Vingadores: Era de Ultron | Crítica

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Vingadores: Era de Ultron | Crítica

vingadores-era-de-ultron-critica-01[leftbox]Vingadores: Era de Ultron é um filme inesperadamente “fechado” considerando a que altura o universo da Marvel Studios se encontra no cinema e o pouco que já se sabe dos eventos que virão nos próximos capítulos desta mega saga.

O que parece ficar em aberto desta vez, embora o filme não leve isto até o fim como poderia, é uma ferida mais interna. Neste sentido, Era de Ultron é possivelmente o filme da Marvel que mais aproveitou o potencial de seus personagens para além de suas caracterizações essenciais e potencial para piadas, ao adicionar um interessante dilema.

Com isto, esta nova aventura também consegue outro feito que para mim também estava ausente na maioria dos outros filmes do MCU e que sempre senti falta: a elaboração de uma atmosfera.

Finalmente, a sensação de que os heróis mais poderosos da Terra podem perder o chão é sentido de verdade na tela. É algo que é bastante expressado pela fotografia mais lavada e dessaturada, oposta a do primeiro filme, mas que também é construído pelo diretor e roteirista Joss Whedon com uma calma que até surpreende considerando a quantidade bem distribuída de ação que épicos como esses “devem” ter.[/leftbox]

vingadores-era-de-ultron-critica-04[rightbox]Não que o filme tenha se tornado “sombrio e realista”. O bom humor está presente do início ao fim e o timing de Whedon para comédia continua certeiro – a sequência em que os Vingadores se reúnem em uma festa já paga o ingresso de tão hilária e ainda temos um pay off incrível para ela perto do fim do filme.

A diferença principal é que as situações mais dramáticas não serão completamente amenizadas por piadas – algo que ocorre em praticamente todo o primeiro filme ao ponto de eu quase considerá-lo anárquico.

As rivalidades entre os Vingadores não serão ressaltadas apenas pelas diferenças nas características básicas de cada personalidade mas por distintas maneiras de pensar. Mais precisamente, Tony Stark estará tomando uma série de decisões questionáveis, especialmente para Steve Rogers.

Ultron, uma consciência artificial criada pelo Homem de Ferro para proteger a Terra é a grande ameaça do filme. Seu discurso sobre proteger a humanidade destruindo-a é dito pelo personagem como uma possível síntese do que os Vingadores possivelmente fazem todos os dias e isto coloca os heróis em cheque – e ainda tem como bônus trazer de volta um pouco da temática armamentista trabalhada no já longínquo Homem de Ferro 1.[/rightbox]

vingadores-era-de-ultron-critica-03[leftbox]Mais do que isso, Ultron funciona como uma extensão, mesmo uma personificação de uma possível faceta de Tony Stark. Uma que nem mesmo ele, em sua arrogância é capaz de perceber. Complementando, o robô também procura se vestir em um corpo que não corresponde com sua “biologia” e ainda é sarcástico.

E se sua construção é para lá de apressada e ele não se apresenta como um adversário realmente implacável, pelo menos ele consegue instaurar com eficiência essa crise interna que, em certo ponto, mais parece levar o grupo a uma divisão do que colaboração.

Essa sensação é enfatizada também por que percebemos que há muito mais em jogo. Conhecemos alguns novos e interessantes detalhes sobre o Gavião Arqueiro e sobre a Viúva Negra, por exemplo, que acrescentam não só um pouco mais de dimensão para eles, mas também mais peso a tudo que acontece ao redor já que se percebe que há mais a se perder.

Com tudo isso, lamento que no final das contas, esse efeito seja bastante diluído já que no auge desse conflito que vai se formando entre os personagens, o filme torne o Homem de Ferro num herói novamente colocando em foco de novo a divisão “bem contra o mal”.[/leftbox]

vingadores-era-de-ultron-critica-05[rightbox]A conclusão, sem querer entregar nada, decepciona um pouco por que faz parecer que as coisas não terminaram tão mal, afinal. Quase um desperdício de potencial até mesmo para o que está por vir nos próximos filmes.

Por outro lado, fica a agradável sensação de completude. O filme se basta e não saímos do cinema com a promessa de que o melhor está por vir como se o que acabamos de ver não tivesse sido bom o suficiente.

E ele faz isso sem deixar de preparar terreno. Thor, que é mais deslocado, aparentemente deu alguns passos em direção ao seu próximo capítulo. E o roteiro faz isso de forma orgânica, sem parecer que estamos vendo um spin off dentro do próprio filme. Pontos para Joss Whedon.

Mas Vingadores não é só novidades. Este deve ser o quarto filme do estúdio onde o clímax consiste em criar uma cena megalomaníaca com alguma coisa gigantesca caindo sobre o planeta. Em alguns filmes eles até se saem bem e criam uma sequência empolgante. Em outros, nem tanto e o que se vê é uma série de tomadas burocráticas que ostentam efeitos especiais.[/rightbox]

vingadores-era-de-ultron-critica-02[leftbox]Whedon fica no meio do caminho. O exército de robôs de Ultron é tão bobo quanto aquele que o Loki traz no primeiro filme e aí tem que encarar uma meia hora de pancadaria onde já se sabe que nada realmente interessante vai acontecer. Whedon pelo menos aproveita e elabora outro pequeno e empolgante plano sequência dos heróis em ação. É aquele momento irresistível, onde tudo mundo bate palma. Safado esse Whedon.

O melhor do clímax acontece mesmo longe do campo de batalha e sem toda essa necessidade de mostrar o “épico”. Envolve um novo e interessante personagem, o Visão, visualmente incrível e aparentemente fascinante. Ele que nos lembra sobre a beleza da humanidade e o por que da solução de Ultron não ser a melhor.

Outra adição que merece comentário são as da Feiticeira Escarlate e seu irmão gêmeo, o Mercúrio. A primeira ainda consegue marcar presença e seu poder mexe com os Vingadores de uma forma interessante.

Já o segundo não faz muita coisa. Seu intérprete, Aaron Taylor Johnson, é muito fraquinho e o roteiro não faz muito pelo personagem. Há uma tentativa de criar uma cena emocionante com ele que se esvai muito rápido por conta dessa falta de empatia.[/leftbox]

Vingadores: Era de Ultron

É isso! Vingadores: Era de Ultron não decepciona e, para mim, até excede expectativas. Joss Whedon consegue com eficiência contornar as mesmices dos filmes da Marvel Studios, e, embora a força do conflito central gradualmente se disperse, houve tempo suficiente para que pelo menos a ameaça mexesse de forma mais contundente com a dinâmica dos personagens.

Whedon, até segunda ordem, se despede da franquia e possivelmente do MCU. Já deixa saudades.

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Acaba de se graduar em Cinema. Busca se especializar em direção de fotografia para filme, área em que atua de forma independente. Antes disso porém, estudou Star Wars no ensino médio, graduou-se em Harry Potter e fez pós em O Senhor dos Anéis. Ama: filmes de ficção científica, chocolate, filmes de Spielberg, viajar, passear por paisagens naturais e lugares altos, fotografar animais e celebrar com os amigos.

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