As Tartarugas Ninja | CRÍTICA

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As Tartarugas Ninja | CRÍTICA

As Tartarugas Ninja” (Teenage Mutant Ninja Turgles) tem como diretor Jonathan Liebesman, que em 2011 dirigiu ‘Invasão do Mundo: Batalha de Los Angeles” (Battle: Los Angeles) um filme de ficção científica e guerra com cortes de câmera promissores e muitas explosões calculadas. Mas não pense que o dedo de Liebesman é o que aponta os caminhos desse filme, pois quando você tem um produtor de peso como Michael Bay – o cara que apesar das crítica fez (e ainda esta fazendo) milhões com a franquia Transformers – tudo vai caminhar miudinho no estilo “Michael Bay” de ser com: explosões e cenas de ação em 3D.

Chegando ao cinema com a proposta de reconstruir as já familiares e famosas amigas tartarugas ninja, o roteiro escolhe o caminho de recontar as origens dos personagens. Então esqueça o derramamento de  produtos químicos radioativo nos esgotos de New York que realizou uma mudança genética nas quatro tartarugas com nomes de pintores renascentistas (Leonardo, Raphael, Michelangelo e Donatello) e no rato de esgoto, o mestre ninja Splinter, nesses 101 min. de filme as coisas mudam de figura.

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Pra recontar a história, os roteiristas Josh Appelbaum e André Nemec (“Missão Impossível:Protocolo Fantasma”) e Evan Dougherty (“Divergente”) investem em mostrar a princípio as tartarugas como uma espécie de vigilantes da noite da cidade Nova York combatendo o Clã do Pé. Depois, através do recurso do flashback, eles mudam a origem da forma como as tartarugas e o rato ganham seus “poderes” de uma maneira interessante e previsível, mas que talvez não incomode tanto os mais fãs da franquia.

Falhas do roteiro:

Falando em roteiro, esse é o grande problema do filme. Ao recontar a história cria-se um excesso de ligações entre os personagens. Se por um lado isso acaba sendo o que segura a trama, porque sem isso nada com nada faria o menor sentido, por outro ele força a criação de laços afetivos entre personagens de maneira tão superficial que chega a incomodar.

Nessa proposta April O’niel (Megan Fox, em mais uma atuação mediana), com sua importância chave na trama, acaba tendo mais espaço de tela do que deveria. Ela provoca as mais improváveis cenas (aí, você vai ter que ligar o botão da “suspensão de descrença”). Além de ocorrer uma constante necessidade da lembrança de sua importância na vida anterior das tartarugas e do mestre pra justificar sua presença em alguns momentos. Ainda olhando esse ponto, as ligações entre outros dois personagens, Eric Sacks (William Fichtner) e o Destruidor (Tohoru Masamune), torna-se tão rasa que do meio pra o final acaba não fazendo o menor sentido o que os dois estão se propondo a fazer.

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Com relação ao vilão, como você já deve ter percebido, o Destruidor esta de volta, mas sua história entra por caminhos extremamente previsíveis e a ligação entre os mutantes e o vilão acaba sendo mal explorada. Os objetivos malignos dele beiram ao ridículo e são tão pouco criativos que você será remetido à Bane em “Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge”.

E o humor?

Como humor é ponto importante no que nos acostumamos a ver nessa franquia de sucesso peca-se por tentar fazer um filme muito sério. Michelangelo (Noel Fisher) acaba sendo o único com humor e é o alivio cômico do filme, seus trejeitos e sua aparência já mostram isso desde as primeiras cenas. Mesmo assim, algumas piadas saem forçadas por estarem colocadas em momentos impróprios durante o clímax da trama. Tentando garantir algumas risadas a mais algumas falas vão fazer referências a cultura pop, e menções ao Batman e a Star Wars estão presentes. Mesmo assim a falta de cuidado no encaixe do humor faz o que soaria cômico parecer desnecessário.  Ansioso pela pizza e pra ouvir a expressão “Cowabunga”? Tudo foi colocado lá, espere.

Como é o 3D?

