Além da Escuridão – Star Trek | Crítica

Cinema

Além da Escuridão – Star Trek | Crítica

Além da Escuridão – Star Trek possui drama, emoção, ação, comédia e ficção científica na dose certa. Perpetuando o legado de Jornada nas Estrelas na mente da nova geração de fãs, através de uma roupagem mais moderna, sexy e instigante, porém sem esquecer suas origens.

Até alguns anos atrás, Star Trek era aquela série de nicho, do público mais nerd, presente na cultura pop através da figura icônica do Spock de Leonard Nimoy, porém subestimada pelo público médio. Mas mudou quando J.J Abrams assumiu o projeto da Paramount e nos presenteou com um dos melhores reboots vistos na história do cinema deste setor do universo.

A trama

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Em sua nova missão, a tripulação da USS Enterprise é enviada para um planeta primitivo que está prestes a ser destruído devido à erupção de um vulcão. Entretanto, problemas inesperados fazem com que Spock (Zachary Quinto) fique preso no planeta e o capitão James T. Kirk (Chris Pine) demonstre porque, apesar de haver passado alguns anos após os acontecimentos do primeiro Star Trek, sua tripulação ainda não esteja trabalhando como uma verdadeira equipe – arrogância pra que te quero!

É dado início a alguns conflitos entre o egoísmo impulsivo de Kirk e a lógica pragmática de Spock. Porém suas atitudes e personalidades são postas a prova quando entra em cena John Harrison (Benedict Cumberbatch), um renegado badass motherfucker da Frota Estelar que instaura uma “guerra de um homem só” contra a Federação e Kirk sofre uma perda pessoal que lhe coloca em uma missão de vingança.

Mais ação e menos ficção

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A nova roupagem da franquia, advinda com o reboot de Abrams, trouxe consigo uma pegada mais frenética, repleta de ação e plots simultâneos que se afastou da série clássica. Neste contexto, eis a minha primeira salva de palmas!

Eu gosto muito da pegada clássica, mas além de ter um perfil geek e um tanto old school, sou apreciador de obras cinematográficas pertencentes a épocas antes de eu nascer. Isto faz com que seja mais fácil pra mim apreciar as séries e primeiros filmes de Jornada nas Estrelas, aguentando aquele formato mais pesado, boring, lento e sem muita dinâmica, típico das gerações passadas – e que sinto vendo a primeira série no Netflix. Para conquistar conquistar o público mais jovem, que ainda não é fã e não curte “cine cult”, são necessárias adaptações de formato.

Em Além da Escuridão – Star Trek podemos ver a tradução perfeita disto. Atendendo as necessidades narrativas, porém sem ser corrido demais ou confuso com seu jogo de câmeras. Muito pelo contrário! Para quebrar um pouco o ritmo alucinante, são encaixadas algumas cenas mais leves ou com duplo sentido, sempre com muito bom gosto e sem comprometer a história

E o melhor é ver os próprios personagens se perguntando o porque de estarem numa situação de guerra quando a sua essência é pautada pela exploração do universo.

Os dilemas de Kirk e Spock

Aqui os aplausos ficam para o trabalho de Chris Pine como Jim Kirk, demonstrando o amadurecimento gradual do personagem durante todo o desenrolar da trama, chegando ao auge com um emocionante pedido de desculpas a sua tripulação.

Poucas vezes pude ver uma dupla em tamanha sintonia nas telonas como estão o Pine e o Zachary Quinto que, por sua vez, segue a jornada de autoconhecimento de seu Spock, iniciada no filme anterior, tendo de lidar com as perdas que sofreu anteriormente e desenvolvendo novos sentimentos humanos que conflitam com sua lógica Vulcana.

Os diálogos entre os dois atores estão perfeitos!

O vilão

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Apesar de tirar o chapéu para Pine e Quinto, o prêmio GEEK CAFE de atuação neste filme vai para Benedict Cumberbatch. Sabe aquele cara que, pelo conjunto da obra (expressão facial, vocal e corporal) te fazem procurar toda a sua filmografia na tentativa de estender os momentos de satisfação com uma atuação que pouquíssimas vezes encontramos por aí? Este é o efeito de Cumberbatch no papel do terrorista John Harrison. Só senti falta de falas mais trabalhadas para o personagem, não pelo ator, mas pelos roteistas.

Um filme de personagens marcantes

Longe de ser um daqueles filmes focados no protagonista e seu coadjuvante contra um vilão, onde todo o resto é descartável. Aqui vemos a evolução de Scotty, McCoy, Sulu e Uhura contribuindo ativamente para a história. Acredito que eles serão ainda mais importantes nos próximos filmes, já que este se encerra numa cena épica que marca uma possível volta ao lado mais ficção científica audaciosamente indo onde nenhum homem jamais esteve.

3D cristalino, imersivo e divertido

Se você gosta de 3D, recomendo gastar umas Dilmas a mais neste filme. Aqui pude ver o tipo de 3D que eu mais gosto. Aquele que leva você para dentro do filme, imersivo no ponto exato, que te dá alguns sustos – cuidado com a flecha!!! – mas se destaca pelo aumento da percepção do público para a atmosfera criada. Destaque para o planeta “indígena”, para Enterprise entrando e a queda da nave na terra.

Obrigado ao J.J Abrams!

Abrams e seus roteiristas Roberto Orci, Alex Kurtzman e Damon Lindelof fizeram com que eu saísse totalmente satisfeito do cinema, afinal este era um dos filmes mais esperados do ano por mim.

star_trek_jj_abrams-geek-cafeCom raras exceções, todo o roteiro é redondinho e bem contado, todas as cenas e diálogos têm um motivo de estar lá e todos os personagens possuem o seu momento. Mesmo sendo um conjunto de clichês e referências aos filmes anteriores, repleto de ótimas tiradas de humor e longas cenas de ação incríveis, existe uma lógica construída durante todo o filme e nada é entregue de graça – apenas a bela Carol (Alice Eve) seminua.

Um terceiro filme já está sendo pensado mas J.J Abrams deixará a direção e permanecerá apenas na produção executiva, uma vez que seu projeto principal agora passa a ser a nova trilogia Star Wars. Preparem-se para fortes emoções!

Vida longa e próspera!

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Murilo Lima

Criador e editor-chefe do Geek Café. Administrador entusiasta de novas mídias, inovação e mentes fora da caixa.

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