O Melhor do #Oscars 2016: Leonardo DiCaprio, Glória Pires, Mad Max e Chris Rock

Cinema

O Melhor do #Oscars 2016: Leonardo DiCaprio, Glória Pires, Mad Max e Chris Rock

A noite do último domingo foi noite de entrega dos Oscars 2016, o prêmio mais significativo e conhecido do universo cinematográfico – não à toa, existe a expressão “esse prêmio é o Oscar de tal categoria“, já que o “Oscar” é sinônimo de premiação máxima de alguma coisa.

E, em 2016, a entrega do Oscar ganhou níveis totalmente novos. No pré-evento, tivemos toda a campanha da hashtag #OscarsSoWhite, que promovia o debate em relação ao pouco reconhecimento e poucas oportunidades aos profissionais negros de Hollywood. Em termos cinematográficos, a disputa atraía tanta atenção quanto: de um lado, tivemos o ano mais disputado em décadas em relação ao prêmio de Melhor Filme, enquanto o mundo se reunia para ver se Leonardo DiCaprio finalmente ganharia um Oscar.

Dá pra dizer que a noite não decepcionou quem esperava por “algo para se lembrar”. Não dá é pra dizer se isso é bom ou ruim. Mas vamos por partes…

Surpresas e certezas no Oscars 2016

O Oscar 2016 conseguiu reunir uma boa dose de surpresas e garantir outras certezas entre os seus vencedores nesse ano. De um lado, tivemos Mad Max: Estrada da Fúria (veja nossa crítica de Mad Max) sendo reconhecido pelo seu absurdo (de bom) trabalho técnico, levando pra casa nada menos do que SEIS Oscars de categorias técnicas.

Surpreendentemente, porém, o cara que gerenciou e dirigiu essa equipe técnica vencedora de seis categorias não levou o troféu de Melhor Diretor. George Miller perdeu para Alejandro G. Iñarritú, que venceu o Oscar por O Regresso (confira nossa crítica de O Regresso) e agora é um dos poucos diretores que venceu o prêmio em dois anos seguidos – ele ganhou no ano passado por Birdman (veja nossa crítica de Birdman).

Apesar de Iñarritú ser um cara talentoso, dar o prêmio pra ele é uma maldade com a categoria – especialmente se considerarmos como o diretor coloca em risco todo o trabalho e comprometimento da sua equipe em O Regresso. George Miller merecia mais por efetivamente montar o filme mais deslumbrante do ano, além do fato de que Adam McKay contou a história mais difícil desse ano (A Grande Aposta), enquanto Lenny Abrahamson merecia reconhecimentos pelo seu trabalho de condução dos atores em O Quarto de Jack, sua sensibilidade artística e qualidade técnica naquela história.

Caramba, Ryan Coogler (Creed), Danny Boyle (Steve Jobs), Ridley Scott (Perdido em Marte), Pete Docter e Ronnie Del Carmen (Divertida Mente) mereciam mais o troféu que Iñarritú e nem nomeados foram.

Alejandro Iñárritu ganhou o #Oscars de melhor diretor, peso segundo ano seguido! 😀

Posted by Geek Cafe on Sunday, February 28, 2016

Outra grande surpresa do Oscar 2016 foi a vitória de Spotlight como Melhor Filme, já que os dois grandes favoritos para o troféu eram O Regresso e A Grande Aposta. A vitória do longa que conta a história dos jornalistas que desvendaram o abuso infantil sistematizado promovido por padres da Igreja Católica em Boston foi merecida, mas claramente facilitada pelo sistema de votação do Oscar, que privilegia filmes com mais aceitação à longas que possam causar um alto nível de rejeição – A Grande Aposta pode ter sido visto como diferente demais ou crítico demais, enquanto O Regresso pode ter sido prejudicado pela sua campanha agressiva demais.

O que destaca aos olhos, porém, é o fato desse ano ter sido um dos mais competitivos na categoria Melhor Filme. Os prêmios pré-Oscar, como o Bafta, o PGA ou o DGW foram divididos entre esses três favoritos (A Grande Aposta, O Regresso e Spotlight), enquanto Mad Max: Estrada da Fúria corria por trás nas categorias técnicas. Além de demonstrar que os filmes estavam mais ou menos no mesmo nível (e não víamos uma concorrência tão forte assim há décadas), também podemos notar que esse ano foi um ano com um nível mais baixo no Oscar – filmes esnobados em outros anos como Her, O Lobo de Wall Street e Gravidade (2014) e Boyhood e O Grande Hotel Budapeste (2015) fatalmente sairiam como vencedores se disputassem nesse ano.

Fim de #Oscars com a Maior surpresa da noite! Spotlight ganhou como melhor filme o.O

Posted by Geek Cafe on Sunday, February 28, 2016

 

A primeira vez de grandes nomes – enquanto um gênio continua esperando sua oportunidade

A noite desse domingo ajudou o Oscars 2016 a fazer história. Foi a primeira vez que dois famosos nomes de Hollywood conquistaram o troféu pelo seu trabalho, enquanto um gênio foi esnobado mais uma vez. Além disso, tivemos eventos históricos acontecendo.

Leonardo DiCaprio finalmente venceu um Oscar depois de 5 indicações fracassadas. A Internet foi à loucura com a conquista de Leo, que venceu o Oscar de Melhor Ator pelo seu trabalho em O Regresso, numa performance de tom único, mas repleta de força e comprometimento do ator (que é vegetariano e acabou tendo de comer um fígado de búfalo cru em cena).

