Círculo de Fogo | Crítica

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Círculo de Fogo | Crítica

Eu poderia resumir essa crítica com uma fórmula: robôs gigantes X monstros colossais + Guillermo Del Toro = orgasmo nerd!

Aposto que todo mundo com mais de 30 anos que assistiu aos primeiros trailers de Círculo de Fogo (EUA, 131 minutos, 2013) foi transportado para a infância, como num flashback rattatoulliano, e se viu sentado no sofá da sala totalmente hipnotizado pelas batalhas épicas dos seriados japoneses do gênero Super Sentai, onde um grupo de heróis se uniam para controlar um robô gigante (os famosos Mechas) na defesa de Tóquio contra feras igualmente gigantescas.

Essa é a premissa básica do filme dirigido por Guillermo Del Toro (quem também assina o roteiro). Uma fenda interdimensional se abre no fundo do oceano Pacífico, na região conhecida como Círculo de Fogo, e dela sai um monstro gigantesco que ataca uma cidade costeira. Chamado pelos humanos de Kaiju (que siginifica, em japonês, besta gigante), esse primeiro gigante é derrotado pelas forças militares da Terra.

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Só que um segundo kaiju aparece e sua derrota é mais difícil. Com o passar do tempo, os monstros vão surgindo cada vez mais inteligentes e duros de matar. Então, a humanidade se une e decide contra-atacar com força bruta. Para isso, são criados os Jaegers (caçador, em alemão), robôs gigantes controlados por dois pilotos, já que apenas um não conseguiria suportar a carga neural da atividade.

Normalmente pilotados por pessoas próximas (como parentes), os jaegers colocam a humanidade no mesmo nível dos kaijus. Porém, quando os robôs começam a se mostrar inúteis, as forças militares encerram o programa e buscam outras alternativas de defesa.

Porém, um grupo de resistência mantém os últimos robôs em atividade e uma importante e surpreendente descoberta sobre a motivação dos ataques dos monstros pode por fim a essa sangrenta guerra entre as espécies.

Poster Círculo de FogoPronto. É isso. Roteiro de filme de sessão da tarde. Alegre

Uma história dessas nas mãos de diretores explosivos como Michael Bay ou Roland Emmerich ia render um filme genérico estilo Transformers, cheio de explosões e batalhas gigantescas com trocentas coisas acontecendo ao mesmo tempo.

Mas estamos falando de Guillermo Del Toro, um artesão que coloca em todos os filmes que faz, com muita criatividade, sua marca pessoal de respeito pelo tema que está abordando. Círculo de Fogo é sua forma de agradecer aos seriados japoneses que povoaram sua infância no México. “É um poema com robôs e monstros gigantes”, ele chegou a declarar.

O personagem principal é Raleigh Becket, interpretado de maneira sonolenta por Charlie Hunnam. Raleigh é uma lenda entre os pilotos de Jaegers. Mas um trauma pessoal o afasta da luta, até que ele é contactado pelo marechal Stacker Pentecost (o ótimo Idris Elba) para se juntar à resistência e voltar à luta. Para isso, ele tem que se afinar com Mako Mori (a mediana Rinko Kikuchi), uma aspirante a piloto que tem dentro de si lembranças amargas relacionadas aos monstros.

O filme começa bem didático e explica em poucos minutos o que está acontecendo, o que é um Kaiju, o que são os Jaegers e de repente você já está dentro da ação. E que ação, amigos!

Os embates entre Kaijus e Jaegers são impactantes e me arrancaram sorrisos involuntários de felicidade cada vez que surgiam nas telas. As cenas são noturnas, sempre debaixo de chuva, mas em nenhum momento você perde o foco do que está acontecendo.

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Especialidade de Del Toro, o design dos monstros e dos robôs é um dos grandes achados do filme. Destaque para a concepção visual dos Jaegers da China e da Rússia, que fazem referências à cultura desses países com perfeição. Fiquei com vontade de um prequel mostrando esses robozões e seus pilotos causando muita destruição contra aqueles bichos feios!

Também é interessante o modo como ele mostra a relação da humanidade com os Kaijus, principalmente em Hong Kong, onde podemos ver crânios, dentes e ossos gigantescos se incorporando à arquitetura da cidade, assim como o mercado negro de restos mortais das feras, vendidas como iguarias ou afrodisíacos.

Apesar de perder o ritmo no meio e ter algumas passagens bem clichês, Círculo de Fogo não se torna cansativo e prepara o espectador para sua última parte, com direito a batalhas sangrentas no fundo do mar!

Além de Idris Elba, destacam-se os atores Charlie Day e Burn Gorman como os cientistas-alívios-cômicos Newton Geizler e Gottlieb, o sempre bom Ron Perlman como o excêntrico Hannibal Chau e seus sapatos dourados e a pequena Mana Ashida, que interpreta Mako Mori criança – apesar de pouco tempo na tela, a menina dá um show.

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Círculo de Fogo não é um filme perfeito, não é uma obra-prima do cinema de ação, não vai ganhar prêmios por roteiro ou idéia original e nem terá atores indicados ao Oscar.

Mas, sinceramente, quem disse que um filme precisa de tudo isso para ser considerado bom? Basta ele ser divertido, inteligente e entregar justamente aquilo que ele promete desde o começo sem enganar o espectador (estou falando de você, Homem de Ferro 3!!!!!!).

Só por isso, o filme merece uma nota 8,0!

E que venham bonequinhos, quadrinhos, animações e games de Círculo de Fogo!

Círculo de Fogo – Trailer Oficial

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Bruno Alves

Bruno Alves é professor, rabisca de vez em quando uns desenhos por aí e tem sempre uma música tocando em off na cabeça, mesmo quando não está usando headphones. E sim, ele gosta dos Titãs.

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