Star Wars completa 35 anos

Cinema

Star Wars completa 35 anos

Há muito tempo atrás, num cinema não tão distante assim (fica ali na Rua da Aurora, centro do Recife), um garoto de doze anos ficou em estado catatônico depois de assistir um filme que mudaria para sempre a indústria do cinema.

Aquele garoto não conseguia desgrudar da cadeira. De repente, ele percebeu que uma grande quantidade de pessoas também não tinha ido embora e ficaram esperando a próxima sessão. E depois que a segunda sessão acabou, elas ficaram esperando a outra.

Três sessões depois, o garoto saiu do Cinema São Luiz totalmente alesado, tonto, com seus miolos espalhados pelo chão!

Eu era esse garoto, num longínquo novembro de 1977. Eu tinha acabado de presenciar o nascimento de um fenômeno cultural. E o mais legal é que eu sabia disso.

O filme era Guerra nas Estrelas. E este fenômeno pop é o motivo principal da comemoração do Dia do Orgulho Nerd nesta data.

Uma semana depois lá estava eu novamente. Três novas sessões depois, já sabia de cor e salteado as frases mais marcantes daquele que, até o momento, tinha sido o melhor filme que eu tinha assistido em toda a minha curta vida.

Para não se esquecer da experiência incrível, enchi um caderninho pautado narrando toda a história e com desenhos dos personagens. Comprei o álbum de figurinhas e quase completo o danado (ficaram faltando duas, que engenhosamente criei usando figurinhas repetidas, cola e tesoura). Criei minhas próprias hq’s com os personagens. E quase morro de ansiedade esperando a continuação da saga!!!!

Também vi no cinema, mais de uma vez cada um (bons tempos), os dois filmes que completam a trilogia.

O Império Contra-Ataca (1980) foi uma porrada no estômago. É o meu preferido por causa da dramaticidade que permeia toda a narrativa e principalmente pela impactante revelação do final – minha reação foi mais ou menos assim. É um filme que deixa um gosto ruim na boca, porque parece que não há mais esperança. Muito foda!

O Retorno de Jedi (1983) também foi outra porrada, embora de menor impacto – culpa dos Ewoks. A redenção de Anakin Skywalker fecha a trilogia com chave de ouro e foi totalmente inesperada para mim, que esperava a morte de Darth Vader numa batalha épica com seu filho Luke.

Só quem assistiu os originais no cinema é que pode descrever a incrível sensação de ver nascer um clássico, presenciar uma revolução, ali, na sua frente.

George Lucas, simplesmente o cara

Guerra nas Estrelas foi lançado em 25 de maio de 1977 nos Estados Unidos. Enquanto o filme estreava, o diretor George Lucas estava enfurnado no seu rancho, ao lado do seu amigo Steven Spielberg, esperando um telefonema com a informação de que seu ambicioso projeto tinha fracassado e que as pessoas e a crítica estavam ridicularizando aquela aventura espacial.

Claro que nada disso aconteceu. O filme foi um sucesso, arrecadou milhões, permitiu a produção de duas sequências e garantiu a George Lucas uma aposentadoria tranquila no velho Rancho Skywalker (eu sei, ele ainda não se aposentou, mas se quisesse poderia).

Lucas era uma jovem promessa em Hollywood. Porém, seu primeiro filme, THX1138, de 1971, uma ficção-científica sobre um futuro pessimista dominado por androides e onde todas as emoções eram proibidas, foi um fracasso de público e crítica. Mesmo assim, Lucas teve nova chance para produzir outro filme, também escrito e dirigido por ele: American Graffitti, de 1973 (no Brasil, Loucuras de Verão). Esse foi um sucesso. Custou 700 mil dólares e arrecadou mais de 100 milhões, além de ter sido indicado para o Oscar nas categorias Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Atriz coadjuvante, Melhor Roteiro Original e Melhor Edição; ganhou o Globo de Ouro de Melhor Filme e ainda recebeu prêmio de Melhor Roteiro pelas mãos da National Society of Film Critics Awards e da New York Film Critics Circle Awards, ambos em 1974.

Com a bola toda, Lucas tocou seu projeto de realizar um filme de ficção-científica que remetesse às antigas aventuras espaciais das matinês de cinema, de pulps como Amazing Stories e de quadrinhos como Flash Gordon e Buck Rogers.

A saga da produção do primeiro filme foi épica, com problemas de cronograma, surpresas da natureza, estouro de orçamento, descrédito do estúdio, atores reclamando do calor… Se você não sabia disso e ficou curioso, basta dar uma googlada que encontra todos esses perrengues nos seus mínimos detalhes.

Por outro lado, Lucas e sua equipe driblaram as dificuldades com soluções criativas que reinventaram a arte de fazer filmes. Mesmo que Guerra nas Estrelas tivesse sido um fiasco, os avanços técnicos conseguidos teriam escrito seu nome na história da sétima arte – e Lucas teria ficado rico do mesmo jeito com a sua Industrial Light & Magic.

Mas a grande força de Guerra nas Estrelas está na sua história, na concepção dos personagens e na trama que deve muito a outra figuraça, que nem sempre é lembrada (ou conhecida) por muita gente: Joseph Campbell.

Campbell é o responsável pela estrutura narrativa do filme (Lucas o contratou para uma consultoria criativa). O cara era simplesmente a maior autoridade em mitologia do mundo e tinha escrito um clássico imortal, leitura obrigatória para todos aqueles que pensam em enveredar pela criação de histórias: O Herói de Mil Faces, resultado de uma extensa pesquisa onde Campbell descobriu que todos os povos do planeta possuíam narrativas sobre os feitos mirabolantes de homens corajosos e poderosos (os heróis) e que elas tinham a mesma estrutura narrativa – mesmo naquelas civilizações que nunca mantiveram contato.

Campbell deu a isso o nome de Monomito e depois compilou tudo no que batizou de Os 12 Estágios da Jornada do Herói. Dêem uma lida nas etapas do Estágio e tentem reconhecer nelas os eventos de Guerra nas Estrelas. Legal, né?

No Youtube você encontra trechos de um documentário chamado O Poder do Mito, que é uma longa entrevista com Joseph Campbell – também lançada em DVD. Vale a pena ver.

35 anos depois, Guerra nas Estrelas não perdeu a sua força e continua seduzindo pessoas pelo mundo afora por causa da solidez e carisma de seus personagens, do universo expandido coeso e instigante e, principalmente, pelo fato de ser uma bela história que fala de amor, paixão, lealdade, traição, sacrifício, poder, amizade e redenção – sentimentos, qualidades e defeitos que fazem parte de nossa vida real.

É por isso que nos identificamos imediatamente com aquelas situações acontecendo em planetas imaginários e nos apaixonamos por pessoas fictícias.

É isso que define uma grande história.

Que Guerra nas Estrelas continue tendo uma vida longa e próspera em sua missão de divertir e emocionar as pessoas por esse mundo afora.

Feliz Dia do Orgulho Nerd prá você também!

Agora fiquem com um Infográfico com mais curiosidades que vocês não sabiam sobre os primeiros 35 anos de Guerra nas Estrelas.

Star-Wars-35-Years-Infographic

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Bruno Alves

Bruno Alves é professor, rabisca de vez em quando uns desenhos por aí e tem sempre uma música tocando em off na cabeça, mesmo quando não está usando headphones. E sim, ele gosta dos Titãs.

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