Logan | Crítica

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Logan | Crítica

Quando foi escolhido para interpretar de Logan, o carcaju sanguinolento nos cinemas, Hugh Jackman foi alvo de toneladas de desconfianças, principalmente por parte daqueles fãs mais radicais que clamavam por um ator baixinho, atarracado e com cara de mau – o australiano tem 1,88m contra os 1,60m do Wolverine dos quadrinhos (O Wolvie é mais baixo do que eu!!!).

Desconhecido em Hollywood e com pinta de galã, Jackman vinha de uma carreira na TV e no teatro da Austrália. Mas assim que apareceu na tela ele conquistou o respeito de todos pela intensidade com a qual interpretou o personagem. Wolverine alavancou a carreira de Jackman, X-Men (1999) redefiniu a maneira de representar os super-heróis no cinema e o resto é história.

Wolverine e seus fiascos solo

Eternamente grato pelo personagem que mudou a sua vida, Jackman sempre demonstrou carinho com o carcaju. Com presença garantida em todos os filmes da franquia X, Wolverine decepcionou justamente no seu primeiro filme solo. Com a recepção negativa, Jackman se comprometeu a fazer um filme mais digno para o mutante.

Wolverine Imortal (2013) nos mostrou que Jackman estava no caminho certo. Considero um filme bom, que peca apenas no terceiro ato. Mas ainda não era o Wolverine que todos esperavam. Depois de quatro anos, esse Wolverine chegou.

Logan

Logan (2017, 141 minutos) é o canto de cisne do personagem e o último filme de Hugh Jackman no papel do carcaju. Repetindo a parceria com o diretor James Mangold, a Fox se valeu do sucesso do azarão Deadpool e tascou uma censura R – ou seja, menores de 18 anos não podem ver o filme nos EUA – e isso deu mais liberdade para inserir uma temática mais densa e muita violência gráfica!

E assim, pela primeira vez, podemos ver os efeitos que três garras de metal indestrutível causam em carne e ossos!

Logan snikt

A história se passa no ano de 2029. Nesse futuro tão próximo, os mutantes estão praticamente extintos. Não há registros de nascimentos do homo superior nos últimos anos. O paradeiro dos X-Men é incerto. Na fronteira do México com os EUA encontramos Logan, que trabalha como motorista de uma limusine de aluguel. O velho carcaju em nada lembra o mutante de antigamente. Com seus poderes de cura falhando e alcoólatra, ele sente o peso da idade e da vida intensa e violenta que levou.

Assombrado por seus fantasmas, Logan ainda tem que cuidar do professor Charles Xavier (Patrick Stewart, fenomenal!!!). Considerado um dos mutantes mais poderosos (e perigosos) do planeta, o velho mentor dos X-Men sofre de Alzheimer e não tem controle sobre seus poderes. Condenado a viver a base de remédios, Xavier vive no México onde é cuidado por Logan e Caliban (Stephen Mercant). Com o dinheiro do seu trabalho, Wolverine pretende comprar um barco e fugir para o alto-mar – para segurança de todos.

Porem, a aparente tranquilidade do trio é abalada quando uma mulher surge do nada e pede proteção a Logan. Ela quer que ele leve uma menina de 12 anos, Laura, para um local chamado Eden, no qual todos os mutantes podem viver a salvo.

Na melhor tradição da jornada do herói Logan recusa a missão, mas logo em seguida é forçado a enfrentar um grupo conhecido como Carniceiros quando Laura é colocada sob sua guarda. Liderados por Donald Pierce (Boyd Holbrook), o grupo é formado por soldados aprimorados, verdadeiros cyborgs. Enquanto o carcaju vê a menina – que parece muito com ele – como um empecilho para o seu verdadeiro objetivo, Xavier a vê como uma esperança. A partir daí, Xavier, Logan e Laura empreendem uma fuga em direção ao Eden que poderá definir o futuro da raça mutante.

SNIKT!!!

Porem, não é o realismo gráfico da violência que define o filme. Embora as cenas de ação e luta sejam espetaculares e nelas possamos ver, pela primeira vez, toda a fúria do Wolverine, Logan tem muito mais a nos oferecer.

