Capitão América 2 – O Soldado Invernal | CRÍTICA

Cinema

Capitão América 2 – O Soldado Invernal | CRÍTICA

O Universo Cinematográfico da Marvel já se tornou uma franquia de sucesso mundial, seduzindo desde os fãs de quadrinhos até aqueles espectadores que nunca pegaram num gibi de gente de colante.

Com seus principais personagens (Homem-Aranha, X-Men e Quarteto Fantástico) nas mãos de outros estúdios, a Marvel teve que se virar com o que tinha, ou seja, heróis totalmente desconhecidos do grande público: Homem de Ferro, Thor e Capitão América.

Homem de Ferro, de 2008, foi um sucesso. E também uma declaração de princípios da Marvel e o primeiro ato do seu plano infalível para conquistar a Mônica o mundo.

Seis anos depois, a Marvel Studios dá um salto de qualidade em sua filmografia com Capitão América – O Soldado Invernal, que estreou no Brasil hoje e é, disparado, um dos melhores filmes de super-herói dos últimos tempos.

E digo mais: além de ser um dos melhores em seu gênero, o filme dirigido pelos irmãos Anthony e Joe Russo também é um thriller político cheio de ação, sem esquecer de tocar em temas tão atuais como drones, atos patrióticos, espionagem e terrorismo.

Capitão América 2 – O Soldado Invernal

A trama

Dois anos depois da chamada Batalha por Nova York mostrada em Os Vingadores, Steve Rogers (Chris Evans) está mais à vontade em sua adaptação aos novos tempos – ele tem até um caderninho onde anota as coisas que precisa conhecer depois de 70 anos congelado, como Star Wars, Star Trek, Marvin Gaye e por aí vai. Sua principal ocupação é realizar missões secretas para a S.H.I.E.L.D. ao lado da agente Natasha Romanoff (Scarlett Johansson), a Viúva Negra e sob as ordens de Nick Fury (Samuel L. Jackson).

Porém, embora se esforce para se encaixar no novo mundo, Steve ainda é um homem dos anos 40, onde tudo era mais simples, preto e branco, quando você sabia quem era e onde estava seu inimigo. Cheio de valores e princípios morais “antiquados”, o herói bate de frente com Fury quando descobre que, durante uma missão de resgate, a Viúva Negra tinha outra missão, secreta, da qual ele não foi informado.

Nick Fury tenta explicar que o mundo mudou. E mostra a Steve o projeto Insight: três porta-aviões aéreos cheios de armas modernas e um novo sistema de propulsão, cortesia de um certo Anthony Stark. Com mais dinheiro em caixa depois da invasão dos Chitauri, a agência pretende atacar as possíveis ameaças à segurança mundial antes que elas… ataquem!

É aí que Steve solta a frase que define bem sua visão de mundo:

Achei que punição vinha depois do crime. Isso não é liberdade, é medo.

Só que a SHIELD está sendo corroída por dentro por uma conspiração. E aí, ninguém é confiável. E Steve descobre isso quando, depois de Fury ter sido atacado violentamente, passa a ser caçado pela organização como traidor.

Ele parte numa missão para descobrir o que está acontecendo e recebe a ajuda da Viúva Negra e do seu mais novo amigo, Sam Wilson (Anthony Mackie), um veterano de guerra que usa o codinome Falcão. Mas além desse inimigo invisível, o Capitão terá que enfrentar um misterioso oponente, um assassino lendário que tem ligações com seu passado – o temível Soldado Invernal (Sebastian Stan), que está a serviço da organização criminosa HIDRA.

E, afinal, qual é o papel nessa teia de Alexander Pierce (Robert Redford), o presidente da SHIELD?

Super-herói para gente grande

Capitao-America-2-poster-IMAX-01[leftbox]Com Capitão América – O Soldado Invernal, a Marvel eleva o nível do seu universo cinematográfico a uma dimensão que ela mesma vai ter que suar prá igualar/superar.

O roteiro de Christopher Markus e Stephen McFeely (que também escreveram o primeiro filme do Capitão) é cheio de reviravoltas e foge completamente do padrão dos filmes de super-heróis ao flertar com o estilo dos thrillers políticos dos anos 1970 (como Os Três Dias do Condor, de 1975, com Robert Redford). É uma história mais densa, séria, com pouco do tradicional humor dos filmes da Marvel.

