O Espetacular Homem-Aranha 2 – A Ameaça de Electro | CRÍTICA

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O Espetacular Homem-Aranha 2 – A Ameaça de Electro | CRÍTICA

[rightbox]Vou começar essa crítica perguntando: prá que reboot, gente? A trilogia de Sam Raimi estava bem fresquinha e embora o terceiro filme seja uma caca, a Sony poderia simplesmente continuar de onde tudo tinha parado, com uma nova equipe criativa. Simples assim. Mas não. Tinham que reinventar a roda.

O primeiro filme do reboot, O Espetacular Homem-Aranha, teve lá seus méritos (que são melhores vistos com a ajuda de um microscópio). Eu gostei do Andrew Garfield como Peter Parker/Cabeça de Teia. Emma Stone É, definitivamente, a Gwen Stacy. E o herói ficou mais próximo de sua personalidade zoeira dos quadrinhos.[/rightbox]

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[leftbox]Tirando isso, todo o resto foi dispensável. Prá que mudar o jeito como Peter aprende que com grandes poderes vem grandes responsabilidades? Porque a morte de Ben Parker foi tão carente de emoção?

Resumindo: prá que mexer num cânone se não for prá fazer melhor? Mas, claro, o filme fez dinheiro. Muito. E tome sequência. Aliás, serão mais três. E vai ter filme do Venom. E do Sexteto Sinistro (onde o vilão vai ser… o Aranha?).[/leftbox]

ai, ai…. é o verdadeiro samba da aranha doida.

[leftbox]Foi com essa baixa expectativa que fui assistir O Espetacular Homem-Aranha 2: A Ameaça de Electro, que estreou no último dia 1º de Maio. Desde as primeiras imagens e teasers ficou a impressão que a Sony parecia ter aprendido com os erros do filme anterior. O uniforme melhorou (chutou a bunda do uniforme da trilogia anterior). As cenas de ação pareciam ser épicas. E Jamie Foxx como o vilão Electro já valeria o ingresso.

Mas peraí… três vilões? Eu já vi esse filme antes…[/leftbox]

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[leftbox]O filme começa explicando o sumiço dos pais de Peter Parker e qual, afinal, foi o destino deles. Logo depois desse início boring, a coisa começa a ficar boa. Quando o Homem-Aranha surge passeando entre os arranha-céus de Nova Iorque, numa sequência épica, você tem certeza de que aquele é o Homem-Aranha que sempre quis ver nas telas! Peter está mais confiante, mais seguro e se torna um herói adorado pela cidade.

Em suas rondas ele prende assaltantes de banco, ladrões de mercadinhos, terroristas russos (numa participação hilária de Paul Giamatti) e ainda acha tempo para ajudar um garoto nerd que sofre bullying num beco. Ágil, divertido, eficiente. Dá vontade de entrar no filme e gritar prá ele “GIVE ME FIVE, SPIDEY!”.

Quando Emma Stone surge em cena, a história ganha vida. Sua Gwen Stacy é alegre, inteligente, radiante e carrega o filme nas costas. Sua relação com Peter é apaixonante e os dois passam uma verdade intensa (ajuda muito o fato deles namorarem de verdade). A crise entre eles começa quando Gwen informa que vai concorrer a uma bolsa de estudos em Oxford, Inglaterra e que se for aprovada, vai embora.[/leftbox]

906429 - The Amazing Spider-Man 2

[leftbox]Numa de suas aventuras, o Aranha termina salvando a vida de Max Dillon, um engenheiro eletrônico com sérios problemas de relacionamento social. Ao escutar que é importante e que é “os olhos e ouvidos” do Homem-Aranha na cidade, Max encontra um ídolo – a partir daí, o Cabeça de Teia se torna sua obsessão. Dillon trabalha na Oscorp, a empresa evil que é responsável por tudo de ruim nesse universo.

O dono da empresa, Norman Osborn, está morrendo de uma doença rara. Seu filho, Harry Osborn, chega da Europa a tempo de ver os últimos momentos do seu pai e descobre que herdou a doença – e que tem pouco tempo de vida. Então, num acidente, Dillon cai num tanque cheio de enguias elétricas geneticamente modificadas. Quando desperta, ele descobre que sofreu uma mutação. Agora, ele é um ser feito de energia elétrica. Emocionalmente abalado, Dillon sai pela cidade sem saber o que fazer.

