CRÍTICA – Malévola ou ei, mude o seu “felizes para sempre”

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CRÍTICA – Malévola ou ei, mude o seu “felizes para sempre”

Baseado no conto da Bela Adormecida, o filme conta a história de Malévola, interpretado por Angelina Jolie, a protetora do reino dos Moors. Desde pequena, a fada mantém a paz entre os dois reinos, dos homens e seres encantados. Eles não podem se encontrar, porque a ganância humana iria explorar o terreno, os seres e tudo oque há, destruindo o local que lembra um santuário.

Entretanto, como toda pessoa ela ignora o “não, perigo, saia daqui”, e a jovem com chifres conhece o garoto Stefan (Sharlto Copley). Os dois iniciam um romance, mas a ambição do jovem o faz largar a amada e sair em busca de seus planos. É nesse momento, no intervalo de tempo que ele consegue a admiração do rei, num gesto brutal com Malévola e que mostrará a mudança do comportamento da personagem. A fada vira um ser vingativo, aquela que conhecemos nas histórias e enfeitiça a jovem Aurora, que aos 16 anos irá espetar o dedo em uma roda de fiar e cairá em sono profundo, a não ser que acorde com o “beijo do amor verdadeiro”.

Mas porque é diferente dos contos de fada? Tá parecendo a mesma coisa! Sim, mas não.

A nova fórmula da Disney, vem cada vez mais sendo lançada ao novo público. Nela, os personagens femininos são fortes e largaram a combinação “amor à primeira vista, estou casando e indo para meu suntuoso castelo”, mas claro, não deixaram o seu “feliz pra sempre”, agora no singular, tá? Plural só se ela quiser e amigos, amigos, negócios à parte.

Provável que esse filme não tenha uma intensão de mostrar a independência feminina. Talvez tenha e só não foi dita pra que você possa perceber o embate da Disney entre seus contos clássicos e os novos romances modernos. Como não? Lembre-se de Merida, de Valente, da Elza de Frozen. Sabemos que tudo aquilo é fantasia, mas também sabemos que a fantasia alimenta crianças que por muito tempo acreditam que existe uma fórmula para a felicidade e que ela estava ali, nas princesas pacatas. E ainda temos os adultos, não é mesmo? Que nem de longe esqueceram essa mania de “auto-ajuda” onde o filho e ele mesmo, precisam ter essa felicidade cansativa.

Mas isso parece frio né? Mas calma, que é nesse contexto que aprendemos com Malévola que devemos amar e amamos mesmo sem querer. Não precisa ser a “alma gêmea”, por que o amado e o eterno não aparece num primeiro encontro de olhares, mas pode ser um amor de irmão, um amigo, uma prima. E também vemos que em algum momento, aquela pessoa pode ter sido tudo e depois não foi tanto assim. São os sentimentos de todos, conflituosos. Afinal, não tem como cantar alegremente na floresta encantada todos os dias!

malevola

Robert Stromberg conseguiu trazer uma nova perspectiva da história e também explicar um desejo de vingança que não é baseado em novelas mexicanas, onde “Adolfo Roberto” declara seu amor por “Consuela Maria” e depois se envolve com “Cristina Teresa”.

O uso de efeitos especiais é nítido, mas não é cansativo e usado muito bem. Óbvio que com alguns já estamos acostumados a ver em filmes como Oz e Avatar, mas outros como a levitação dos personagens e mudança do corvo para seres diversos foi bem criativa.

Acho que não me atrevo falar na desenvoltura da atuação da personagem principal. Angelina foi boa. E nada além. Antes que muitos fãs venham me julgar e dizer: nossa, ela é ótima, você está maluca. Não, ela é boa. Ela sempre foi isso. Muitas vezes faz ela mesma nos papéis e felizmente é bem dirigida. Mas tem todo o status pessoal que a enaltece, então deixarei de lado essa construção. A Elle Faning como Princesa Aurora conseguiu desenvolver a doçura de uma jovem de 16 anos criada por fadas num mundo fantástico e apesar de eu ter escutado na sala do cinema: “que pai louco, como pode ter ignorado a filha assim?!”, Sharlto Copley como o Stefan foi muito bom, conseguindo captar bem como alguém vive com tanto medo e remorso.

Malévola, com Angelina Jolie não é um incrível filme, daqueles de colocaremos num pedestal das grandes obras (coisa boba escolhida por nós, pra nós e que nós julgamos). Mas possui características fortes o suficiente que me fazem dizer: verei de novo!  O filme tem bons efeitos especiais, maquiagem e figuro impecáveis e o roteiro, bem, meus parabéns por ter conseguindo trazer cenas e música da animação original e ao mesmo tempo recontar a história sob outro ponto de vista. Me vi ansiosa pela cenas clássicas do corvo, das três fadas-madrinhas desastradas, pelo bolo despencado da Aurora e ao mesmo tempo entendi que não é um filme para você achar graça, suspirar com o amado, mas para refletir sobre quem nos tornamos.

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Tem a mesma profissão de Clark Kent, mas sonha em ser Bruce Wayne. Espera até hoje o final de Caverna do Dragão, sua convocação para Hogwarts e ser chamada para lutar na Terra Média!

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