Missão Impossível – Nação Secreta – Crítica

Mesmo sendo o menos particular da série, Missão Impossível – Nação Secreta é diversão garantida.

Cinema

Missão Impossível – Nação Secreta – Crítica

Acompanhar a série Missão Impossível se tornou um exercício interessante. Comandada por diretores diferentes a cada episódio, a franquia virou um objeto de estudo sobre como esses cineastas expressam suas particularidades perante uma série de elementos que se repetem.

O primeiro filme, dirigido por Brian De Palma, era um suspense noir extremamente estiloso com planificação “hitchcockiana” (meu favorito). O segundo, de John Woo, era quase um oposto do primeiro, cheio de ação e maneirismos poéticos (é o filme que menos funciona para mim). O terceiro contou com a direção frenética de J.J. Abrams, cujo calor humano gerou uma aventura mais intimista e colocou Ethan Hank mais perto de uma figura associável. No quarto, Brad Bird incorpora seu já tradicional estilo clássico que remete a filmes pré anos 70 e também um humor mais proeminente, fazendo desta última a aventura mais leve.

Ficou evidente ao longo dos anos que a intenção de Tom Cruise, como produtor da série além de astro principal, era trazer cineastas que, se não são considerados autores no estilo clássico, ao menos chamam atenção por terem uma classe que se sobressai em relação a “diretores de estúdio”.

Fui então com expectativa para ver o que Christopher McQuarrie iria fazer com os habituais “brinquedos” que a franquia oferece: set pieces elaborados, invasões a cofres extremamente bem protegidos, reviravoltas, belas locações, e, claro, Tom Cruise sendo o dublê mais caro da História do Cinema ao fazer ele mesmo cenas perigosíssimas como a já alardeada sequência em que ele se pendura do lado de fora de um avião alçando vôo para este filme.

Tom Cruise sendo o dublê mais caro da História do Cinema ao fazer ele mesmo cenas perigosíssimas como a já alardeada sequência em que ele se pendura do lado de fora de um avião alçando vôo para este filme

Olhando por esta perspectiva talvez esta seja a coisa mais decepcionante nesta nova aventura de Ethan Hank. McQuarrie é muito competente e dirige muito bem sequências com alto grau de complexidade e ações paralelas sem deixar o espectador confuso. Mas fica faltando um tom característico mais forte em sua mão, o que deixa seu trabalho neste filme um tanto quanto ordinário comparado com os demais. Sem esta cereja no bolo, resta um trabalho bem elaborado, mas sem muita substância, desperdiçando um pouco o que se poderia fazer de mais original ou interessante com tudo o que já sabemos que iremos encontrar.

Mas deixando de lado meus desejos cinéfilos, Missão Impossível – Nação Secreta é um baita filme de ação e não duvido que será um dos melhores e mais divertidos que vocês verão este ano. A trama envolve Ethan e sua habitual equipe isolados depois que a IMF fora dissolvida tendo em vista os efeitos colaterais de suas ações. Agindo clandestinamente, Ethan precisa descobrir sobre essa organização secreta e criminosa que dá título ao filme que é controlada por uma ameaça invisível na maior parte do tempo e que está sempre a um passo a frente. Em meio a correria e frustações de não detectar seu inimigo, Ethan (e espectador) ainda precisa lidar com a imprevisibilidade da bela Ilsa Faust, uma agente britânica infiltrada nos polos da ação – e uma das melhores personagens no filme.

Estão de volta Luther (Ving Rhames), Brandt (Jeremy Renner) e Benji (Simon Pegg) indicando que a “família IMF” está praticamente formada. Esse senso de continuidade é reforçado com citações a eventos dos filmes anteriores gerando alguma consequência para o vigente. Mas é um link despretensioso, nada que obrigue o espectador a ter que ver algum dos anteriores para poder acompanhar bem este.

Não dá pra deixar de falar também da empolgante perseguição de motos no Marrocos onde McQuarrie praticamente te coloca dentro da ação ao por a câmera ao lado dos personagens

Sobre as elaboradas cenas de ação, destaca-se a silenciosa perseguição e combate que acontece nos bastidores de uma apresentação de uma ópera na Áustria. Alternando entre cinco pontos de vistas, McQuarrie é hábil em estabelecer cada um deles e construir uma crescente que culmina na conjunção dessas múltiplas ações na mesma medida em que a música da peça chega ao seu auge. Uma sequência muito bem “orquestrada”.

Não dá pra deixar de falar também da empolgante perseguição de motos no Marrocos onde McQuarrie praticamente te coloca dentro da ação ao por a câmera ao lado dos personagens (diferente por exemplo, do que John Woo fez com suas teleobjetivas em M:I II). Esse set piece é precedido por uma outra grande e angustiante sequência envolvendo a clássica invasão a uma área “impossível” de entrar. Não vou dizer mais para não estragar.

Como pontos negativos ficam o vilão Solomon Lane (Sean Harris), que se mostra cada vez menos ameaçador a medida em que se torna mais presente e os momentos em que o filme perde um pouco de ritmo ao rebuscar um tanto além da conta uma trama que existe mais para alocar uma série de sequências deliciosamente mentirosas.

Por fim, apesar de não transparecer um toque mais pessoal ou estiloso quanto os outros diretores da cine-série, Christopher McQuarrie não deixa muito a dever quanto a sua competência para a realização de um filme deste tamanho. Missão Impossível – Nação Secreta é diversão garantida. Vale a pena tentar ver em IMAX ou na maior e melhor sala possível de sua cidade.

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Acaba de se graduar em Cinema. Busca se especializar em direção de fotografia para filme, área em que atua de forma independente. Antes disso porém, estudou Star Wars no ensino médio, graduou-se em Harry Potter e fez pós em O Senhor dos Anéis. Ama: filmes de ficção científica, chocolate, filmes de Spielberg, viajar, passear por paisagens naturais e lugares altos, fotografar animais e celebrar com os amigos.

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