Bom dia seus lindos! Kd os memes me sacaneando? Cabou? 😀

Posted by Geek Cafe on Monday, February 29, 2016

Outro grande nome que levou seu primeiro Oscar competitivo foi o músico Ennio Morricone, de 87 anos, que ganhou o Oscar de Melhor Trilha Sonora por Os 8 Odiados, num reconhecimento mais do que merecido ao lendário compositor e numa correção bem-vinda da Academia, que só havia premiado Morricone pela sua carreira em 2007.

Quem também fez história é o diretor de fotografia Emmanuel Lubezki ganhou o prêmio de Melhor Fotografia pela 3ª vez consecutiva.

Já um gênio que ficou sem premiação e terá que tentar novamente é Roger Deakins, diretor de fotografia. Sua indicação nesse ano por Sicario foi a sua 13ª nomeação ao Oscar, sem nunca ter vencido. Ele foi indicado nos últimos 4 anos.

Oscars 2016 – cheio de discursos políticos e algumas pisadas de bola

A cerimônia de entrega dos Oscars 2016 foi recheada de discursos políticos e, infelizmente, algumas pisadas de bola da organização da cerimônia também.

Quem se destacou positivamente foi Leonardo DiCaprio, que falou sobre a necessidade de lutarmos pelo meio ambiente do nosso planeta (você pode saber mais clicando aqui). Além do ator, o comediante Kevin Hart também merece reconhecimento pela sua corajosa intervenção na apresentação da cerimônia para reconhecer seus colegas atores negros que não foram nomeados e também para reconhecer como a apresentação do prêmio estava usando-o para “limpar sua barra” (Chris Rock não parava de fazer piadas com Kevin Hart), mas mesmo assim não o deram um lugar na primeira fila – o comentário de Hart é perfeito ao ilustrar que, apesar da apresentação usar atores negros para “compensar” a falta de nomeação, não deu protagonismo de verdade para nenhum deles (“sentar na primeira fila”).

A apresentação política mais impressionante e de maior destaque, porém, foi a performance musical de Lady Gaga, que cantou a música Till It Happens to You, do documentário The Hunting Ground, sobre abusos sexuais que acontecem em campus universitários norte-americanos. Merecidamente aplaudida de pé, a performance acabou sendo esnobada na hora da premiação, já que o Oscar de Melhor Música foi para a fraquíssima Writing’s on the Wall, de 007 Contra Spectre.

Já as pisadas de bola ficaram por conta da orquestra da apresentação e, claro, pelo host Chris Rock.

A orquesta se destacou negativamente ao ceder pouquíssimo tempo de discurso para os vencedores, interrompendo-os logo com músicas para que eles saíssem do palco. Isso é relativamente normal e tradicional, mas a pisada de bola realmente mais pesada foi quando tocaram Cavalgada das Valquírias enquanto o diretor de um filme sobre o holocausto discursava (László Nemes de O Filho de Saul).

Para quem não sabe, a Cavalgada das Valquírias foi uma música muito utilizada pela Alemanha Nazista e composta por Wagner, compositor assumidamente anti-semita e que serviu de muita inspiração para Adolf Hitler. Não há dúvidas de que faltou tato para a orquestra da Academia nesse momento.

Já Chris Rock serviu como porta-voz de uma resposta da Academia ao boicote promovido por artistas negros ao evento. Além de fazer esquetes “””””””hilárias””””””” envolvendo atores negros e os filmes do Oscar 2016, o comediante não hesitou em diminuir a campanha #OscarsSoWhite, ao mesmo tempo que deslegitimou também a campanha #AskHerMore.

A maneira como o apresentador lidou com a polêmica envolvendo profissionais negros em Hollywood foi perfeitamente sintetizada por Kevin Hart, mesmo que talvez não fosse essa a intenção do ator: muitos atores negros foram “usados” para mostrar como “o Oscar não é racista”, mas sem dar verdadeiro protagonismo pra eles. Porém, vale mencionar que Rock foi certeiro quando mencionou que o verdadeiro problema racial em Hollywood é a falta de OPORTUNIDADES para profissionais negros, que não ganham papéis de qualidade ou são contratados com a mesma frequência que profissionais brancos. Que isso é o foco da campanha #OscarsSoWhite, porém, é algo que passou alheio pelo comediante.

Enquanto os vencedores e os responsáveis pelas performances no palco acertavam o tom político das suas declarações, Chris Rock e a Academia decepcionaram nessa noite.

No Brasil, Glória Pires vira meme

A transmissão do Oscars 2016 no Brasil ganhou seu próprio meme: a atriz Glória Pires, que foi chamada para comentar o evento pela Globo.

Glória Pires mostrou-se despreparada e sucinta, admitindo não ter visto alguns dos filmes vencedores e resumindo seus comentários em palavras como “bacana” ou “interessante”, além das já clássicas “não sou capaz de opinar”.

Nas redes sociais, a galerinha marota não hesitou em tirar sarro da atriz:

https://twitter.com/HtSelGom/status/704177368072626176

PS: Vale a menção pra piada do Urso na platéia:

E aí, você gostou do Oscars 2016? Achou que os vencedores foram merecidos?

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Leandro de Barros

Campeão de Chess-Boxing por W.O. da minha rua, nerd de nascença, babaca por opção. Depois de muito analisar a sociedade moderna, só tenho uma coisa a dizer: með þýðandi? Veik!

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