Liga da Justiça: a esperança está de volta ao Universo DC

Cinema

Liga da Justiça: a esperança está de volta ao Universo DC

Liga da Justiça: a esperança está de volta ao Universo DC

O filme que todo fã da Liga da Justiça aguardava ansiosamente chegou – e não decepciona!

Vou começar esse texto falando de um fato que nem todo mundo conhece: o universo Marvel só existe por causa da Liga da Justiça.

Lá no início dos anos 1960 o editor da Marvel Martin Goodman chamou o roteirista Stan Lee e lhe incumbiu de uma tarefa: criar um grupo de super-heróis para a sua editora – afinal de contas, a divina concorrência estava fazendo dinheiro com a Liga da Justiça, um supergrupo formado pelos seus principais heróis.

Stan Lee botou os neurônios pra trabalhar e criou o Quarteto Fantástico. O resto é História.

Lembrei dessa história só para ressaltar a importância da DC Comics para os quadrinhos. Foi ela que lançou o primeiro super-herói, nosso octagenário Superman; foi ela que publicou o primeiro supergrupo, a Sociedade da Justiça, que posteriormente serviu de inspiração para a Liga; foi a DC/Warner que nos presenteou com o primeiro grande filme do gênero, o clássico Superman – The Movie, de 1978.

Com a reinvenção dos super-heróis nos cinemas a partir dos anos 2000 (com X-Men, de Bryan Singer) todos ficaram se perguntando quando chegaria a vez da Liga da Justiça. Tivemos a trilogia do Batman de Nolan, mas ainda era pouco. Afinal, a Marvel mostrou com o épico Os Vingadores que era possível fazer um bom filme de superequipe.

Metendo os pés pelas mãos, a Warner nos deu o ok Homem de Aço e deslizou ribanceira abaixo com os terríveis BvS e Esquadrão Suicida. Mulher-Maravilha reacendeu nossas esperanças, mas confesso que fiquei com um pé atrás em relação à Liga da Justiça. Afinal, será que a Warner e Zack Snyder tinham aprendido com seus erros?

“Esse S significa Esperança!”

Pois bem, decenautas desse meu Brasil varonil, podem ficar tranquilos: eles aprenderam!

Liga da Justiça (2017, Zack Snyder, 120 minutos) é O filme que todos esperavam da maior equipe de super-heróis dos quadrinhos (desculpa aí Vingadores, amo vocês, mas é a Liga…)!

A melhor maneira de descrever o longa é dizer que o mesmo parece um episódio da excelente animação Liga da Justiça Sem Limites, uma das melhores traduções dos quadrinhos da DC para outra mídia.

Após a morte do Superman, o mundo mergulhou numa onda de medo e desesperança. Bruce Wayne (Ben Affleck) e Diana Prince (Gal Gadot) tentam, cada um a seu modo, contribuir para manter a paz e renovar a fé das pessoas. No entanto, algo sombrio despertou e está se aproximando da Terra. A primeira parada desse formidável inimigo é em Themyscira, a ilha das amazonas, que guardam um antigo e poderoso artefato, conhecido como Caixa Materna.

Quando chega à ilha, o Lobo da Estepe (Ciáran Hinds)e seus parademônios travam uma feroz batalha com a rainha Hipólita (Connie Nielsen) e suas guerreiras. Porém, mesmo com toda a resistência das amazonas, o vilão consegue recuperar o artefato e parte em busca dos outros dois, com o objetivo de transformar a Terra em um ambiente favorável para a chegada do senhor da escuridão, Darkseid. Afinal, o planeta está desprotegido: não há mais kryptoniano, não há Lanternas, as tribos que no passado rechaçaram juntas a invasão não estão mais juntas.

Ao saber do acontecido em sua terra natal, Diana procura Bruce para dizer que está na hora de convocar os outros. Bruce parte para contatar Barry  Allen (Ezra Miller), o homem mais rápido do mundo, e Arthur Curry (Jason Momoa), também conhecido como Aquaman, o rei deposto de Atlântida. E Diana tenta convencer Victor Stone (Ray Fisher), um ex-atleta de futebol americano transformado em um ciborgue por conta de um terrível acidente, a se reunir à equipe e ajudá-los a salvar a Terra.

Reunidos para defender o planeta de uma ameaça cósmica, esses cinco heróis tem que aprender a conviver com suas diferenças para alcançar seu objetivo – o que não será nada fácil diante do poder do Lobo da Estepe.

E essa é a história do longa: simples, direta, redondinha! Não há aqui a pretensão de ser um filme “adulto, sombrio e complexo” – e talvez os defensores dessa “estética” para as produções da DC fiquem um pouquinho decepcionados -, a única preocupação é a de fazer um bom filme de aventura e ação com cinco personagens icônicos do universo quadrinístico de super-heróis. Não foi isso que a gente sempre pediu?

