Guardiões da Galáxia Vol. 2 – o melhor filme inútil da Marvel

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Guardiões da Galáxia Vol. 2 – o melhor filme inútil da Marvel

Guardiões da Galáxia Vol. 2 – o melhor filme inútil da Marvel

Dirigido por James Gunn, Guardiões da Galáxia Vol. 2 é um filme inútil. Com cinco cenas pós-créditos, apenas uma tem importância para a grande trama que move esta fase do MCU – e olhe que ela é relevante apenas para quem é leitor regular (e antigo) dos quadrinhos Marvel.

Porém, classificar o filme de inútil não quer dizer que ele seja ruim. Pelo contrário: Guardiões da Galáxia Vol. 2 é, sem sombra de dúvidas, um dos melhores filmes da Marvel, talvez até pela liberdade que o diretor/roteirista teve.

James Gunn, que escreveu e dirigiu a sequencia, mostra uma liberdade criativa de fazer inveja a outros diretores – e lembrei aqui do Edgar Wright e sua tentativa frustrada de fazer um Homem-Formiga mais independente da cronologia marvelística.

Quando ressuscitou os super-heróis em 1961 com a criação do Quarteto Fantástico, a Marvel Comics também inventou a cronologia e o universo compartilhado. Ou seja, tudo o que aconteceu no universo quadrinhístico da Marvel desde 1961 continua, na maioria dos casos, valendo; e tudo o que acontece na revista de um personagem pode ter repercussões na revista de outro.

Ao levar essas características para seu universo nas telonas, a Marvel reinventou o conceito de franquia cinematográfica – não é a toa que outros estúdios estão desenvolvendo seus próprios universos narrativos, como a Universal e seus monstros clássicos.

Surgido em 2008 com o primeiro filme do Homem de Ferro, o MCU (Marvel Cinematic Universe) já acumula 15 filmes até o momento, a maioria interligados, caminhando para o grande desfecho dessa fase: o confronto com o titã louco Thanos, que acontecerá em 2019 no filme Vingadores 4 (ainda sem título definitivo).

Explico a frase “a maioria interligados”:  dos 15 filmes, um possui uma interligação tão tênue com o restante que poderia ser classificado como inútil.

Guardiões da Galáxia Vol. 2

A trama é simples. Tudo começa com a equipe cumprindo a missão para qual foi contratada: proteger as baterias de energia do planeta da raça chamada Soberanos de um monstro gigantesco e perigoso, vindo de outra dimensão. Após derrotarem o monstro, o grupo recebe seu pagamento: a liberdade de Nebula (Karen Gillian), irmã de Gamora (Zöe Saldana). Porém, Rocket (Bradley Cooper) rouba algumas baterias, o que coloca o grupo sob ataque da frota dos Soberanos.

Quando tudo parecia perdido, os Guardiões são salvos por Ego (Kurt Russel), o pai de Peter Quill (Chris Pratt). Gamora, Drax (Dave Bautista) e Peter são convidados a conhecerem o planeta de Ego, enquanto Rocket e Groot (Vin Diesel) permanecem reparando a nave em um planetóide. Revoltados pela ofensa de terem sido roubados, os Soberanos contratam os Saqueadores, liderados por Yondu Udonta (Michael Rooker), para capturarem os Guardiões.

Enquanto isso, Gamora, Drax e Quill recebem um aviso de Mantis (Pom Klementieff), a assistente do pai de Peter, de que as coisas não são o que parecem ser no planeta de Ego.

Com todas as peças dispostas no tabuleiro, os Guardiões tem que correr contra o tempo para tentar salvar, mais uma vez, a galáxia enquanto convivem com seus conflitos internos e familiares.

Maior, mais colorido e engraçado: isso é bom?

O primeiro Guardiões da Galáxia (2014) foi uma das grandes surpresas da Marvel. Nem eu, leitor regular de quadrinhos desde meus tenros 5 anos, conhecia direito a equipe que foi adaptada. Lembro muito da equipe original, criada em 1969, que tinha como membros o Major Vance Astro, Yondu, Charlie-27, Martinex e Starhawk.

