Gravidade | Crítica

Gravidade - 2013 - Sandra Bullock - GEEK CAFE

Cinema

Gravidade | Crítica

Se já não tivesse sido utilizado no filme Alien – O 8º Passageiro (de Ridley Scott, 1979) o slogan “Seu grito não será ouvido no espaço” cairia como uma luva para o novo filme do diretor mexicano Alfonso Cuarón (E Tua Mãe Também, Harry Potter e O Prisioneiro de Azkaban, Filhos da Esperança) Gravidade é um dos filmes mais angustiantes e belos que vi recentemente, daqueles que te prendem na cadeira do cinema e que congelam seu olhar na tela.

Ryan Stone (Sandra Bullock) é uma engenheira médica em sua primeira missão no espaço. Matt Kowalski (George Clooney) é um astronauta veterano, com décadas de experiência e prestes a se aposentar. Outros dois astronautas completam a tripulação do ônibus espacial nessa missão trivial de reparar satélites. De repente, eles recebem ordens da base na Terra para abortar a missão e retornar rapidamente ao ônibus espacial, pois destroços de um satélite russo estão se aproximando rapidamente da posição deles.

Apesar do aviso, eles não conseguem retornar a tempo e são atingidos em cheio pela onda de destroços. O ônibus espacial é destruído, os tripulantes que estavam nele morrem e restam apenas Stone e Kowalski, à deriva no espaço, sem comunicação com a Terra. A única esperança deles é chegarem à Estação Espacial chinesa e de lá tentarem retornar para casa. Contra eles estão a distância da estação, a quantidade limitada de oxigênio em suas roupas espaciais e os destroços em órbita.

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Gravidade é um deleite sensorial. O filme começa com um plano sequência de quase 20 minutos que mostra Stone e Kowalski trabalhando no espaço, flutuando no assustador silêncio que os rodeia. É de tirar o fôlego essa coreografia, que tem como pano de fundo a Terra, em toda a sua exuberância. A ausência de gravidade não permite que os corpos se fixem em um eixo e isso serve de pretexto para Cuarón jogar na tela seus personagens em ângulos não-convencionais. Esse balé assimétrico no espaço termina por, em alguns momentos, dar náuseas – pessoas sensíveis, cuidado, principalmente no longo rodopio da Dra. Stone presa à um pedaço da nave!

Em boa parte das cenas, ouvimos apenas as vozes de Bullock e Clooney – como o som não se propaga no espaço, a destruição em massa acontece em pleno silêncio. A música incidental que surge vez ou outra para ressaltar os momentos mais tensos terminou por me incomodar. Fiquei imaginando se o filme não ganharia mais dramaticidade se Cuarón não tivesse enxertado trilha sonora. Seria ousado. Mas a trilha do Steven Price é boa, ok?

Fiquei na maior curiosidade para ver o making of desse filme, principalmente por causa dos efeitos especiais que transmitem toda a grandiosidade, perigo e beleza do espaço e do nosso planeta, quietinho lá embaixo.

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Quanto ao 3D, eu sugiro que você assista a versão com o recurso, pois ele é muito bom e torna-se fundamental em algumas cenas, permitindo uma imersão maior na experiência do filme. Se você assistir a versão 2D também tá valendo, mas considere, ok? Depois volte aqui prá comentar se eu tinha razão ou não. Alegre

Sandra Bullock está excelente como a Dra. Ryan Stone, conseguindo mostrar todo o desespero da personagem diante da tragédia. Insegura no começo da missão, desesperançada no decorrer do acidente e decidida a sobreviver logo em seguida – todas essas nuances são transmitidas com perfeição pela atriz. Indicação certa para o Oscar, vai vendo…

George Clooney esbanja carisma e sedução, nos dando um Matt Kowalski seguro de si mesmo nos momentos mais tensos, sempre espirituoso e decidido. Outra atuação ok dele.

geek-gravidade-2O roteiro foi escrito por Cuarón e seu filho Jonás. E é aí que reside, talvez, o ponto mais discutível do filme. Se você prestar atenção demais na história, vai ver que ela é simples, sem se preocupar com mensagens ou coisas do gênero – eu diria até que ela é previsível, tocando num tema comum ao cinemão norte-americano. Não que isso torne Gravidade um filme menor ou similar a qualquer filme pipoca desses que surgem aos montes. Longe disso! Talvez na mão de outro diretor mais afeito a amenidades essa história se tornasse um amontoado de clichês, mas Alfonso Cuarón dirige seu filme com segurança e delicadeza, como se estivesse pintando um quadro.

Gravidade pode ser resumido como uma jornada de sobrevivência no espaço e, se ele tem alguma ‘mensagem’, é a de que nós, habitantes metidos a deuses desse pálido ponto azul no espaço, não somos nada diante da grandiosidade do universo.

Nota 9 brincando!

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Bruno Alves

Bruno Alves é professor, rabisca de vez em quando uns desenhos por aí e tem sempre uma música tocando em off na cabeça, mesmo quando não está usando headphones. E sim, ele gosta dos Titãs.

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