Com Os Vingadores, a Marvel manda um recado à DC: Perdeu, Playboy!

Cinema

Com Os Vingadores, a Marvel manda um recado à DC: Perdeu, Playboy!

De sua origem até os anos 1920, as histórias em quadrinhos eram basicamente do gênero humor – daí a definição norte-americana “comics”. O surgimento do gênero aventura em 1929 (com a adaptação de Tarzan), chamou a atenção da indústria do cinema e já em 1936 alguns heróis clássicos dos quadrinhos foram ao ar, estrelando seriados semanais de sucesso como Flash Gordon e Dick Tracy.

Em 1938 a DC Comics inventa o super-herói com Superman. Nos anos 40, mais de 400 superseres invadiram as bancas com suas roupas coloridas e aventuras fantásticas. O cinema não podia deixá-los de fora e tome seriado semanal com Capitão América, Batman, Superman, Capitão Marvel e por aí vai.

Como podemos ver o namoro do cinema com aquele povo que usa cueca por cima da calça é bem antigo. Um de seus produtos mais bem resolvido nessa junção de linguagens foi Superman II, um clássico do gênero – a batalha entre Kal-El e os três kryptonianos é tudo aquilo que todo fã queria ver: porrada comendo solta entre personagens com o mesmo nível de poder. Épico!

Depois disso os filmes de super-heróis entraram num limbo e tentativas toscas aqui e acolá só faziam piorar a coisa.

Foi a Marvel que reinventou o cinema de super-heróis com X-Men (2000), partindo da premissa de respeitar o conceito dos personagens; assim como ressuscitou os gênero nos quadrinhos nos anos 60, a editora inaugurou uma nova era de adaptações de supers para a telona.

Os três filmes da franquia mutante foram um sucesso, mas os fãs dos quadrinhos sentiam falta de uma coisa: AÇÃO, DESTRUIÇÃO, SANGUE NOS OLHOS! Normalmente, nos quadrinhos, um embate entre super-heróis e supervilões não deixa pedra sobre pedra no local da briga. O cinema estava nos devendo essa.

Estava…

A Marvel – olha ela aí de novo – levou para o cinema o conceito de universo integrado que inventou nos quadrinhos. A estratégia foi a de apresentar, isoladamente, seus principais super-heróis para o grande público, tendo o cuidado de informar que eles faziam parte de uma coisa maior, interligada. Os filmes do Homem de Ferro, Capitão América, Hulk e Thor foram praticamente episódios gigantes de uma série cinematográfica, como aqueles lá dos anos 40. Tudo foi uma preparação para o que viria a seguir: o filme dos Vingadores.

E, do alto dos meus 40 anos de leitura de quadrinhos (é, sou velho), posso afirmar sem nenhuma dúvida:

A MARVEL É FODA!

OS VINGADORES, O FILME LIKE A BOSS!

Desde que foi anunciado, o filme dos Heróis Mais Poderosos da Terra virou a grande expectativa e o grande pesadelo dos fãs de quadrinhos e nerds de plantão.

Afinal, a preocupação era de que maneira iriam enfiar numa produção quatro dos mais poderosos super-heróis dos quadrinhos + a Viúva Negra e o Gavião Arqueiro, o motherfucker espião Nick Fury, o malvado Loki, Cubo Cósmico, Skrulls e o escambau? Nos quadrinhos cabe até mais gente, mas no cinema… como iriam contar esta história?

Claro que queríamos ação desenfreada, porradas cósmicas entre superseres, prédios caindo e civis sendo esmagados no processo (ah, vai, todo mundo queria isso) mas se fosse só isso não ia valer; porque também queríamos um pouco de CONTEÚDO, já que nos quadrinhos, além da ação, há toda uma trama sendo apresentada, personagens sendo desenvolvidos, conflito, drama e temas como perseverança, amizade e sacrifício. Será que o tempo de um filme daria conta de tudo isso?

O medo maior era porque, tirando os filmes do Homem de Ferro e do Capitão América, o do Hulk só passou na recuperação e o do Thor foi reprovado – e logo o dele, o que mais contribuiria para a história do filme dos Vingadores.

Joss Whedon com Robert Downey Jr, Chris Hemsworth e Chris Evans no set de filmagens

A contratação de Joss Whedon soou como uma esperança. Afinal, o cara criou um dos seriados de maior sucesso da TV, Buffy, além da série Firefly e escreveu uma das melhores fases dos X-Men nos quadrinhos; ganhou um Oscar pelo roteiro de Toy Story e trabalhou no tratamento do roteiro do primeiro X-Men. Assim como Zack Snyder (300, Watchmen), Whedon é um NERD e isso acalmou nossa ansiedade – mais só um pouquinho, afinal estamos falando de Hollywood, a destruidora de sonhos (música dramática aqui).

Indo direto aos finalmentes porque eu já falei demais:

JOSS WHEDON CONSEGUIU! \o/

Os vingadores

Os Vingadores é, disparado, o melhor filme de super-heróis de todos os tempos, com todo respeito ao clássico Superman II, de Richard Donner/Richard Lester, e aos recentes Batman The Dark Knight, de Nolan e a Watchmen, de Snyder.

Joss Whedon conseguiu fazer um filme épico sobre super-heróis defendendo a Terra de uma invasão alienígena. E o grande feito do diretor/roteirista foi encaixar em duas horas e vinte minutos uma história bem amarrada, diálogos bem escritos, ação na medida certa, espaço para TODOS OS PERSONAGENS mostrarem sua importância na trama e um final de fulminar nerds por ataque cardíaco.

