STAR WARS: Chewie, eu também estou em casa!

Cinema

STAR WARS: Chewie, eu também estou em casa!

No início de 1978 eu era um jovem nerd – apenas não sabia disso. Com doze anos e meio, era viciado em quadrinhos desde os cinco, não perdia minhas séries e desenhos favoritos na TV e passava horas criando histórias em quadrinhos nos cadernos de desenho que meu pai mandava fazer com as sobras de papel da gráfica da empresa onde ele trabalhava (Sri Lancer, Escudo Vermelho, Duncan… por onde andam vocês, meus heróis?).

Pois bem… Naquele início de 1978, todas as minhas atenções estavam voltadas para um filme que iria estrear em breve. Eu mal podia controlar minha ansiedade.

A primeira vez que ouvi falar em Guerra nas Estrelas foi em uma reportagem na revista Seleções do Reader’s Digest, que meu pai comprava religiosamente todos os meses. E nem era matéria de capa.

Não havia muitas imagens. Na primeira página, o pôster foda de Greg Hildebrandt; no corpo do texto, uma foto dos androides See Threepio e Artoo Detoo (sim, estava escrito desse jeito) e outra de uma pequena habitação no meio do deserto da Tunísia. E só.

Mas o texto era fabuloso! Além dos detalhes técnicos e da descrição dos efeitos especiais inovadores (e da tempestade de areia que atrapalhou as gravações), a matéria contava a história do filme: um jovem fazendeiro que sonhava em ser piloto, entrar para a Academia e lutar ao lado dos rebeldes contra o maléfico Império, repentinamente tem seus desejos atendidos ao se aliar a um velho guerreiro de uma velha ordem – um jedi, e partir numa missão para ajudar uma princesa, Leia. No meio do caminho, eles têm que enfrentar um terrível vilão, Darth Vader, e todo o poder bélico do Império.

Curiosamente, havia um senhor spoiler na reportagem: o vilão sobrevivia no final!!!

Ainda havia um tom de incerteza sobre o sucesso do filme. Afinal, era uma produção inovadora para a época, dizia o criador de tudo, um tal de George Lucas.

Pela empolgação da reportagem, fiquei curioso para ver o filme. Depois, terminei esquecendo dele – claro, não havia internet, não havia campanha agressiva de divulgação. Afinal, o filme era uma grande incógnita. Fui lá cuidar dos meus heróis de papel e da minha vida.

Meses depois vi o trailer de Guerra nas Estrelas numa sessão de cinema. E foi aí que minha ansiedade começou! Fiquei com aquelas cenas na cabeça por semanas! Contei os dias até a data da estreia.

Então, Guerra nas Estrelas estreou no cinema São Luiz.

Star Wars

Eu não podia acreditar no que estava vendo diante dos meus olhos! A sequência de abertura, com o gigantesco destróier imperial invadindo a tela e a música poderosa de John Williams de fundo já prenunciava o que estava por vir. Quando a sessão acabou, muita gente assoviou, aplaudiu. Eu fiquei sentado na poltrona, petrificado. E esperei a sessão seguinte. E depois vi mais uma. A cada sessão eu descobria uma coisa nova, algo que tinha passado despercebido na anterior.

Quando cheguei em casa peguei meu caderno da escola e ESCREVI TODO O FILME – algumas passagens com diálogos. Eu não queria esquecer o que tinha visto!

Depois voltei ao cinema e assisti mais duas sessões. Comprei os quadrinhos e o álbum de figurinhas que saíram logo depois. Vivia desenhando hq’s dos personagens nos meus cadernos.

Para atender a ansiedade dos fãs enquanto a anunciada sequência não saia, Lucas lançou um especial de Natal. Na época eu achei demais! Passou na TV!!!!

Já adulto, fui rever o especial, cheio de nostalgia. Um conselho: se você tem a memória da infância sobre esse especial, deixe-a intacta lá. Não reveja, eu imploro.

Quase não vejo “Guerra nas Estrelas  – O Império  Contra-Ataca” no cinema. Não lembro o motivo, mas só fui assistir na última semana de exibição. Só vi duas sessões por conta do horário.

Como descrever para vocês hoje a reação em peso do cinema quando Darth Vader soltou a revelação: “Luke, eu sou seu pai!”? Impossível. Até hoje me arrepio quando vejo esta sequência.

O Império Contra-Ataca” é um filme pesado, triste, com um final desesperançado (e aquela música do final não ajuda). E é o meu filme preferido de toda a franquia.

O terceiro filme fechou um ciclo. Despedi-me daqueles personagens com pesar. Eu sempre dizia:

George Lucas NUNCA vai fazer os outros seis filmes!! It’s over!!!!

A trilogia original estava de bom tamanho. Prá que mexer em time que tá ganhando? George Lucas, com certeza, não é muito fã de esportes e desconhecia esta regra.

Ok, vamos pular a parte da segunda trilogia…

Quando anunciaram J. J. Abrams para a direção do novo filme do universo Star Wars (ok, vocês venceram, departamento de marketing), suspirei aliviado. Nada de Lucas fazendo caquinha – mas somos gratos por tudo, tio Lucas, valeu!!!

Luke Skywalker, Leia, Han Solo, Chewbacca, C3PO, R2D2… todos de volta! Mas mesmo assim, macaco velho, fiquei com um pé atrás. Qualquer deslize poderia por tudo a perder.

O primeiro teaser me desarmou e trouxe de volta aquelas mesmas sensações que senti 37 anos atrás, ao ver o trailer do episódio IV. A música, os cenários, o som dos Tie Fighters cruzando o espaço… Meu Deus, aquela é a Millenium Falcon!!!!!!

No segundo teaser, quando o velho Han Solo disse “Chewie, nós estamos em casa”, repeti mentalmente a frase. Eu estava, finalmente, reencontrando meus velhos amigos de uma galáxia muito, muito distante.

Sim. Eu também estou em casa, Chewie!

A aventura vai recomeçar. Star Wars – O Despertar da Força terá estreia mundial em 17 de dezembro de 2015

Que a Força esteja com todos nós!

Veja também:

A Jornada do Herói em Star Wars!

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Bruno Alves

Bruno Alves é professor, rabisca de vez em quando uns desenhos por aí e tem sempre uma música tocando em off na cabeça, mesmo quando não está usando headphones. E sim, ele gosta dos Titãs.

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