Homem-Formiga: não há limites para a Marvel

Cinema

Homem-Formiga: não há limites para a Marvel

Nós criamos um monstro.

E esse monstro se chama Marvel Studios.

Assistindo ao Universo Marvel

Assistindo ao Universo Marvel

Depois de hipnotizar plateias pelo mundo afora com seu primeiro longa-metragem (Homem de Ferro, 2008) e de praticamente estabelecer um parâmetro para os filmes de grupos super-heroísticos (Os Vingadores, 2012), a Marvel dominou o universo e decretou: “a partir de agora, o limite é não ter limites!”.

E nós, leitores de quadrinhos e todas as demais pessoas normais do planeta, abduzidos, respondemos em uníssono: “sim, mestre” – e entupimos seus cofres com nosso dinheiro.

Por mais que um produto cinematográfico saído da Marvel tenha sido execrado pelos leitores de quadrinhos (estou falando de você, Homem de Ferro 3), nosso dinheiro continuou jorrando para seus cofres. Mesmo com altos e baixos, a Marvel conseguiu transpor para o cinema aquela ansiedade comum a todo fã de quadrinhos, que ficava esperando o mês seguinte para poder continuar lendo aquela aventura do seu personagem preferido.

O primeiro exemplo da aplicação do lema “no limits” foi Guardiões da Galáxia. Todo mundo esperava uma bomba (afinal, quem conhecia esses manés?) e o resto é história.

O segundo sinal desse lema foi Homem-Formiga.

Ele

Ele

Quem lê quadrinhos regularmente sabe que de ridículo o herói não tem nada e que ele é membro-fundador dos Vingadores. Mas como transpor isso para o cinema? Para piorar, em março de 2014, antes do início das filmagens, o filme perdeu o diretor Edgar Wright, que vinha desenvolvendo o projeto desde 2008! O alerta de “vai dar merda” começou a piscar.

Um ano e cinco meses depois de trocar de diretor e de direcionamento, o filme estreou. E o que podemos dizer é: não há limites para a Marvel.

Homem-Formiga (direção de Peyton Reed, 2015, 117 minutos) é o filme que encerra a Fase Dois do Marvel Cinematic Universe (MCU) e faz isso com dignidade. Não é uma aventura grandiosa como os filmes dos Vingadores e está longe da dramaticidade de um Capitão América – O Soldado Invernal (para mim, o melhor filme da Fase 2 da Marvel). É um filme de origem, divertido, com uma trama simples (diria até que é clichêzão) e personagens carismáticos. Precisa de mais alguma coisa para um filme ser interessante?

O cientista Hank Pym (o sempre ótimo Michael Douglas) tem um problema: seu antigo discípulo, Darren Cross (Corey Stoll), roubou sua maior invenção, a partícula Pym, que permite miniaturizar objetos e pessoas, e pretende usá-la como uma arma de guerra, vendendo-a para os militares. Precisando de ajuda, ele contrata, secretamente, o ladrão Scott Lang (Paul Rudd) para recuperar sua fórmula das mãos de Cross.

Lang é um ladrão, recém-saído da prisão, que promete não se envolver mais em problemas e provar para sua filha, Cassie, que é uma pessoa do bem. Quando a vida correta não dá certo, ele termina aceitando uma missão sem saber que está sendo testado.

Nos quadrinhos, Hank Pym foi membro fundador dos Vingadores (e criou o Ultron). No filme, ficamos sabendo que Pym agiu como Homem-Formiga, junto a Vespa (sua esposa Janet Van Dyne), lá nos anos 1980, em missões secretas para a SHIELD. Numa cena que liga o filme ao Universo Marvel, vemos um Michael Douglas rejuvenescido discutindo com Peggy Carter (Hayley Atwell) e Howard Stark (John Slattery) justamente sobre o uso de suas criações para a guerra.

Scott Lang começa, então, a ser treinado por Pym e por sua filha, Hope Van Dyne (Evangeline Lily), para realizar o roubo no laboratório de Darren Cross. É a partir daí que a história vira um filme de assalto, com Lang e sua equipe (que tem o excelente Michael Peña como o hilário Luiz, alívio cômico do filme) tentando entrar no laboratório de Cross.

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Paul Rudd surpreende como o protagonista, causando uma empatia assim que surge em cena. Eu não estava ligando o nome a pessoa e só no cinema vim descobrir que ele era o namorado de Phoebe em Friends (sim, eu vi Friends).

O filme tem ligações com o resto do MCU, principalmente com os Vingadores – inclusive, tem a participação de um deles numa sequência excelente; e em uma das cenas pós-créditos, essa ligação é fortalecida, dando deixa para o início da Fase 3 em 2016.

Como de praxe, o filme termina com a frase “Ant-Man Will Return”. Alguém duvida que teremos um Homem-Formiga 2?

Por fim, vai ficar a eterna dúvida de como seria o filme se ele tivesse sido dirigido pelo Edgar Wright. Há algumas passagens que lembram muito o estilo do diretor (e ele foi creditado como roteirista), mas não é o suficiente para imaginar como seria esse filme.

E com essa produção mais contida, desacelerada, a Marvel mostra que domina e entende perfeitamente a arte de transpor quadrinhos para o cinema.

Eu, sinceramente, espero que a DC também consiga fazer isso. Quem sai ganhando, no final, somos nós.

NOTA: Quatro xícaras de Café Mocha

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Bruno Alves

Bruno Alves é professor, rabisca de vez em quando uns desenhos por aí e tem sempre uma música tocando em off na cabeça, mesmo quando não está usando headphones. E sim, ele gosta dos Titãs.

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