Operação Big Hero: Marvel + Disney e a futura dominação do mundo do entretenimento

Cinema

Operação Big Hero: Marvel + Disney e a futura dominação do mundo do entretenimento

Era uma questão de tempo. Assim que a Disney anunciou a compra da Marvel, uma das primeiras coisas que pensei foi: “Eita, lá vem animação da Disney com personagens do Universo Marvel!” Seria a união do melhor de dois mundos e as possibilidades, infinitas!

Como todo nerd old school que se preza, imaginei de cara um longa-metragem animado com o Quarteto Futuro (Power Pack, no original), uma mão na roda para unir os dois mundos: super-heróis + crianças. O grupo é formado por quatro (dã!) irmãos (duas meninas e dois meninos) que ganharam superpoderes de um alienígena. Enquanto escondem os poderes dos pais, vivem aventuras divertidas (depois de fazer a lição de casa, claro).

Uma série live-action foi planejada e até um piloto foi produzido (em 1991, com sérias restrições orçamentárias), mas a ideia não vingou. E, ao contrário do que eu pensava, os direitos dos personagens estão com a Marvel – eu achava que não porque o Quarteto Futuro estava inserido no universo particular do Quarteto Fantástico, inclusive o Franklin Richards já fez parte da equipe.

Mas aí a Disney, vasculhando o catálogo da Casa das Ideias em busca de uma nova franquia, achou o gibi da superequipe Big Hero 6, que teve duas minisséries publicadas: uma em 1998, com o nome Solaris & Big Hero 6 e que tinha como personagens mais conhecidos o Samurai de Prata e Solaris, que já fez parte dos X-Men; e outra em 2008, quando a equipe foi reformulada (saíram o Samurai e o Solaris). Nos dois casos, as séries não fizeram sucesso e o grupo caiu no esquecimento. Até a Disney pegar o conceito da hq e recriar tudo.

O resultado é Operação Big Hero (Big Hero 6, 2014, 102 minutos, dirigido por Don Hall e Chris Williams).

Sem muito arrodeio, vou logo dizendo: eles conseguiram.

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Operação Big Hero conta a história de Hiro Hamada, que vive na cidade de San Fransokyo (uma mistura de São Francisco com Tóquio) com seu irmão Tadashi e sua tia Cass. Hiro é um gênio da robótica e um tanto rebelde. Seu irmão é outro gênio científico e trabalha na faculdade.

Em sua rebeldia, Hiro vive frequentando as ilegais lutas de robôs e batendo de frente com o irmão e a tia. Mas o moleque precisava apenas de um incentivo e ao conhecer o local de trabalho do irmão, a equipe que trabalha com ele (Fred, GoGo, Wasabi e Honey Lemon) e o professor Robert Callaghan (seu ídolo) e os projetos desenvolvidos, é seduzido pelo desafio do conhecimento e aceita se matricular na faculdade.

A prova de acesso é a criação de um projeto inovador no campo da ciência. Hiro desenvolve os microrobôs controlados por pensamento e se torna o centro das atenções, despertando a cobiça do empresário Alistair Krei, que oferece uma fortuna pela ideia do garoto, que recusa vende-la.

Quando outra tragédia atinge a vida de Hiro, ele entra em parafuso e abandona a faculdade e o convívio social. É aí que ressurge Baymax, o robô-médico criado pelo seu irmão e que se torna o seu companheiro de aventuras a partir do momento em que ele descobre que a tragédia que o abalou não foi um acidente e sim provocado por um misterioso homem usando uma máscara Kabuki, que de modo desconhecido teve acesso à sua tecnologia de microrobôs.

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Para ajuda-lo a enfrentar o temível vilão, Hiro reúne os antigos amigos do seu irmão e aperfeiçoa os projetos que os mesmos vinham desenvolvendo na faculdade, transformando todos em super-heróis – e Baymax numa espécie de Homem de Ferro cuti-cuti.

A trama é simples e até clichê, mas o filme se segura bem, ficando redondinho dentro dos seus 102 minutos. Tendo como centro das atenções o robô Baymax (já quero uma action figure dele) e sua interação quase paternal com Hiro, o filme ainda se destaca pelo humor e pelos diálogos bem pontuados; porém, os demais personagens ficam um pouco esquecidos na historia, sem muito desenvolvimento de suas personalidades. Mas isso é apenas um detalhe que não compromete o longa – não podemos esquecer que é um filme de origem.

Com certeza esses detalhes serão sanados na sequência, que ainda não foi anunciada mas que é perfeitamente previsível tendo em vista o excelente desempenho de público e crítica que o filme vem recebendo mundo afora.

E sim, tem uma ponta do homem, da lenda, do arroz de festa Stan Lee!!!! Fique até o final dos créditos, claro!

Como a Marvel deixou todo o desenvolvimento do filme a cargo da Disney, não temos a já clássica abertura do estúdio e confesso que senti falta. Além disso, a editora avisou que não vai lançar nenhum quadrinho da nova equipe. Quando as notinhas verdes começarem a empanturrar os cofres da Casa das Idéias eu quero ver se essa decisão vai se sustentar…

Agora, é só esperar a Disney revirar novamente o baú da Marvel e tirar de lá algum personagem/superequipe classe Z do limbo e transformar tudo em mais um sucesso de bilheteria!

Digo logo que se for do Quarteto Futuro eu falei primeiro!!!!!!

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Bruno Alves

Bruno Alves é professor, rabisca de vez em quando uns desenhos por aí e tem sempre uma música tocando em off na cabeça, mesmo quando não está usando headphones. E sim, ele gosta dos Titãs.

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