Tomorrowland – Um Lugar Onde Nada é Impossível | CRÍTICA

Cinema

Tomorrowland – Um Lugar Onde Nada é Impossível | CRÍTICA

O que chama atenção logo de cara em “Tomorrowland” é a apresentação de um futuro utópico. Puxando pela mente, todas as retratações de um futuro feitas pelo cinema nos últimos anos são cinzentas, inseguras, sem esperança. É a visão de um futuro que foi se formando ao longo das últimas décadas devido a incapacidade da humanidade de frear problemas que poderão custar caro para o planeta e para a nossa própria existência.

Brad Bird então, traz de volta a visão do futuro ali dos anos 40 e 50, da geração baby boomers, que viveu tempos de prosperidade nos Estados Unidos. À vista da boa época, o que se visualizava para as décadas seguintes era um mundo muito mais consciente do que seria preciso para viver em paz e harmonia; onde tudo seria brilhante e cromado, mas ainda manteria uma certa vivacidade nas cores.

A mensagem do filme portanto, não é apenas muito boa como é extremamente urgente. Até quando iremos simplesmente visualizar uma distopia em um tempo não muito distante e continuar fazendo tão pouco para evitar uma catástrofe? Será preciso esperar um estado de calamidade total para que o mundo se lembre que vive na mesma bola redonda e que é preciso preservá-la e reforçar a ideia de uma união em prol de avanços não apenas técnicos como também humanos? são perguntas mais do que pertinentes que o filme faz.

Tomorrowland

 

Mas Tomorrowland pergunta demais.

Apesar das belas intenções, não estamos vendo um panfleto, mas um filme e para funcionar bem como tal é preciso que ele seja capaz de engajar seu espectador na narrativa. Brad Bird é um excelente diretor e é possível enxergar seus traços criativos na condução de algumas cenas e como ele sabe criar uma boa perspectiva para seus personagens. Mas nem mesmo isto salva um roteiro que ele mesmo escreveu ao lado de Damon Lindelof.

Tomorrowland

Este último, já famoso por adicionar muito mistérios em seus textos e entregar resoluções pífias e pouco coerentes para eles, repete o mesmo problema aqui. Não sei até que ponto foi a mão dele ou de Bird neste caso, mas é fato que o tipo de estrutura apresentada é típica de Lindelof e já foi vista, infelizmente, em filmes como Prometheus, Cowboys & Aliens e a série The Leftovers (que eu não tive paciência para terminar).

O resultado é um filme cujos personagens estão o tempo todo fazendo perguntas a cada nova situação que surge e respostas não tão empolgantes vão sendo dadas depois muito tempo apenas para vermos o surgimento de mais perguntas. Para piorar, esses questionamentos do próprio universo são feitos de forma literal. Os personagens realmente ficam o tempo todo fazendo perguntas tornando o filme excessivamente didático e verborrágico a ponto de se tornar insuportável.

Outra consequência disso é que a história parece nunca avançar. Os personagens embarcam em uma aventura que consiste em simplesmente em ir de um lugar para o outro – enquanto, como disse, vão fazendo as milhares de perguntas, até praticamente o fim do filme. Nunca, como espectador, somos levados a uma nova direção e parece mais que nem o próprio filme sabe para vai. E quando ele chega, depois de muita lenga lenga e portais secretos à sua conclusão, o roteiro embarca em uma viagem que parece querer competir com o final Interstellar/Lucy em matéria de climáx “what the fuck?”.

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Para não dizer que nem tudo está perdido, apesar de George Clooney estar muito mal escalado, as duas principais atrizes do filmes, Britt Robertson e Raffey Cassidy, estão muito bem. As duas emprestam um bocado de carisma e a acrescentam à atmosfera sonhadora que Bird tenta criar. O filme às vezes tem muito CGI para o meu gosto, mas é bem realizado, assim como design de produção e fotografia, que criam um contraste com a Tomorrowland em momentos distintos assim como com a Tomorrowland e o tempo presente.

Este novo filme de Brad Bird é sobre recuperar uma auto estima com relação ao futuro e trabalhar para construir uma sociedade harmônica e sem exclusões. Contudo, é uma pena notar que o cineasta faça um filme que é, em essência, sobre inspiração, e não consiga inspirar o espectador a continuar assistindo-o. Sobra muito espaço para explicações e pouco para a imaginação.

Acaba de se graduar em Cinema. Busca se especializar em direção de fotografia para filme, área em que atua de forma independente. Antes disso porém, estudou Star Wars no ensino médio, graduou-se em Harry Potter e fez pós em O Senhor dos Anéis. Ama: filmes de ficção científica, chocolate, filmes de Spielberg, viajar, passear por paisagens naturais e lugares altos, fotografar animais e celebrar com os amigos.

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