Vício Inerente | CRÍTICA

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Vício Inerente | CRÍTICA

[rightbox]Paul Thomas Anderson é mesmo um cineasta brilhante. Dono de obras primas como o energético Boogie Nights, o emocionante Magnólia e o poderoso Sangue Negro, este cineasta é daqueles que mesmo quando faz um trabalho que causa pouca empatia como este Vício Inerente, coloca o escritor naquela posição desconfortante de passar a maior parte do texto tecendo elogios ao mesmo passo que se sente culpado por não ter apreciado mais seu trabalho.[/rightbox]

Filho da mãe.

"É um filho da mãe..."

“É um filho da mãe…”

[leftbox]Escrito pelo próprio Anderson baseado no livro de Thomas Pychon, “Vício Inerente” começa quando que o detetive particular e “hippie” Larry “Doc” Sportello (Joaquim Phoenix) recebe a visita de sua ex-namorada, Shasta (Katherine Waterson), que pede para que ele investigue um suposto plano que culminaria no assassinato de seu atual companheiro, Michael Wolfman (Eric Roberts), um poderoso empresário da área da venda de imóveis. O sumiço de ambos coloca Doc numa super trama que revelará intenções vis e ambiciosas em todo o ecossistema de Los Angeles.

vicio-inerente-crtiica-02Não sou versado na História dos Estados Unidos mas o panorama político e social que Anderson cria deste ambiente dos anos 70 (época em que se passa a história), usando tintas de filme noir, é pra lá de complexo.

Este rico pano de fundo aliás, é característica recorrente nos filmes do cineasta, que parece sempre usá-lo de forma a frustar os ideais do sonho americano, revelando as feridas que a sede pelo poder costuma abrir.

Em “Vício Inerente”, Anderson mostra vários embates entre a ordem e aqueles que apenas querem fumar um cachimbo na santa paz. E como se imagina, nesta época de frustração militar e paranoia comunista, a vida não será nada fácil para os remanescentes da contracultura. Isso é algo muito bem representado na contraposição do descabelado e desleixado Doc e do bem penteado e rígido detetive “Pé Grande” (Josh Brolin).

Falando nos personagens, o filme tem grande elenco deluxe. Mas marca mesmo a composição detalhada de gesto e de voz de Joaquin Phoenix, que faz seu Doc sempre reagir de maneira engraçada e sincera às situações malucas as quais esbarra.

Josh Brolin faz o tipo que se espera dele. Apesar disso, inserido no contexto do universo deste filme, sua atuação jamais soa preguiçosa e seu Pé Grande representa aquele detestável conservadorismo da lei.

Mas quem hipnotiza mesmo é a Shasta de Katherine Waterson, tanto por sua incrível beleza como pelo acúmulo de emoções trágicas em seu rosto. A trip em que Doc se mete por conta dela fica totalmente justificada.

Há também participações de Benicio Del Toro, Owen Wilson, Resse Winterspoon, Jena Malone, Michael Kenneth Williams e outros.[/leftbox]

vicio-inerente-crtiica-01[rightbox]Apesar de pontuais momentos que beiram ao surreal, o filme é menos biruta do que alguns talvez estivessem esperando, mas tem um tom de descompromisso muito maior do que abarca sua temáticas.

O que é mais chapado mesmo, além do Doc, é a progressão da narrativa. Meia dúzia de novos personagens e twists vão surgindo durantes as longas duas horas e meia de filme de forma tal que fica fácil se perder. Mas Anderson não é bobo. Não é apenas o espectador que se perde, mas o próprio protagonista também, algo que sugere que toda a cadeia de acontecimentos não tem lá muito importância para ele a não ser, claro, reencontrar Shasta.

Além disso, vale observar que Doc está sempre fumando e há momentos em que suas conclusões são postas em cheque. É um recurso interessante conceitualmente, caso tenha sido esta de fato a intenção do cineasta.

Contudo, fica realmente difícil engajar o espectador na narrativa, especialmente por que boa parte de seus inúmeros personagens não são lá muito interessantes apesar de enriquecerem aquele universo meio doido. Não descarto uma possível culpa. Talvez o meu vício inerente por narrativas mais focadas tenha atrapalhado a apreciação imediata da obra. Quem sabe numa revisão melhore.

Não muda o fato de que, apesar de estar com um sorrisinho de canto de boca durante boa parte da projeção, não consegui deixar de achar quase tudo monótono. Anderson filho da mãe me pegou desprevenido. Se é que se pode embarcar desta forma em algum filme desde rapaz.

Já deu pra perceber que a obra é recomendada apesar de não ter me estimulado tanto. Mas sempre há muito o que se aproveitar em qualquer filme deste cineasta que, com certeza, está na lista dos mais interessantes do atual cinema americano. Vicio Inerente não foge a regra.[/rightbox]

NOTA:

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Acaba de se graduar em Cinema. Busca se especializar em direção de fotografia para filme, área em que atua de forma independente. Antes disso porém, estudou Star Wars no ensino médio, graduou-se em Harry Potter e fez pós em O Senhor dos Anéis. Ama: filmes de ficção científica, chocolate, filmes de Spielberg, viajar, passear por paisagens naturais e lugares altos, fotografar animais e celebrar com os amigos.

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