300 – A Ascensão do Império | CRÍTICA

Cinema

300 – A Ascensão do Império | CRÍTICA

[rightbox]300, filme de 2006 dirigido por Zack Snyder, é uma excelente adaptação do quadrinho homônimo escrito e desenhado por Frank Miller.

A trama romantizava a Batalha das Termópilas, evento real que aconteceu no ano de 480 a. C., onde o rei espartano Leonidas e seu exército de 300 homens segurou durante sete dias o gigantesco contingente de soldados persas sob o comando do rei Xerxes I.

A derrota heróica dos 300 guerreiros inspirou as demais cidades-estado gregas a se unirem e derrotarem os invasores persas.

Enquanto narrativa, 300 é um filme com começo, meio e fim – mesmo que, historicamente, saibamos que paralelamente à batalha travada por Leonidas, o estrategista Temístocles enfrentava os persas na baía de Artemísio e, posteriormente, em Salamina, palco da vitória grega.[/rightbox]

É justamente esse entremeio da História que o novo filme 300 – A Ascensão do Império retrata. Baseado no quadrinho do mesmo nome novamente escrito e desenhado por Frank Miller (mas que ainda não foi lançado por estar bastante atrasado), a produção mantém a mesma estética que foi um dos pontos fortes do longa anterior ao emular com perfeição as páginas feitas por Miller.

300-Rise-of-an-Empire-1

Dirigido por Noam Murro, que antes só fez Vivendo e Aprendendo (2008), o filme tem como personagem principal o general Temístocles, interpretado pelo fraquíssimo Sullivan Stapleton – o filme acaba e você nem lembra dele direito. Repetem seus papéis Lena Heardey como a rainha Gorgo, esposa de Leonidas; Andrew Tiernan, como o traidor Elfíates; e Rodrigo Santoro, no papel do vilão Xerxes I.

E tem Eva Green como Artemísia, comandante da marinha persa!!!! Daqui a pouco falo dela…

300 – A Ascensão do Império - Rodrigo Santoro[leftbox]A história começa mostrando a batalha de Maratona, onde Temístocles mata o rei persa Dario, pai de Xerxes. Anos depois, movido pela vingança e já transformado no mostruoso Deus-Rei (sim, antes Xerxes era um ser humano normal), ele reúne um gigantesco exército e parte para conquistar a Grécia. Ao seu lado, está Artemísia, uma grega protegida dos persas. Determinada, inteligente, cruel e amedrontadora, ela é a força motriz da vingança contra os gregos.

E não, não se iluda pelos cartazes: o Xerxes de Rodrigo Santoro não é o personagem principal, embora ele tenha bastante tempo de tela e seja fundamental para alguns acontecimentos. Alegre

Voltando: com a nova investida persa, um exército grego é formado em várias frentes. Enquanto Temístocles avança com sua armada para enfrentar a marinha persa, Leonidas e seus 300 guerreiros travam a batalha das Termópilas. Desse modo, o filme pode ser classificado como um prequel e uma sequência ao mesmo tempo, com os eventos acontecendo em tempos diferentes mas se interligando no decorrer da narrativa.

Embora não seja dirigido por Zack Snyder, o filme foi escrito e produzido por ele. Então, podemos ver a mesma estética visual criada por Snyder para 300 – e Murro ainda repete os trejeitos do mentor, como longas sequências em câmara lenta nas cenas de luta e toneladas de litros de sangue digital – que nunca espirram nos personagens principais.[/leftbox]

Nesse ponto, o filme nos remete ao antecessor – assim, ficamos em uma zona confortável, que não nos traz novidade nenhuma. Isso não é ruim, pois os cenários digitais e as cenas de batalha naval são ok (embora depois de um tempo se tornem repetitivas) e o filme, assim como o primeiro, é muito bonito visualmente.

Porém, o modo como Murro conta a história é que são elas. A história é contada através de um narrador: a viúva de Leonidas, a rainda Gorgo. Narração em off não é um problema se você não torná-la boring, como se fosse uma aula daquelas onde o professor apaga a luz da sala, liga o datashow e metade da turma dorme.

Fazendo jus ao sobrenome, o diretor conduz essa narração no murro e tudo vira uma aula chata de História. Nem os discursos do general Temístocles salvam, já que são bem chinfrins (saudades de Leonidas).

300 – A Ascensão do Império - Eva Green

A coisa só não é um fracasso total por causa de Eva Green!

Praticamente carregando o filme nas costas, a atriz francesa rouba todas as cenas que protagoniza, literalmente. Preste atenção na furiosa cena de sexo que ela conduz e você vai concordar comigo. Artemísia, comandante da marinha persa, é a vilã que todo herói pediu a deus. Eu já falei isso, mas vou repetir: ela é determinada, inteligente, cruel, sanguinária, amedrontadora e ganha você logo que surge – dá vontade de torcer prá ela, sério.

No final das contas, 300 – A Ascensão do Império não é um filme ruim, mas deixa muito a desejar quando comparado ao seu antecessor. É um longa de apenas 90 minutos, mas que se torna surpreendentemente longo. E nem é o capítulo final dessa saga, já que Frank Miller nem terminou a hq homônima e já anunciou uma terceira parte.

E se você não faltou a aula de História, já sabe porque. Então, aguarde em breve 300 – A Vingança de Xerxes.

Nota: 2 canecas sem açúcar

Continuar lendo
Publicidade
Bruno Alves

Bruno Alves é professor, rabisca de vez em quando uns desenhos por aí e tem sempre uma música tocando em off na cabeça, mesmo quando não está usando headphones. E sim, ele gosta dos Titãs.

Deixe seu comentário!

Mais em Cinema

To Top