Ao chegar no Times Square, torna-se o centro das atenções – mas logo em seguida todos o esquecem, pois o Homem-Aranha, ídolo da cidade, chega no local. Pronto. Dillon fica revoltado com o que aconteceu e, a partir daí, passa a ver o herói como seu inimigo. O visual do vilão Electro é bem legal e foi desenvolvido a partir de sua versão no universo Ultimate – embora em alguns momentos ele fique muito parecido com um tal de Dr. Manhattan. Jamie Foxx se garante.[/leftbox]

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Pronto. Acabaram as coisas legais do filme.

[leftbox]Contraditoriamente, o Espetacular Homem-Aranha 2 é um filme empolgante no quesito ação e efeitos especiais; no entanto, ele não empolga nem um pouquinho quando o assunto é roteiro. Por exemplo, a motivação de Electro prá virar um cara evil é muito frágil. Harry Osborn cai de paraquedas no filme e apesar do Dane DeHaan se mostrar um bom ator, o personagem é apresentado muito superficial e apressadamente, o que termina causando uma distância entre ele e o espectador. O vilão que aparece no título do filme também é mal aproveitado – eu não consegui sentir, em nenhum momento, que ele era uma ameaça.

O-Espetacular-Homem-Aranha-2A história é cheia de furos e coincidências forçadas. E, em alguns momentos, torna-se chata. Eu confesso que dei um cochilo lá pela metade.

A batalha final contra Electro é um espetáculo visual dos mais impactantes. Parabéns pro Marc Webb e prá galera dos efeitos, que mandaram bem. No entanto, tem uma sequência de perigo envolvendo dois aviões que é simplesmente descartável. Quando tudo parece que vai entrar nos eixos, surge Harry Osborn encarnando o Duende Verde (embora esse nome não seja mencionado) e, numa daquelas coincidências forçadas que falei lá em cima, há uma reviravolta na trama. É o momento mais dramático do filme.

Quem conhece as hq’s do Homem-Aranha talvez não tenha ficado surpreso. Eu fui um deles. Porém, a cena não foi emocionante como eu esperava que fosse.

E pensar que esse filme foi escrito por quatro pessoas….

O medo dos três vilões não se confirmou. Webb conseguiu trabalhar cada um em um momento específico e por isso merece os parabéns; até o Rhino ficou decente. Pena que a batalha entre o vilão e o Aranha tenha ficado apenas na intenção. E, como era esperado, a Oscorp é que vai ser a responsável pelo surgimento dos outros vilões clássicos do herói, como Abutre, Octopus e Venom – só não ficou claro com qual objetivo a empresa está desenvolvendo esses experimentos.

Resumo da ópera: a sequência do reboot do Aracnídeo é um filme muito divertido (Homem-Aranha usando chapéu de bombeiro é hilário!) e cheio de ação, com uma boa (e enfadonha) dose de drama no segundo ato e um final que deveria explodir cabeças, mas infelizmente não cumpriu o prometido. E, ao final, fica aquela sensação de que faltou alguma coisa. Entendam. É um filme de super-herói. Nem todo filme de super-herói tem obrigação de ser um Capitão América 2 ou Batman O Cavaleiro das Trevas. Ele pode ser divertido (tipo Os Vingadores) e inteligente.

Diversão não significa rascunhar um roteiro de quinta série e filmá-lo. Concluindo: a primeira frase que escutei assim que as luzes da sala de cinema foram acesas foi: “Que filme ruim da porra!”, dita por um jovem revoltado (deve ser fã de quadrinhos, coitado). Eu acho que ele exagerou. O filme não é ruim, mas também não é nenhum Homem-Aranha 2. Desculpa aê, Marc Webb, mas o Sam Raimi ainda continua chutando sua bunda.[/leftbox]

Nota:

3 canecas de café pingado

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Bruno Alves

Bruno Alves é professor, rabisca de vez em quando uns desenhos por aí e tem sempre uma música tocando em off na cabeça, mesmo quando não está usando headphones. E sim, ele gosta dos Titãs.

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