Homem de Ferro 3 | Crítica

Cinema

Homem de Ferro 3 | Crítica

Os super-heróis sempre foram a menina dos olhos da indústria cinematográfica, desde os seus primórdios – já em 1941, o Capitão Marvel estreava um seriado semanal produzido pela Republic, apenas dois anos depois de ter surgido nos quadrinhos.

Desde então, as adaptações dos heróis dos quadrinhos passaram por altos e baixos: em alguns momentos, se distanciavam das características básicas dos personagens; em outros, nos faziam acreditar que um homem podia voar.

Depois do divisor de águas que foi X-Men (2000, Bryan Singer), os super-heróis começaram a ser mais respeitados pelos estúdios (com algumas pequenas liberdades conceituais, claro).

homemdeferro3_13A Marvel Comics, que para escapar da falência vendeu o direito de vários personagens para Hollywood, depois de se recuperar financeiramente decidiu entrar na briga criando seu próprio estúdio e escolheu para iniciar seu universo cinematográfico o Homem de Ferro, cujo filme homônimo de 2008 (Jon Favreau) se tornou um novo parâmetro para as adaptações de super-heróis.

A partir do Homem de Ferro, a Marvel deu início à sua Primeira Fase com a ousadia de interligar os filmes dos personagens Capitão América, Thor e Hulk, resultando no arrasa-quarteirão Os Vingadores. Com todas as peças bem encaixadas no tabuleiro, a próxima etapa seria a Fase Dois.

Marvel – Fase Dois

Homem de Ferro 3 (2013, Shane Black) dá início à segunda fase do Universo Marvel no cinema, com a gigantesca tarefa de dar continuidade aos eventos mostrados anteriormente – principalmente aqueles ocorridos em Nova York.

Desde o início da divulgação do filme, os teasers, spots, trailers e fotos davam a impressão de que a terceira aventura solo de Tony Stark, o nosso querido gênio, bilionário, playboy e filantropo, teria uma pegada mais violenta e sombria, com perdas importantes para o Cabeça de Lata e que abriria caminho para os demais filmes. E tinha o Mandarim, um dos mais emblemáticos arquiinimigos do herói nos quadrinhos.

A história

homemdeferro3_14Depois de Nova York, Tony Stark está com problemas. Ele combateu uma invasão alienígena e lutou ao lado de um semideus, um supersoldado que ficou décadas preso no gelo e um gigante verde superpoderoso. O mundo ficou mais complexo. Quando lembra dos eventos, Tony tem crises de ansiedade. E para proteger aquela que ama, passa a maior parte do tempo enfurnado em seu laboratório, aperfeiçoando sua tecnologia – a cena em que ele controla sua armadura à distância mostra essa evolução.

Só que o mundo real bate à sua porta na figura do terrorista Mandarim, extremista que promove uma série de ataques. Num desses ataques, Happy Hogan, seu segurança particular, fica à beira da morte e o caso passa a ser pessoal para Tony.

Ao mesmo tempo, entra em cena Aldrich Killian, um cientista do passado de Tony que detém a tecnologia Extremis, que permite aperfeiçoar a mente e o corpo humano – só que a boa intenção é só uma fachada e Killian quer usar o Extremis para fins militares.

Atacado em sua própria casa, Stark consegue sobreviver mas tem que praticamente começar do zero, privado de sua tecnologia, para dar a volta por cima.

A premissa do filme é boa. Afinal de contas, o que faz o herói: a armadura ou o homem?

Trailers, malditos trailers!!!!

Lamento informar que a Marvel deu uma grande trollada nos fãs do Homem de Ferro – de várias maneiras. A primeira foi vender um filme que não existe.

homemdeferro3_12Ok, as cenas mostradas nos trailers estão lá: os ataques terroristas do Mandarim, o desafio ao vilão, a destruição da mansão, o exército de armaduras, Tony Stark sem sua tecnologia tentando sobreviver com o que restou, Patriota de Ferro, sequestro de Pepper Pots…

Tudo lá. Mas com alguns problemas de encaixe.

A primeira parte da história é muito boa. Stark solta piadas como uma metralhadora e podemos ver bem sua paranóia em uma assustadora cena no quarto do casal. Jon Favreau é um bom alívio cômico com seu Happy Hogan. E as primeiras aparições do Mandarim mostram o quão perigoso ele é – Ben Kingsley está excelente no papel.

No segundo ato, depois que Stark é atacado, o filme ganha outro ritmo. O que vemos é um homem sem recursos, longe de casa, mas nunca desestimulado. Ele briga para sobreviver. É um lado do personagem que nunca foi mostrado nos quadrinhos. Sem sua tecnologia, Tony Stark dá um jeito – usa seus punhos, usa seus dons de mecânico, dá uma de James Bond. Isso é legal e divertido. E tem uma boa sequência com um garoto, uma espécie de sidekick.

Mas é também no segundo ato que a coisa desanda. Não vou entregar aqui a maior das trolladas do filme – e olha que eu gostei e ri muito, mas muito mesmo. Sei que muitos fãs dos quadrinhos do Homem de Ferro estão nesse momento amaldiçoando o diretor Shane Black (que também escreveu o roteiro) até a eternidade.

homemdeferro3_11E então entra em cena Aldrich Killian – personagem que nos quadrinhos só aparece em três páginas e que se revela um dos principais vilões do filme. Suas motivações são confusas e rasas. Apesar da boa atuação do Guy Pearce, o personagem não conseguiu me convencer da validade de sua vingança. Ficou parecendo coisa de menino birrento.

A tecnologia Extremis também é melhor representada nos quadrinhos – na série, apenas UM homem com o poder do vírus deixa o Homem de Ferro à beira da morte. No filme são dezenas que, de uma hora para a outra, são derrotados assim-assim.

No terceiro ato, a coisa corre muito, mas muito rápida. Até a tão alardeada batalha das trocentas armaduras contra os trocentos soldados Extremis não conseguiu me empolgar. Ficou muito deus ex-machina. Ficou chato. E foi feita só prá vender trocentos bonequinhos, vai vendo…

E o final deixa um cenário totalmente em aberto para os próximos filmes da fase dois – até porque a cena pós-créditos não acrescenta nada, não indica qual caminho, não interliga com nada. Afinal de contas, apesar de repetir mais de uma vez “Eu sou o Homem de Ferro”, Tony Stark… ainda é o Homem de Ferro? E a tecnologia Extremis, aonde foi parar? Pepper Pots vai ficar bem?

Joss Whedon deve ter ficado chateado.

Ah, mas, afinal de contas, o filme é ruim? Não tem nada que se salve?

Tem. As atuações estão excelentes. O primeiro ato e a metade do segundo são muito bons. Os diálogos, como de praxe, também. A temática do terrorismo e a crítica à atuação dos Estados Unidos na geopolítica mundial está muito bem colocada. Os efeitos especiais (claro) são ótimos.

E se ele não é ruim, é por causa das qualidades citadas acima.

Porém, a Marvel traiu o movimento, véio!! E justamente com o personagem que deu o pontapé inicial do seu universo cinematográfico interligado lá em 2008! Podia ter feito um filme épico, mas fez um feijão-com-arroz básico. Uma pena. Eu dou nota 6,5.

Homem de Ferro 3 é o filme mais fraco da trilogia do Cabeça de Lata. Tenho até medo de assistir de novo e colocá-lo uma posição abaixo de Thor.

Sentiram o drama?

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Bruno Alves

Bruno Alves é professor, rabisca de vez em quando uns desenhos por aí e tem sempre uma música tocando em off na cabeça, mesmo quando não está usando headphones. E sim, ele gosta dos Titãs.

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