Crítica | Mad Max: Estrada da Fúria

Mad Max: Estrada da Fúria - Crítica

Cinema

Crítica | Mad Max: Estrada da Fúria

Mad Max: Estrada da Fúria - Crítica[leftbox]O universo de Mad Max definiu muitos elementos usados até hoje em filme apocalípticos, mas poucos conseguem ser tão assustadores e ricos quantos os dos filmes concebidos pelo cineasta australiano, George Miller.

Seja pelo aspecto visual, que sintetiza características daquele mundo de forma clara e única, seja pelo domínio de câmera que Miller possui, que faz os filmes terem uma instigante narrativa, a série Mad Max se apresenta como um complexo faroeste futurista aproveitando o melhor de seus elementos sci-fi, que é essa coisa de falar sobre o mundo contemporâneo.

Com Estrada da Fúria, outra característica marcante da série se manteve: a particularidade de cada filme. Os trailers davam uma impressão de que este novo filme seria uma versão de Road Warrior em esteroides, mas colocar dessa forma seria reduzir demais o tanto que este novo capítulo aborda.

O filme não perde muito tempo em nos levar para a estrada e é em constante movimento que toda a narrativa se desenvolve.[/leftbox]

Mad Max: Estrada da Fúria - Crítica[rightbox]No meio da intensidade da correria, vamos descobrindo com relativa calma a motivação dos personagens, aqui, em especial, um grupo de “parideiras”, belas mulheres que basicamente tem a função de gerar bebês perfeitos em uma Cidadela dominada por Immortan Joe, um fanático religioso que não se furta em enganar seu povo que sofre ao prometer a vida eterna em uma terra paradisíaca (hum…) enquanto mantém o controle sobre a água e o combustível, recursos escassos.

Um interessante detalhe da religião propagada por Immortan Joe é quanto ela parece colocar elementos de veículos automotivos como objetos a serem idolatrados.

Para aquele mundo futurista uma atualização do objeto de culto. Para nosso tempo presente, uma realidade, só que travestida de contornos capitalistas. Serão os deuses “carrocratas”?

Mas a questão de religião tem presença marcante em Mad Max: Estrada da Fúria apenas para desembocar em seu tema mais emblemático…[/rightbox]

Mad Max: Estrada da Fúria - Crítica

Voltando a trama de Mad Max: Estrada da Fúria rapidinho…

Mad Max: Estrada da Fúria - Crítica[leftbox]As “parideiras”, lideradas pela Imperatriz Furiosa, fogem da Cidadela em busca da esperança de que não sejam mais objetos de homens que mascaram sua tentativa de dominá-las em nome de uma violenta pureza familiar.

Sim, no fim das contas, é isso mesmo. Mad Max é um tremendo filme feminista e não se furta disso em momento algum entregando quase que completamente toda sua trama para Furiosa, interpretada com grande força por Charlize Theron.

O título “Fury Road” então, ganha um sentido para além do que parecia ser o comum ao poder ser simbolicamente traduzido por “Estrada de Furiosa”.

Max, assim como nos filmes antigos – com a exceção do primeiro – cai de pára-quedas no meio da história, mas aqui, ao invés de a tomar para si, ele se torna quase coadjuvante tamanho é o tempo investido no drama das mulheres.

Não que Max não tenha seu pequeno arco particular. Atormentado pelos fantasmas de seu passado, Max, tal qual Furiosa, busca por uma redenção em um mundo onde sobreviver a cada dia pode significar a completa perda de sanidade.[/leftbox]

Mad Max: Estrada da Fúria - Crítica[rightbox]Mas é mesmo na opressão do mundo masculino sobre as mulheres que o filme se espalha.

O que é muito bacana e que torna o filme extremamente cinemático é que esses arcos e temas vão se apresentando e se desenvolvendo em meio as insanas perseguições pelo deserto.

Immortan Joe não vai deixar suas belas parideiras escapar e, munido de veículos assassinos, parte com sua tribo de “meninos de guerra” para colocá-las sob seu controle novamente.

Para a ação, apesar dos cortes rápidos, Miller, mestre na arte de conduzir a câmera, preza por planos médios e planos abertos, permitindo o mínimo de compressão em meio a loucura que são aquelas corridas.

Também há um claro esforço de criar as sequências de maneira mais prática possível, sem uso de computação gráfica, o que me fez questionar como é possível realizar tais proezas em alta velocidade sem que um número considerável de dublês tenha se machucado gravemente ou morrido.

Miller ainda consegue a façanha de usar com maestria o recurso de alterar o frame rate – a quantidade de quadros por segundo, afim de acelerar ainda mais algumas cenas, as vezes conferindo até mesmo uma aspecto alucinógeno para elas.

O resultado é poderoso e é possível temer constantemente pela vida dos personagens tamanho é o senso de perigo criado além de, sensorialmente, nos dar a sensação da loucura daquele lugar.[/rightbox]

Mad Max: Estrada da Fúria - Crítica

Essa junção de um filme de ação e ficção científica onde temas tão atuais são abordados de maneira extremamente visual em uma narrativa que está em constante movimento, literal e figurativamente falando, transforma Mad Max cinema em estado puro.

Ideias genais que sintetizam de forma visual os assuntos são apresentadas sem necessidade de diálogos expositivos – exemplos: a justiça é cega e as parideiras gordas.

Aliás, Max quase não fala ao longo de filme e não há problema em entender sua psicologia e tomada de decisões. Furiosa também está longe de ser uma personagem verborrágica, entregando a exposição de seu sofrimento para a força de seu olhar.

Em momento algum porém, espectador deixa de perceber que existe uma conversa acontecendo entre eles, mesmo que silenciosa.

Em suma, Mad Max: Estrada da Fúria é um filme que se desembrulha diante de olhos. É intenso, é atual, é visual, é insano e divertido.

Assistir na melhor sala possível de sua cidade é a chance de presenciar de forma única o que provavelmente deverá ser considerado um dos melhores blockbusters de seu tempo.

Acaba de se graduar em Cinema. Busca se especializar em direção de fotografia para filme, área em que atua de forma independente. Antes disso porém, estudou Star Wars no ensino médio, graduou-se em Harry Potter e fez pós em O Senhor dos Anéis. Ama: filmes de ficção científica, chocolate, filmes de Spielberg, viajar, passear por paisagens naturais e lugares altos, fotografar animais e celebrar com os amigos.

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