Se alguém achou que Vingadores: Era de Ultron foi um filme muito pesado pela quantidade de informação ou pela (desnecessária) responsabilidade hollywoodiana te ter que superar o seu já grandioso antecessor, então Homem-Formiga será um tremendo respiro.

Homem-Formiga

Sem querer fazer trocadilho, a nova empreitada da Marvel Studios é um de seus menores filmes em escala e senso de importância para eventos futuros do MCU. Introduz Scott Lang, um ladrão bondoso que quer mudar seu estilo de vida para ter acesso a sua filhinha, Cassie. A oportunidade que lhe é dada para que isso se torne realidade vem de Hank Pynn e, claro, se trata da realização de um grande roubo.

Homem-FormigaCom isso, a Marvel se aproveita de uma de suas características mais interessantes, que é a apropriação de um gênero ou tipo de filme para usar suas recorrências narrativas como o guia do roteiro. Homem Formiga, no caso, é um filme de assalto em sua forma mais simplificada: tem o protagonista ladrão, seus parceiros que ficam na van, um roubo definitivo que deverá mudar a vida de todos e um vilão que vale a pena torcer para ter suas posses tomadas. Misturado a isso, estão os elementos Marvel: uma dose grande de humor e leveza e conexões com o universo compartilhado que deixarão os fãs muito felizes.

Com estas características, o diretor Peyton Reed tinha nas mãos a faca e o queijo para criar um blockbuster eficiente e divertido. E ele o faz até certo ponto. O problema é que tudo é simplista demais. Não há novidade outra no uso da fórmula de filme de assalto se não ver um super herói inserido dentro dela.

Homem-FormigaO filme também sofre de falta de carga dramática. Por mais despretensioso que seja, é a emoção que faz com que nos importemos com os personagens, mas Reed não consegue extrair muita coisa ou quase nada da problemática relação de Hank Pym e sua filha Hope e de Pym e seus discípulo Darren Cross (mais um vilão muito ruim para a longa lista de vilões ruins da Marvel). As tentativas de momentos dramáticos envolvendo estes personagens soam, na maior parte do tempo, falsas e entediantes. Para não dizer que tudo está perdido neste sentido, salva-se Scott, que graças ao carisma de Paul Rudd, consegue fazer com a relação com sua adorável filha Cassie soe verdadeira. Mas, voltando aos problemas, Peyton Reed, ainda por cima, não engata um bom timing cômico tornando a maioria das piadas do filme apenas bobas e sem graça.

Apesar de tudo, o diretor não desperdiça completamente o potencial visual que o poder do poder de encolhimento do personagem título. Usando efeitos que emulam fotografia macro, ver o mini super herói encarar uma dança numa festa como uma grande pista de obstáculos é divertido e bonito de ver. Os efeitos visuais funcionam bem na maior parte do tempo e se o CGI é óbvio nos momentos em que ele encolhe, ao menos serve para criar uma diferenciação narrativa entre o mundo em sua escala natural e a aumentada. Também é bacana o contraste que a montagem, design de som e música fazem ao cortar do que é épico e perigoso na escala maior para o que parece inofensivo na escala normal, um recuso tão legal que achei até que poderia ter sido usado algumas vezes mais.

Homem-Formiga

Homem Formiga é um “alívio” da enorme quantidade de acontecimentos que vem se acumulando ao longos dos anos diante da proposta da Marvel de relacionar todos os seus filmes. É um pena porém, que esse “break” não contenha a energia necessária para conferir o frescor que essa aventura poderia ter. Homem Formiga até que funciona razoavelmente como entretimento momentâneo, mas é daqueles filmes que já começam a evaporar no momento em que se encerram os créditos, um efeito que, em maior ou menor proporção, é gerado em mim pela maioria das produções do estúdio.

PS: Tem duas cenas depois que o filme termina. Uma entre e outra depois dos créditos.

3 cafés bem aguados.