Kick-Ass 2 | Crítica

Cinema

Kick-Ass 2 | Crítica

Quando foi publicada em 2008, a minisérie em quadrinhos Kick-Ass (pelo selo Icon, da Marvel Comics) explodiu cabeças! A história escrita por Mark Millar e desenhada por John Romita Jr. mostrava, de modo iconoclasta e sem papas na língua, o que acontecia quando um adolescente comum decidia usar um uniforme colorido e sair pelas ruas combatendo o crime, no melhor estilo super-herói de quadrinhos – só que com a crueza da realidade.

O gigantesco sucesso levou a hq ao cinema. E como não poderia deixar de ser, Kick-Ass (2010), dirigido por Matthew Vaughn, também explodiu cabeças com a liberdade que teve em não aliviar toda a violência e cinismo da história original.

Três anos depois, Dave Lizewski está de volta às telas do cinema com seu uniforme verde em Kick-Ass 2, dirigido por Jeff Wadlow, que também escreveu o roteiro.

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A história se passa dois anos depois dos acontecimentos do primeiro filme. Dave Lizewski (Aaron Taylor-Johnson) ainda tenta levar a vida de super-herói das ruas e é treinado por Mindy Mcready (Chloë Grace Moretz). Apesar de ansiar voltar às atividades como Hit-Girl, Mindy é vigiada de perto pelo seu pai adotivo, o detetive Marcus Williams, que tenta dar a ela uma vida normal.

O que os heróis não contavam era com a sede de vingança de Chris D’Amico (Christopher Mintz-Plasse), cujo pai (o chefão do crime Frank D’Amico) foi assassinado pelo Kick-Ass. Trancado em casa pela sua mãe para não se meter em encrencas, Chris consegue controlar sua própria vida depois de um infeliz incidente. A partir daí, usa todos os seus recursos financeiros para organizar um time de supervilões para tocar o terror na cidade, com o objetivo de atrair e matar o Kick-Ass.

geek-kick-2Enquanto isso, inspirados pelo Kick-Ass, diversos heróis fantasiados começam a surgir pela cidade. Um deles, o Coronel Estrelas e Listras (Jim Carrey), um ex-mafioso, está arregimentando pessoas para formar uma espécie de Liga da Justiça para combater o mal e ajudar as pessoas necessitadas. Dave termina se associando ao grupo depois que Mindy decide não vestir mais o uniforme de Hit-Girl.

Pronto. Está montado o cenário para o confronto definitivo entre heróis e vilões! E como isso não é uma história em quadrinhos, o resultado será imprevisível.

Kick-Ass 2 adapta a sequência em quadrinhos publicada entre 2010 e 2012. E mantém o estilo, mesmo sem a presença de Matthew Vaughn na direção, que voltou apenas como produtor (junto com Brad Pitt). Ou seja, é um filme insanamente divertido, que não cedeu às tentações de ser uma obra mais acessível (em termos de censura etária) e continua repleto de violência e palavrões, para alegria dos nerds de plantão.

A maior parte do elenco retornou (com excessão de Evan Peters, que deixou o papel de Todd para ser o Mercúrio em X-Men: Dias de Um Futuro Esquecido) e foi acrescido de um excelente Jim Carrey, contido em suas caretas e exageros – afinal, o papel do Coronel Estrelas e Listras exigia uma seriedade do ator. Apesar do pouco tempo em tela, Carrey faz bonito. Pena que depois ele tenha renegado o papel e até se recusado a divulgar o filme por conta da “violência exarcebada” do mesmo.

Assim como o primeiro, Kick-Ass 2 desvia um pouco da obra original, que é muito mais sanguinolenta e pesada, principalmente nas ações doentias do vilão The Motherfucker, nova identidade do Chris D’Amico, mas continua muito fiel ao que foi escrito por Mark Millar. Uma das cenas mais controversas e polêmicas do quadrinho foi descartada do filme, embora Millar tivesse dito que ela iria ser mostrada.

Só acho que, por restrições de orçamento, a gigantesca e épica batalha entre heróis, vilões e policiais que no quadrinho acontece no Times Square foi transferida para um local fechado, perdendo muito em dramaticidade e selvageria.

Kick-Ass 2

 

Mais uma vez, quem rouba a cena é Chloë Grace Moretz e sua Hit-Girl, que continua eficientemente mortal, embora para mim ela tenha perdido um pouco do impacto por ter crescido. Gosto mais da personagem nos quadrinhos, onde ela ainda é uma garotinha de 11 anos – ok, é inverossímel, mas aí é que está a graça da personagem. Uma das melhores sequências é a feroz luta entre ela e a gigantesca Mother Russia!

Aliás, falando nessa vilã: PQP, que mulher grande da gota!!!!! Interpretada pela fisiculturista russa Olga Kurkulina, ela impõe medo desde o primeiro momento que surge em cena.

Embora não seja superior ao primeiro, a ação desenfreada, os personagens interessantes (como o Doutor Gravidade, o Coronel de Jim Carrey, os pais do Tommy e #MotherRussiaMito), as brincadeiras com a linguagem dos quadrinhos, o humor insano e uma despretensão deliciosa fazem de Kick-Ass 2 um filme obrigatório para quem quer se divertir muito vivendo altas confusões com uma turma da pesada que veste roupas extravagantes e usa nomes ridículos!

JUSTICE FOREVER!!!

Quentin Tarantino tinha razão!!! Nota 8,5!

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Bruno Alves

Bruno Alves é professor, rabisca de vez em quando uns desenhos por aí e tem sempre uma música tocando em off na cabeça, mesmo quando não está usando headphones. E sim, ele gosta dos Titãs.

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