E não, Robert Downey Jr. não rouba o filme. Ele é, claro, um dos que tem as melhores piadas do filme, é o cara que junta tudo feito cola, mas o filme é bem dividido entre ele e os demais heróis, incluindo aí Nick Fury, o Agente Coulson e a Maria Hill.

A trama tem fortes ligações com Thor, principalmente pelo poderoso artefato que move a trama e pelo vilão, o trapaceiro Loki, interpretado com toda a maldade pelo excelente Tom Hiddleston. Na primeira edição da revista em quadrinhos dos Vingadores, quase 50 anos atrás, era Loki, o irmão de Thor, quem causava o problema que fez com que todos os Vingadores se reunissem pela primeira vez para derrotá-lo. Na realização do filme, a Marvel permaneceu fiel a esse enredo. Quem não viu Thor vai ficar um pouco perdido, mas nada que comprometa o entendimento da história.

Não há apresentação formal dos personagens, afinal todos já tiveram suas origens contadas. A trama não é confusa, flui naturalmente e mesmo nos momentos mais lentos não perde o interesse. Resumindo: o filme é uma revista em quadrinhos clássica de super-heróis em movimento. Tem de tudo: brigas entre os heróis (um clichê antigo), cenas gigantescas de batalha no centro da cidade, destruição massiva de prédios, diálogos engraçadinhos enquanto o herói estapeia os vilões e por aí vai. Esperto que só, Whedon não esqueceu nenhum elemento clássico de uma HQ de super-heróis. Nada mesmo!

Quem não botava muita fé em dois pesos penas em nível de poder no meio dos supers vai morder a língua: Viúva Negra e Gavião Arqueiro mostram que, no universo Marvel, o maior poder é a determinação e a coragem! PQP!

Hulk e Homem de Ferro

E, finalmente, temos um Hulk decente no cinema! Mark Ruffalo ganhou uns 3 pontos (é, tá bom) comigo com sua interpretação do atormentado Bruce Banner. Quando o gigante verde vem à tona é de fazer fã do verdoso chorar. Sua porradaria com Thor é épica, mas é enfrentando os alienígenas que ele mostra toda sua fúria – com um pouquinho de humor, claro.

Chris Evans se firma como o Capitão América nesse filme. O ator conseguiu fazer um Steve Rogers como ele deve ser: um cara fora do seu tempo, mas com o espírito de liderança e a experiência de quem lutou numa das mais sangrentas guerras do planeta. Sua coragem pode ser conferida no confronto físico com Loki, onde ele está em desvantagem, mas não desiste; e sua liderança quando assume o front na batalha em Nova York (cena épica que retrata a essência de um personagem que lidera pelo exemplo).

Chris Hemsworth melhorou bastante, mas, ainda não disse a que veio com seu Thor. Nota 6.

E a cena entre-os-créditos dá a deixa para a continuação e quase faz o cinema vir a baixo (me segurando prá não contar SPOILER!)!!!!!

Enfim, Os Vingadores é uma experiência inesquecível, tanto para quem é fã dos quadrinhos como para quem conheceu os personagens apenas no cinema, repleto de referências à ícones da cultura geek como Stephen Hawking, O senhor dos anéis, Atari (L) et cetera e com certeza vai ser uma referência para futuras adaptações do gênero. A DC, por exemplo, deve assistir o filme em loop como dever de casa até conseguir ter uma ideia foda para levar a Liga da Justiça aos cinemas. Isso vai demorar, vai vendo…

Minha nota pro filme, de 0 a 10? Pode dar 12, chefe?

Obs: O Murilo Lima foi co-autor desta resenha.

Agora a parte ruim. E não é do filme.

Assistimos à pré-estréia do filme com o staff do Geek Café no cinema do Shopping Recife. Cheguei por volta das 19 horas. A sessão começaria às 20h40, conforme estava escrito no convite.

Uma hora depois do horário prometido ainda estávamos penando na gigantesca fila. Os representantes da Disney pisaram feio na bola dessa vez. Parecia que a própria SHIELD estava no comando naquela noite. Sem nenhum aviso prévio, tivemos que deixar nossos celulares na entrada, para evitar a pirataria – até meu dumbfone sem câmera e internet foi pro saco. Isso atrasou mais ainda o acesso. Alguns espectadores não gostaram da ideia e foram embora. Alguém precisa avisar à Disney que já tem DVD pirata dos Vingadores nas banquinhas do Recife e prá baixar na web. Tolinhos.

A outra explicação para o atraso foi que a SHIELD descobriu convites falsificados, o que teria causado a superlotação da sala. Tá tudo muito bem, mas o curioso é que NINGUÉM PEDIU OS NOSSOS CONVITES NA HORA DE ENTRAR. Nick Fury deve estar de férias.

Uma hora e meia depois o filme começou. Compensou todo o desrespeito do início.

E, prá finalizar, uma dica prá Disney: essa promoção “venha de cosplay e ganhe o pior lugar do cinema” não vai pegar. A galera se produziu toda prá ganhar um ingresso na faixa e foi alocada NAS DUAS PRIMEIRAS FILAS! Claro que a maioria saiu e sentou no corredor assim que o filme começou. E segundo uma moça da organização, a turma da imprensa também tinha lugar reservado NAS DUAS PRIMEIRAS FILAS! Disney, nunca, mas nunca mesmo, maltrate um nerd. #ficaadica

Viúva Negra e o Gavião ArqueiroNick Fury

Avengers AssembleLoki

Bruno Alves

Bruno Alves é professor, rabisca de vez em quando uns desenhos por aí e tem sempre uma música tocando em off na cabeça, mesmo quando não está usando headphones. E sim, ele gosta dos Titãs.

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