Quarteto Fantástico: Quarteto? Confere. Fantástico? Veja bem…

Cinema

Quarteto Fantástico: Quarteto? Confere. Fantástico? Veja bem…

 

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Um dos grandes problemas dos quadrinhos de super-heróis é sua longevidade. Personagens como o Superman, com quase 80 anos nas costas, precisam ser reinventados de tempos em tempos para se adequarem às novas gerações de leitores.

Mesmo a Marvel, que ainda não fez nenhum reboot em seu universo, vez por outra reconta a origem de seus heróis, inserindo mais detalhes ou fatos novos (o famoso retcon).

Esse recurso típico de um gênero específico dos quadrinhos agora se expandiu e atingiu o cinema de super-heróis.

Isso mesmo. Não importa se já existem filmes daquele personagem: a moda é fazer um reboot, um novo começo, mudando diretor e atores e repetindo coisas como a origem do personagem.

É por isso que temos cinco filmes do Homem-Aranha, com um reboot feito apenas cinco anos depois da trilogia original. E o pior: um reboot ruim. Pra que contar de novo a origem do Aranha, que todo mundo já sabe de cor? Porque não continuar de onde parou? Parece uma guerrinha de egos, com o diretor seguinte pensando em humilhar o diretor anterior.

Essa mesma lógica se aplica ao mais novo reboot super-heroístico do cinema: Quarteto Fantástico. A primeira equipe da Marvel já soma, com essa nova produção, quatro filmes realizados. Quatro. E nenhum deles é fantástico…

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Mas vamos ao que interessa.

Para comandar essa nova história de origem, a Fox chamou o diretor Josh Trank, que tem em seu currículo o filme Poder Sem Limites (Chronicle, 2012), que eu vergonhosamente ainda não vi, mas que todo mundo fala bem.

Basicamente um filme independente, Chronicle custou a bagatela de 12 milhões de dólares e arrecadou 124 milhões.

Pois bem: a Fox jogou na mão de Trank 122 milhões de doletas para ele realizar o filme da superequipe da Marvel. Uma merreca, se compararmos com as quantias gastas pelos blockbusters atuais (Curiosidade: X-Men 2, de 2003, custou só 110 milhões e é aquele filmaço).

Quarteto Fantástico (2015, 100 minutos) reconta a origem do primeiro supergrupo da Marvel. E começa recontando muito bem.

Reed Richards (Owen Judge) é um mini-gênio incompreendido, que sofre bullying na escola por conta de seus projetos. Decidido a construir um teletransportador, termina recebendo a ajuda de Benjamin Grimm (Evan Hannemann), cuja família tem um depósito de ferro-velho.

Sete anos depois, Reed (Miles Teller) e Ben (Jamie Bell) estão concluindo o ensino médio e numa apresentação da sua pequena máquina de teletransporte (que funciona!) na feira de ciências do colégio são abordados pelo Dr. Franklin Storm (Reg E. Cathey) e sua filha Sue Storm (Kate Mara), que demonstram interesse pela criação de Reed e o convidam para continuar seus estudos no Instituto Baxter.

Lá, Reed conhece Victor Von Doom (Toby Kebell), um jovem hacker da Latvéria que trabalha com a mesma ideia de construir um teletransportador, só que sem muito sucesso – e fica muito incomodado por ter sido superado por um fedelho. Além de ser um chato pedante, Von Doom é desencantado com a humanidade pelo fato da mesma estar destruindo o planeta.

O que Reed não sabia é que seu teletransportador abria um portal para outra dimensão, outro universo, onde encontram um planeta ao qual batizam de Planeta Zero.

Por fim, conhecemos Johnny Storm (Michel B. Jordan), filho do Dr. Franklin, um jovem rebelde, em conflito com o pai, e que é um excelente mecânico. Depois de um incidente numa de suas “atitudes rebeldes”, termina aceitando trabalhar no laboratório do pai em troca do retorno de sua mesada.

Como parte da trama, temos o velho clichê do financiador frio (Tim Blake Nelson) que pretende vender a tecnologia do teletransporte (e os recursos encontrados no planeta Zero) para os militares.

Essa pequena alteração na origem dos personagens não incomoda, até porque está bem próxima àquela mostrada no universo Ultimate da Marvel, linha de quadrinhos que se passa em uma realidade alternativa – assim como o fato do Tocha Humana ser negro. Esses não são os problemas do filme.

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Trank se garante bem nos dois primeiros atos do filme. No início, relatando o início da amizade de Reed e Ben, que se mostra orgânica; no entrosamento da equipe na construção do teletransportador, com um retraído Victor Von Doom interagindo mais com os colegas; e no tom de ficção-científica que permeia esse início (aquilo que um filme do Quarteto Fantástico tinha que ser por obrigação).

Outro acerto é como os superpoderes afetaram a vida dos personagens. Não há exaltação nos momentos iniciais, apenas muita dor e incerteza. As sequencias são dramáticas sem serem piegas. Ponto para Trank.

Gostei muito do elenco. E da pegada de ficção-científica que permeia o filme até a metade. As esperanças ainda estavam vivas quando o segundo ato terminou. Apesar da lentidão, não estava chato. Parecia que a coisa ia engrenar no terceiro ato.

Mas foi justamente aí que as coisas desandaram. E os problemas foram os de sempre.

► Um vilão com uma motivação ruim. Muito ruim mesmo. E sem sentido. E porque essa mania de incluir o Dr. Destino no acidente que dá poderes ao quarteto? Nos quadrinhos, Victor Von Doom é um homem perigoso pelo simples fato de ser um gênio científico e de usar sua tecnologia para executar seus atos vilanescos, que nunca incluíram destruir a Terra. Ele não precisa de superpoderes!!;

► O velho truque da equipe disfuncional que nunca trabalhou junta e que de repente funcionam como um relógio suíço na hora da batalha final;

► Uma luta final com o vilão que se resolve em alguns minutos. Deve ser a batalha mais rápida de todos os filmes de super-heróis;

► Eu já disse que a motivação do vilão é ruim?;

► Efeitos especiais capengas. Tem uma cena com um chipanzé onde o animal é feito num CGI cagado. O gorila Grodd da série de TV do Flash ficou muito mais bem feito. Será que o aluguel de chipanzés tá tão caro assim? E o Tocha Humana voando parece um desenho animado.

Tão rápido quanto começou, o terceiro ato terminou. E aí parece que o filme foi dirigido pelo Barry Allen. De aberrações a salvadores da pátria, QuartetoCaverna, fama, dinheiro e codinome escolhido. Bem que podiam ter começado o filme por essa parte, né?

Não deu, mais uma vez, para o Quarteto Fantástico. É uma pena que a Primeira Família da Marvel tenha tido um tratamento tão desrespeitoso nos cinemas. Se o filme não arrecadar o suficiente será que a Fox larga o osso e devolve os direitos prá Marvel?

Duvido. É mais fácil a Fox dar mais um tempo e fazer outro reboot.

NOTA: duas canecas de café pingado

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Bruno Alves

Bruno Alves é professor, rabisca de vez em quando uns desenhos por aí e tem sempre uma música tocando em off na cabeça, mesmo quando não está usando headphones. E sim, ele gosta dos Titãs.

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