Crítica | Star Wars – O Despertar da Força: #vempraforça

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Crítica | Star Wars – O Despertar da Força: #vempraforça

Começo esse texto já afirmando que Star Wars – O Despertar da Força é um dos melhores capítulos da saga criada por George Lucas, ficando atrás apenas do episódio 5, O Império Contra-Ataca, desde sempre a obra-prima da franquia.

Trinta e dois anos depois do fim da primeira trilogia, somos reapresentados àquela galáxia muito, muito distante e ao conflito entre as forças do Império e a Aliança Rebelde.

Mesmo depois da destruição da segunda Estrela da Morte e com a fragmentação de sua força bélica, o Império não desistiu de tentar dominar a galáxia. Ressurgidos das cinzas como a Primeira Ordem, eles tem como objetivo derrotar a Resistência e retomar o poder. O Supremo Líder Snoke (Andy Serkis) é o lado negro da força da vez, comandando o misterioso Kylo Ren (Adam Driver) e o jovem e implacável oficial General Hux (Domhnall Gleeson), que por sua vez comandam um numeroso exército.

Do outro lado temos a General Leia (Carrie Fisher) comandando a Resistência em sua eterna luta pela liberdade na galáxia. É no meio desse conflito que surgem os novos personagens da saga.

Poe Dameron (Oscar Isaac) é um experiente piloto da Resistência. Junto ao seu dróide BB-8 eles tentam chegar à base rebelde para entregar uma valiosa informação: o paradeiro de Luke Skywalker, o poderoso Jedi que está desaparecido e é procurado tanto pelos rebeldes como pela Primeira Ordem – e essa é a principal missão de Kylo Ren, que chega ao planeta Jakku diposto a tudo para conseguir cumpri-la.

Fugindo do ataque do exército de Ren, BB-8 termina encontrando a catadora de lixo Rey (Daisy Ridley), que se torna sua protetora. É quando entra em cena Finn (John Boyega), um homem em crise que tenta fugir do seu destino. O inusitado trio termina ficando junto; Rey e Finn decidem ajudar o pequeno dróide a cumprir sua missão, levando-o para a base da Resistência.

Inesperadamente, eles são encontrados e ajudados pelo contrabandista mais famoso da galáxia, Han Solo (Harrison Ford), e seu eterno companheiro Chewbacca (Peter Mayhew). A partir dessa união do passado e do presente, as peças de xadrez se movem para um inevitável conflito, onde coragem, resignação, traição e sacrifício caminharão lado a lado.

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É difícil fazer uma critica desse filme se sentir tentado a contar os detalhes da trama. Mas fique tranquilo, isso não vai acontecer – e quer um conselho? Fuja de todos possíveis spoilers na internet. A grande graça do filme é ser surpreendido a cada sequencia!

E é nesse ponto que J. J. Abrams merece todos os nossos aplausos. Não deve ter sido fácil ter em mãos uma franquia histórica, de sucesso, repleta de fãs atentos e exigentes, que não hesitaram em cutucar o próprio criador desse universo quando ele cometeu crimes contra a sua própria obra. O tamanho da responsabilidade era gigantesco.

Abrams acertou ao manter todos os elementos que fizeram o sucesso da primeira trilogia e ao mesmo tempo em incorporar outros que se tornassem atraentes para os novos espectadores, que tenham pouco ou nenhum conhecimento sobre Star Wars.

Como ele conseguiu isso? Simples: respeitando as origens.

Temos de volta o mestre John Williams na trilha sonora – e seria redundante dizer que ela é maravilhosa!

Temos efeitos práticos em profusão, o que dá ao filme aquele ar nostálgico e que nos remete diretamente ao primeiro filme, Star Wars – Uma Nova Esperança. Sim, também temos CGI, mas eles são comedidos e funcionais, até mesmo quando vemos a personagem Mas Kanata, interpretada pela oscarizada Lupita Nyong’o, totalmente criada por meio de captura de movimentos.

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A fotografia também remete à primeira trilogia, principalmente nas sequencias do planeta Jakku, com sua paleta terrosa e quente – lembra de Tattoine?

O roteiro foi escrito (junto com Abrams) pelo experiente Lawrence Kasdan, escritor de O Império Contra-Ataca, O Retorno de Jedi e Caçadores da Arca Perdida. E ficou redondo, sem gorduras, sem enrolações.

Temos a Jornada do Herói de volta, dessa vez centrada na jovem Rey. A estrutura da trama lembra, e muito, a do primeiro filme. Mas isso não soa como falta de criatividade e sim como uma homenagem às origens.

Finalizando, os personagens são magníficos e muito bem interpretados. Daisy Ridley é a grande surpresa e nos dá uma das melhores personagens de toda a franquia. Sua Rey é uma personagem feminina forte e inteligente – Leia também era, mas a diferença aqui é que temos uma protagonista que move a trama para frente.

John Boyega é outro achado. Seu amargurado personagem também é um fio condutor da história e um alívio cômico certeiro, sem partir para o escracho. Finn tem objetivos muito particulares, mas o Chamado à Aventura o pega de jeito e o joga no objetivo geral da história de modo crível.

O Kylo Ren de Adam Driver é um personagem em desenvolvimento e talvez por isso muita gente tem falado que ele tem uma atuação fraca. Não achei, gostei da atuação. Esperem que nos próximos episódios ele vai mostrar ao que veio.

Rey, Finn e Ren são personagens interessantes e com potencial para se tornarem adorados por antigos e novos fãs, como aqueles da trilogia original (coisa que os da segunda trilogia não conseguiram). Daqui a décadas, nossos filhos e  netos estarão enaltecendo seus feitos heroicos como fazemos com Luke, Han, Leia e companhia.

E o que falar do retorno do elenco original? Muito mais do que um fanservice, todos tem uma participação orgânica e fundamental para a trama. A entrada em cena de Harrison Ford e Peter Mayhew é épica – Han Solo só ganhou umas rugas e cabelo branco, mas é o mesmo personagem de sempre: carismático, ousado e canalha.

Emocionante ver a interação entre Carrie Fisher, Harrison Ford, Anthony Daniels e Peter Mayhew; emocionante ver Han Solo pilotando a Millenium Falcon e todas as referências à primeira trilogia.

Por fim, Star Wars – O Despertar da Força  é uma deliciosa e emocionante homenagem aos filmes que mudaram a história do cinema e reinicia a franquia com um carinho que só um fã como Abrams poderia fazer. Eu, como um fã jurássico, me senti contemplado. Acredito que os mais jovens também.

Mal posso esperar para ver os episódios VIII e IX – e o que virá depois.

A Força retornou. Que ela esteja com todos nós!

 

NOTA: cinco canecas de irish Coffee

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Bruno Alves

Bruno Alves é professor, rabisca de vez em quando uns desenhos por aí e tem sempre uma música tocando em off na cabeça, mesmo quando não está usando headphones. E sim, ele gosta dos Titãs.

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