Capitão América: Guerra Civil | Crítica

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Capitão América: Guerra Civil | Crítica

Em determinado momento da projeção de Capitão América: Guerra Civil, é inevitável se perguntar sobre porque a Marvel consegue conquistar tanto seus fãs mesmo fazendo ações, de maneira repetida, que esses mesmos fãs condenam em outras produtoras ou estúdios.

A resposta para essa indagação fica clara na tela do longa. Em primeiro lugar, a Marvel faz o que quer porque ela faz de maneira cool. Em segundo, porque ela entende (e muito!) de narrativa.

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Capitão América: Guerra Civil é, para todos os efeitos, um filme da Marvel. Se você fizer o seu checklist básico de o que esperar de um projeto desses, você vai provavelmente marcar um ✓ em todos os itens.

  • Lutas bem coreografadas? ✓;
  • Piadinhas no meio da briga? ✓;
  • Uniformes coloridos? ✓;
  • Participação do Stan Lee? ✓;
  • 2 cenas pós-créditos? ✓;
  • Toneladas de efeitos especiais? ✓.

Porém, o que difere Guerra Civil de outros projetos da Casa das Ideias é um aprimoramento na sua técnica narrativa e também um profundo conhecimento do que o seu público efetivamente quer – mesmo que o próprio público não admita.

A verdade é que, de todos os filmes da Marvel, Guerra Civil é o que melhor sabe contar uma história. Utilizando um estofo de outros 10 filmes antecessores, que ajudaram aqueles personagens a chegar até esse estágio, o roteiro escrito pela dupla Christopher Markus e Stephen McFeely apenas se baseia levemente na HQ homônima escrita por Mark Millar, mas aposta com força justamente no que move os seus personagens – e, se tem alguma lei não-quebrável no cinema é a que o personagem é rei.

Guerra Civil é movida pelos conflitos internos de dois personagens principais e mais dois personagens secundários – além, claro, do seu grande vilão. Dentre os principais, temos o Capitão América (Chris Evans) e o Homem de Ferro (Robert Downey Jr.). Aqui, entra uma das principais alterações em relação ao material original em quadrinhos: se na obra de Mark Millar ficava claro que o Capitão América era o “lado certo” da disputa, nos cinemas fica claro que ambos agem por motivos egoístas e que o verdadeiro ponto de divergência não é o Tratado de Sokovia, mas sim a relação deles com um outro personagem: o Soldado Invernal (Sebastian Stan).

Por falar nisso, é o Soldado Invernal e o Pantera Negra (Chadwick Boseman) que travam uma segunda “guerra civil” de menores proporções dentro da trama do longa, com seus conflitos internos e externos ajudando a mover os acontecimentos do longa.

Esses 4 personagens são a força motora que faz com que o longa mexa com os expectadores e seja tão bem sucedido. A maneira como a Marvel lida com os conflitos internos desses personagens (não deixando óbvio, por exemplo, a necessidade de Tony Stark de tentar transferir a responsabilidade de ser um super-herói depois dos eventos dos últimos longas) faz com que o público se engaje no íntimo durante a projeção, mesmo que o próprio expectador não perceba isso.

Aliás, é uma pena que nomes como Zack Snyder falhem em perceber isso também. A comparação com Batman vs Superman é inevitável: os dois filmes são de produtoras “rivais”, foram lançados com um mês de antecedência e com abordagens artísticas inversas. Por mais que BvS tente ser um filme diferente e experimente ideias que são um pouco mais raras nesse subgênero de filme de super-herói, acabou falhando no básico: engajar seu público (e admito isso mesmo tendo gostado do filme, já que não dá pra negar que a maioria das pessoas que foi assistir ao longa saiu insatisfeita).

Já a Marvel continuará com sucesso enquanto conquistar seus expectadores durante os minutos de projeção, oferecendo extenso material de deslumbramento visual para o seu público.

PS: o filme tem DUAS cenas pós-créditos. Tem que ficar realmente até o fim da projeção pra pegar a última cena.

Nota: 4 Cafés

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Leandro de Barros

Campeão de Chess-Boxing por W.O. da minha rua, nerd de nascença, babaca por opção. Depois de muito analisar a sociedade moderna, só tenho uma coisa a dizer: með þýðandi? Veik!

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