Veja o trailer de Liga da Justiça

Os novos personagens estão ótimos. Meu receio sobre as participações de Aquaman, Flash e Ciborgue caíram por terra assim que eles surgiram na trama. Ezra Miller está excelente como o rapidinho Flash, cheio de inseguranças e de piadas, o alívio cômico do filme; Ray Fisher também está bem como o amargurado Victor Stone, transformado em um ciborgue por seu pai para que continuasse vivo; e minha maior preocupação, Jason Momoa, nos dá um Aquaman badass como nunca imaginamos – tem uma pitadinha do Aquaman da fase do Peter David, claro!

Ben Affleck nos presenteia com um Homem-Morcego que tenta se redimir das suas ações em BvS, renovando sua fé na humanidade e, nesse processo, tentando ser mais leve. Tranquilizem-se: ele não conta piadas, mas também não fica com aquela cara sisuda o tempo todo. É possível ver que o personagem amadureceu e aprendeu com seus erros. Imagina se fiquei ansioso para o filme solo dele?

O que falar da Gal Gadot? Mais uma vez apresenta uma interpretação segura, elegante e imponente da princesa de Themyscera. Fica cada vez mais claro que ela nasceu para fazer esse papel e que tem uma importância gigante nesse ‘reboot’ estético do universo cinematográfico da DC.

E digo ‘reboot’ porque aquele ar pesado, monocromático, sufocante e escuro praticamente se foi. Tudo está mais leve e iluminado. Ainda tem o olhar “visionário” de Zack Snyder aqui e ali (inclusive sequencias em câmara lenta que chegam a irritar), mas acredito que a chegada de Joss whedon tenha colaborado para essa mudança de tom. Também é perceptível a substancial melhoria nos diálogos e como a interação da equipe é orgânica, com a confiança mútua sendo construída aos poucos, no tempo certo – essas são características marcantes nos filmes de Whedon. Obrigado por mostrar a luz a Warner, Joss!!!

Talvez o único ponto fraco do filme seja o vilão, Lobo da Estepe. Ele está na trama como o motivo que força a união dos heróis – clichê típico. Mas a maior fraqueza é visual,  incomodando a partir do momento em que ele aparece. Como é que um filme que custou 300 milhões de doletas não consegue entregar um CGI decente justamente do único personagem que dependia disso? Em toda cena de batalha com o vilão eu me sentia assistindo um game player no youtube. Tirando isso, o cara dá trabalho ao grupo. Imagina quando Darkseid chegar…

Mas o grande momento do filme é o aguardado retorno do Superman (ah, vai dizer que não sabia dessa?). Embora apressada, a volta do herói serve como um recado da DC: “a partir de agora, vocês terão o personagem que sempre pediram!”

E é justamente esse o papel de Kal-El na trama: reacender a esperança. Henry Cavill volta sorridente, simpático e mostrando todo o poder do Superman em cenas memoráveis. É uma mudança drástica de comportamento depois de dois filmes onde o Homem de Aço vivia se lamentando, todo depressivo.

Mas vou me repetir aqui: não foi isso que nós sempre pedimos?

Liga da Justiça tem uma tonelada de referências, algumas colocadas na trilha sonora fantástica de Danny Elfman, outras em sequencias que arrancaram gritos da plateia – e digo que se você é decenauta de carteirinha vai se arrepiar em vários momentos.

Ação na medida certa, história ok, boas atuações, alívios cômicos bem dosados e nos momentos certos (estou olhando para você, Marvel!), essência dos heróis respeitada, bons diálogos e uma excelente dinâmica entre os personagens fazem de Liga da Justiça um dos melhores filmes de super-heróis do ano! Não é uma obra-prima do gênero nem reinventa a roda. Seu maior mérito é apontar os novos caminhos da DC nos cinemas.

Já quero a sequência para 2018, acelera aí, Warner!!!

Espero, sinceramente, que agrade a público e crítica e que seja a consolidação da mudança iniciada com Mulher-Maravilha para o Universo Cinematográfico da DC.

Aviso: o filme tem duas cenas pós-créditos, sendo uma láááá no finalzinho mesmo. A primeira é um divertido fanservice. A segunda é empolgante! Espere, ok? Vale muito a pena.

NOTA:

Quatro canecas de café expresso

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Bruno Alves

Bruno Alves é professor, rabisca de vez em quando uns desenhos por aí e tem sempre uma música tocando em off na cabeça, mesmo quando não está usando headphones. E sim, ele gosta dos Titãs.

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