Chris Evans está muito bem no papel, demonstrando sua evolução como ator e passando realismo ao personagem Steve Rogers e suas inquietações. Scarlett Johansson ganha mais destaque com sua Viúva Negra, o maior desde que apareceu lá em Homem de Ferro 2, e prova que merece um filme solo para explorar todas as nuances da espiã russa.

Falar bem de Robert Redford é chover no molhado. O cara simplesmente dá dignidade e credibilidade ao ambíguo Alexander Pierce e enche a tela quando aparece. Ser uma lenda deve ser legal…

Sebastian Stan está muito bem no papel do misterioso Soldado Invernal. Com poucas falas e em boa parte do filme usando uma máscara, Stan consegue passar a frieza de um assassino implacável, rápido e eficiente![/leftbox]

Capitao-America-2-cartaz-variante-04[rightbox]Tobey Jones repete seu papel do vilão Arnim Zola, em uma forma que vai surpreender muita gente que não conhece os quadrinhos – e quem conhece vai adorar a referência. Frank Grillo rouba a cena com seu Brock Rumlow, que nos quadrinhos é o vilão Ossos Cruzados. Também temos a participação de Maximiliano Hernandez como o agente Jasper Sitwell e Hayley Atwell, repetindo o papel da agente Peggy Carter, que mata a pau em uma tocante cena onde, já idosa, conversa com Steve.

Colbie Smulders faz uma pequena mas fundamental participação como a agente Maria Hill. E ainda tem o lutador do UFC George St-Pierre, na pele de Batroc, o Saltador, um inimigo meia-boca do Capitão mas muito bem representado no filme.

Stan Lee faz sua tradicional participação, que é legal, mas não supera aquela que prá mim é a melhor (tô falando do Espetacular Homem-Aranha). Alegre

Mas quem se destaca é Anthony Mackie com seu Sam Wilson, que se torna parceiro do Capitão América e luta ao lado dele na identidade de Falcão. O personagem é icônico na história do Capitas e ficou muito foda em sua versão cinematográfica. Bem que ele podia participar do segundo filme dos Vingadores…[/rightbox]

Além do roteiro bem amarrado (ok, quase, tem hora que o plano vilanesco fica um pouco confuso), o filme tem excelentes sequências de ação: a invasão a um navio da SHIELD, a luta entre o Capitão e Batroc, a perseguição a Nick Fury, a já clássica luta no elevador, a fuga do Falcão (as cenas de vôo são belíssimas) e TODAS as cenas de luta entre o Capitão América e o Soldado Invernal são fodas!

Aliás, o Soldado Invernal é, depois de Loki, o melhor vilão da Marvel no cinema. Toda vez que ele aparece em cena, você sabe que vai dar merda. Ele é assustador!

E, claro, o filme faz referências a outros personagens da franquia Marvel – incluindo um certo Stephen Strange!

O futuro

Depois dos eventos mostrados no filme, todo mundo deve ter ficado com uma pulga atrás da orelha: e agora, como vai ficar o universo Marvel depois de Capitão América – O Soldado Invernal? Como Joss Whedon vai lidar com os status dos personagens depois disso?

Um dos maiores impactos será na série de TV Marvel’s Agents of SHIELD – e eu já estou ansioso para ver o episódio que tem ligação com o filme. Além disso, como ficará o status dos personagens para Os Vingadores 2 – A Era de Ultron?

E falando nos Vingadores, a primeira cena pós-créditos tem ligação direta com o segundo filme da equipe, alem de apresentar mais um vilão emblemático do univeso Marvel. Já a segunda cena pós-créditos tem ligação com a sequência do filme do capitas, que vai estrear no dia 6 de maio de 2016.

Por fim, Capitão América – O Soldado Invernal prova que é possível fazer um filme que misture ação + roteiro inteligente + gente de colante colorido.

Ok, vocês vão dizer que o Batman de Nolan e X-Men First Class se encaixam  nessa classificação. É verdade.

Mas Capitão América – O Soldado Invernal é melhor.

Nota:

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Bruno Alves

Bruno Alves é professor, rabisca de vez em quando uns desenhos por aí e tem sempre uma música tocando em off na cabeça, mesmo quando não está usando headphones. E sim, ele gosta dos Titãs.

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