Como já foi dito que o estilo Michael Bay de ser é o que predomina ver em 3D talvez faça toda diferença nesse filme. A cena de abertura é totalmente funcional ao 3D e é interessantíssima. Nas demais cenas a profundidade é bem vinda pra dar dinâmica a ação. Duas situações podem incomodar no 3D: em cenas de lutas em ambientes muito claros o recurso gráfico acaba se tornando imperceptível, enquanto em algumas cenas em lugares muito escuros ele acaba por confundir um pouco devido aos muitos cortes rápidos câmera e muita informação na tela. Talvez seja apenas um recurso pra reduzir as possíveis falhas da computação gráfica e da captura de movimentos.

A trilha sonora sustenta as explosões, mas fica imperceptível em algumas cenas e nada tem o peso de marcar. O cenário é a composição básica das tartarugas: os esgotos escuros de New York, onde elas mantem seu QG, e a própria cidade durante o dia e a noite. Ainda tem uma montanha nevada (com localização não especificada), o que garante poucos erros na fotografia.

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O novo visual das tartarugas, Mestre Splinter e Destruidor:

Focando no visual, algo que estava sendo muito discutido como ponto de maior medo dos fãs, é o de maior impacto do filme. O visual mutante humanóide das tartarugas convence ao criar uma alternativa à diferenciação entre as quatro. Normalmente, fora o temperamento, o que as diferenciava entre si eram as cores das mascaras e os tipos de armas que elas portavam em combate. Nesse filme nota-se o cuidado de que a aparência delas seja reflexo da personalidade de cada uma, o que é extremamente válido. Levando a ter de um Raphael (Alan Ritchson) mais forte e alto à um Donatello (Jeremy Haward) mais franzino e de óculos.

Em poucos minutos você irá se acostumar com os trejeitos das tartarugas, mesmo quando a primeira vista o nariz no rosto delas tenda a incomodar um pouco. Vale falar que mesmo elas sendo adolescentes (Teenage) sua aparência não demostra isso e talvez culpa do roteiro, elas não se portam como tal gerando a necessidade que isso seja jogado na sua cara.

O visual do Mestre Splinter (Danny Woodburn – captura de movimentos, e voz de Tony Shalhoub) é um caso a parte e ele é, com certeza, o personagem mais visualmente bem cuidado (não colocarei sua imagem aqui, no cinema é bem mais impactante). Com um ‘q’ de sábio e de habilidoso no porte e na fala, o rato é uma das peças de maior valor na construção de personagens . O’niel (como pode ser visto na primeira imagem) usa seu casaco amarelo, talvez isso seja suficiente pra quem produziu o filme.

Já o Destruidor é um caso que merece ser analisado com cuidado. A primeira vista ele parece assustador por seu porte humano, antes de trajar a armadura Samurai cibernética, mas junto as tartarugas você notará que seu poder não vem da força e sim dos gadgets com tecnologia bastante evoluída. Além disso, ele não tem porte, pois sua altura junto as tartarugas não mete medo. O Clã do Pé são ninjas e mantém o velho estilo e a mascara, e não há o que modificar nisso.

Cowabunga e ação!

Com relação as cenas de luta senti um problema na coreografia. As cenas em que a computação gráfica é o único recurso soam mais leves, e os cortes pra câmera lenta mostram-se interessante como recurso pra ver os detalhes de visual das tartarugas. Mas quando há humanos em cena, como nas lutas com o Clã do Pé, tudo é feito muito rápido e os cortes de câmera parecem esconder falhas na forma como são levadas as sequências. Não há sangue ou mortes nesse filme, o que garante uma diminuição na classificação por faixa etária.

“Teenage Mutant Ninja Turgles” é um filme do Michael Bay. Então se você curtir mais um filme de ação, mas agora com mutantes, “As Tartarugas Ninjas” é ideal. O filme tem lançamento agendado pra 14 de agosto de 2014.

NOTA:

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Cantora de ocasião, atriz de televisão, bailarina do Faustão, mas queria saber tocar violão. Sei que, às vezes, sou legal mesmo quando não estou dando mole.

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