caem de uma altura muito alta: a armadura de Lex é destruída e seu corpo não é encontrado, enquanto o Superman salva o Batman da queda.

Juntos, os dois heróis voltam a ser amigos e o Batman convida o Superman para tomar uma cervejinha. O herói de Metropolis responde que prefere um refrigerante. Todos riem. Fim.

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E aí, esse Batman vs Superman: Asylum é bom?

Terminado de ler o roteiro de Batman vs Superman: Asylum, fica aquele gosto estranho. De um lado, o filme tem muita coisa boa. Mesmo.

As referências à momentos das HQs são muito mais ricas e interessantes do que nos filmes da Marvel, por exemplo, que existem só por existir. O longa também tem uma temática muito bem trabalhada (a questão do “olho por olho”, do sacrifício de quem você é para se vingar), que faz todo o sentido do mundo se olharmos a época do longa, com toda a guerra ao terror nos EUA.

Além disso, alguns momentos do filme são muito, muito sinistros. A morte de Elizabeth, quase tudo envolvendo o Coringa. Os momentos de Clark em Smallville também são legais, fazendo do Batman e do Superman personagens bem humanos.

Por outro lado, o longa traz algumas bizarrices, fruto daquela época no cinema onde os roteiristas não entendiam direito o que era um vilão de quadrinhos. A presença de Lex Luthor é desastrosa, por exemplo.

Olhando de lá para cá, não parece que muita coisa de Batman vs Superman: Asylum tenha sobrevivido para A Origem da Justiça. Apenas a estrutura principal (Batman luta com o Superman, ambos manipulados por Lex Luthor, que cria uma aberração genética para enfrentá-los) e o fato do Batman ser idoso no filme.

A Mulher-Maravilha, por exemplo, nem é citada.

Em todo o caso, é interessante ver como essas ideias poderiam ter gerado um filme diferente há mais de 10 anos atrás. Se você quer ler o roteiro de Batman vs Superman: Asylum e tirar suas próprias conclusões, clique aqui!

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Leandro de Barros

Campeão de Chess-Boxing por W.O. da minha rua, nerd de nascença, babaca por opção. Depois de muito analisar a sociedade moderna, só tenho uma coisa a dizer: með þýðandi? Veik!

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