O filme era uma grande incógnita mas se revelou um grande sucesso ao arrecadar 773.328.629 milhões de dólares e receber elogios da crítica. O filme abriu as portas do rico universo cósmico da Marvel, que será de vital importância para o fechamento da Fase 3 com o confronto dos heróis com Thanos.

Sendo uma sequencia vinda de um sucesso, é claro que a ideia era fazer uma coisa maior, melhor e mais surtada. James Gunn e o elenco conseguem entregar um filme gigantesco, repleto de ação, piadas na velocidade da luz e muita cor, mas também consegue aprofundar melhor seus personagens. Durante as duas horas e dezesseis minutos, conhecemos melhor a origem da treta entre Gamora e sua irmã Nebula, os motivos que levaram Yondu a sequestrar Peter Quill, a origem de Ego e como ele conheceu a mãe de Peter, revivemos a tristeza de Drax pela perda de sua família e acompanhamos o encantamento do Senhor das Estrelas com seu recém-descoberto pai.

As piadas em excesso incomodam um pouco e há pelo menos uma sequencia da ação totalmente desnecessária e sem graça. Porem, não é nada que comprometa o resultado final.

Há toneladas de referências, uma delas particularmente emocionante para um leitor veterano como eu: a aparição de parte dos guardiões originais, um deles vivido por Sylvester Stallone e outro pelo eterno e melhor Lex Luthor de todos os tempos, Michael Rosenbaum. Drax e Rocket, mais uma vez, roubam as cenas e o Baby Groot é fofo embora incomode de vez em quando. Ainda bem que ele vai crescer até o próximo filme. Mantis não é a personagem que conhecemos nos quadrinhos, mas sua nova versão é muito boa e tem uma função – mas o melhor é sua inusitada relação com Drax.

Tecnicamente, não há o que reclamar. O rejuvenescimento digital de Kurt Russel é de babar, superando o de Robert Downey Jr. em Capitão América: Guerra Civil e o de Michael Douglas em Homem-Formiga. Os efeitos estão ok, o design de raças novas como a dos Soberanos é genial. Há pequenos vislumbres de outros mundos (um deles parece Sakaar, o planeta onde acontecerá parte da trama de Thor: Ragnarok) e a aparição de alienígenas icônicos dos quadrinhos.

A trilha sonora, mais uma vez, é ótima (só My Sweet Lord, de George Harrison, já vale o download), mas não senti tanta organicidade quanto no primeiro filme.

Tá tudo muito bom, tá tudo muito bem, mas… e a cronologia?

Chegamos ao momento que torna o filme “inútil”. Quando a trama principal termina, fiquei me perguntando onde o segundo filme dos Guardiões se encaixava na cronologia. Não há nenhuma ligação direta com outro filme a não ser o primeiro Guardiões. Há menção a Thanos, mas nada na trama parece interferir no plot principal das joias do infinito.

Como já dito, o filme tem cinco cenas pós-créditos. Quatro divertidíssimas e uma importantíssima, mas que é tão rápida que quase não percebi o detalhe. Essa cena importante apresenta um personagem-chave para o desenvolvimento das futuras tramas cósmicas do MCU. Dizer mais é contar um spoiler gigante!!!!

Então, esqueçam a cronologia.

Esqueçam Thanos, Vingadores e tudo o mais.

Guardiões da Galáxia Vol. 2 é um filme para assistir na tela grande, com um balde gigante de pipoca, meio litro de refrigerante e o cérebro desligado dessas preocupações banais.

Que venha Guardiões da Galáxia Vol. 3 (agora com capacidade para mais músicas!!!)

NOTA: cinco canecas de café com leite!

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Bruno Alves

Bruno Alves é professor, rabisca de vez em quando uns desenhos por aí e tem sempre uma música tocando em off na cabeça, mesmo quando não está usando headphones. E sim, ele gosta dos Titãs.

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