Primeiro, Jackman nos dá um presente com sua interpretação do velho e amargurado Logan, o que comprova a sua entrega ao personagem. Cada cicatriz em seu corpo conta uma história; sua barba por fazer, sua aparência suja e seu caminhar trôpego nos coloca diante de um homem que chegou ao fim de todos os seus limites. Ferido física e psicologicamente, ele tenta se afastar de problemas e de guerras às quais não dá mais importância. Ele nos passa uma sensação de desesperança total.

Professor X impecável!

Patrick Stewart interpreta um Charles Xavier nonagenário, que alterna momentos de lucidez com de total demência cognitiva. Agora, imagine isso em um homem que pode matar apenas com o poder da mente. Para quem acompanha a trajetória do personagem no cinema, é de cortar o coração a sua condição frágil e dependente. Nem preciso dizer que Stewart é o melhor ator do filme, né? Meus olhos marejaram em muitos momentos de sua brilhante interpretação.

X-23

A pequena e estreante Dafne Keen é um achado. Sua interpretação de Laura Kinney, uma jovem mutante criada para ser uma arma e que é colocada sob a guarda de Wolverine, é impactante. A personagem passa mais da metade do filme sem dizer uma palavra, atuando apenas com o olhar. Criada em laboratório junto com outras crianças, Laura praticamente não conhece o mundo e tudo é uma surpresa para ela – desde as luzes da cidade à maneira de se comportar à mesa.

Além dessas três forças interpretativas, o roteiro de James Mangold, Scott Frank e Michael Green desenvolvido a partir de uma história do primeiro, é muito bem amarrado e consistente. O filme é um misto de gêneros: temos, claro, a pegada super-herói, em menor escala; depois ele vira um Road movie; e, por fim, referencia o velho western, principalmente pela citação direta de um dos clássicos do gênero: Os Brutos Também Amam.

Alternando momentos de ação desenfreada com outros mais contemplativos, a melhor coisa do filme é a relação afetiva construída entre Laura, Logan e Xavier. Num dos momentos mais tocantes, eles agem como se fossem uma família de verdade: avô, pai e filha. Impossível não se emocionar.

No decorrer da trama, vamos descobrindo o que aconteceu aos X-Men. Quais os segredos do laboratório onde Laura foi criada e a quem Donald Pierce e seus Carniceiros respondem.

Logan tem tudo para figurar entre os melhores filmes do gênero, mas não escapa de alguns problemas. Falar deles aqui iria acabar com as surpresas. Alguns são recorrentes em filmes do gênero e revelam um vicio difícil de ser extirpado. Mas há uma decisão na trama que poderia muito bem ter sido deixada de lado. Embora isso não comprometa o resultado final, chegou a me incomodar – ou, talvez, seja preciosismo da minha parte.

Conclusão

Por fim, Logan é um excelente filme de um personagem querido por todos. Finalmente, o personagem teve uma representação digna em sua transposição midiática. Hugh Jackman cumpriu a promessa e deixou o personagem com dignidade. Impossível não se emocionar ao lembrar-se da trajetória cinematográfica do carcaju nos momentos finais do longa.

Porém, ele possui uma mensagem básica: a de que todos nós envelhecemos e de que tudo tem um fim; mesmo que você não queira.

Logan decreta o fim da carreira de Jackman como Wolverine e marca também a despedida do dublador brasileiro Isaac Bardavid. Isaac deu voz e vida ao personagem antes mesmo que o ator australiano vestisse o uniforme.

Obrigado Mr. Jackman! Obrigado, Mr. Bardavid!!!!

Que venha um novo Wolverine!

Obs.: E afinal, o filme tem cena pós-créditos ou não? O diretor James Mangold afirmou que ela não existe após. Bem, se ela existe ou não teremos que aguardar a estreia oficial. Já que nas sessões para a imprensa não houve nada extra após os créditos.

NOTA:

5 canecas de Irish Coffee!!!!

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Bruno Alves

Bruno Alves é professor, rabisca de vez em quando uns desenhos por aí e tem sempre uma música tocando em off na cabeça, mesmo quando não está usando headphones. E sim, ele gosta dos Titãs.

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