Os Oito Odiados – Crítica

Cinema

Os Oito Odiados – Crítica

Os oitos odiados do título do filme se abrigam em uma cabana no meio da estrada aguardando o fim de uma tenebrosa nevasca que assola as belas paisagens naturais do Wyoming. A porta da cabana está quebrada, sem a maçaneta e a única maneira de impedir que os ventos cortantes da tempestade invadam o lugar é pregando-a com duas pequenas tábuas. Este mínimo de segurança que mantém a feracidade do lado de fora é o que dá o tom ao novo (oitavo) filme de escrito e dirigido por Quentin Tarantino.

Como a porta, há uma sensação, ao menos em boa parte do filme, de que as coisas estão prestes a explodir. A história, que essencialmente se passa dentro da cabana, trata de como aqueles personagens nenhum pouco confiáveis, que vivenciaram o ódio da Guerra Civil e que irão usar os buracos da nova ordem para cometer seus atos de violência e preconceitos, foram estacionar ali.

A limitação do número de locações faz este filme parecer o mais teatral da carreira de Tarantino – que até já falou que irá transformar este roteiro em peça. Aparentemente ciente disto, Tarantino faz o seu filme mais vocal. Não que os personagens não tenham suas sutilezas, mas eles são mais definidos por seus sotaques e maneiras engraçadas de falar do que por qualquer outra coisa. Tire isto e restarão em essência figuras suspeitas que sempre evocarão o melhor diálogo possível para cada situação.

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O falatório já é esperado e faz parte da diversão, mas eventualmente encontra momentos de pouca inspiração e faz o filme parecer longo além da conta. Um twist que renova o interesse pela trama acaba se perdendo um pouco justamente por ser desnecessariamente demorado. E me surpreende uma certa intervenção em off a uma certa altura em um filme que até então encontrara na troca de diálogos todas as soluções para o seu desenrolar. Talvez meus colegas ou pessoas mais íntimas a obra de Tarantino tenham algo melhor a dizer sobre isto, mas me pareceu apenas que o diretor e roteirista não conseguiu encontrar uma solução melhor para a situação que resolveu descrever.

O fato do filme ter poucas locações e se apoiar nos diálogos não faz dele pouco visual. Tudo graças a tão comentada cinematografia de Robert Richardson, que usou o até então extinto sistema Ultra Panavision 70, que confere ao filme o mais largo formato de tela possível. Este espaço extra oferece opções interessantes de encenação além de nos dar a sensação de que coisas podem surgir no quadro a qualquer momento. Mais do que apenas ser retrô, essa escolha também ajuda a conferir um tom épico ao espaço confinado da cabana além de deixar as composições muito bonitas. Aliás, “boy, oh boy” pense em um filme bonito. A abertura em plano sequência ao som de Ennio Morricone é muito emocionante e evocativa além de criar uma rima visual emblemática com o último plano do filme.

Uma pena que muito da tensão do filme se perca no momento em que a inevitável violência finalmente explode. Os exageros perdem o timing e, às vezes, parecem não encontrar hora de terminar. Foras esses percalços é, pela minha memória, um dos filmes mais interessantes de Tarantino em algum tempo. Provavelmente revisões revelarão mais coisas acerca do painel de personagens que parecem representar também um painel político e social dos Estados Unidos. Sinto que será um filme que crescerá com o tempo e revisitas. De cara, deu para divertir um bocado.

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Acaba de se graduar em Cinema. Busca se especializar em direção de fotografia para filme, área em que atua de forma independente. Antes disso porém, estudou Star Wars no ensino médio, graduou-se em Harry Potter e fez pós em O Senhor dos Anéis. Ama: filmes de ficção científica, chocolate, filmes de Spielberg, viajar, passear por paisagens naturais e lugares altos, fotografar animais e celebrar com os amigos.

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