Thor: O Mundo Sombrio – Crítica

Cinema

Thor: O Mundo Sombrio – Crítica

A estratégia que a Marvel usou para estabelecer seu universo cinematográfico foi brilhante. Como os seus personagens mais populares (Homem-Aranha e X-Men) estavam nas mãos de outros estúdios ela decidiu apostar em super-heróis que,  para os não-iniciados nos quadrinhos, seriam do segundo escalão: Homem de Ferro, Thor e Capítão América.

Cada filme serviu para apresentar o universo particular de cada herói e, ao mesmo tempo, preparar o terreno para o hoje clássico Os Vingadores. Deu certo e o resto é história.

Dessa chamada Fase Um do Marvel Cinematic Universe pré-Vingadores, o melhor filme foi, sem sombra de dúvidas, Homem de Ferro. E o mais fraco foi Thor – taí uma rara unanimidade que não foi burra.

Então, a expectativa para o segundo filme do Deus do Trovão já começou assim: “Se for melhor que o primeiro, já tá valendo”. Quando a Fase Dois do MCU iniciou com o fraquíssimo Homem de Ferro 3, minha expectativa sobre o filme do Thor veio abaixo. O medo era que a Marvel tivesse perdido a mão. Nem os trailers animadores me fizeram mudar de idéia – afinal, os trailers de HF3 também tinham sido épicos, foda, impactantes e…. fuén fuén fuén fuén….

Pois podem dormir tranquilos, caros marvetes: Thor – O Mundo Sombrio não só é infinitamente superior ao seu predecessor como chuta a bunda de Homem de Ferro 3 com gosto!!!

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A história começa com uma narrativa do passado que mostra Bor, o avô de Thor, enfrentando os Elfos Negros, liderados pelo temível Malekith. Durante um fenômeno cósmico onde os Nove Reinos ficariam alinhados, o vilão pretendia absorver uma força da natureza conhecida como  Éter e, com ele, trazer a escuridão ao universo. Bor consegue derrotar os Elfos Negros e Malekith foge com o rabo entre as pernas. Para garantir a paz nos Nove Reinos, o pai de Odin esconde o Éter em um local secreto.

De volta ao presente, chegamos a Asgard, onde Loki surge algemado e escoltado por guardas. Ele está sendo levado à presença de Odin para ser julgado pelos seus crimes contra os Nove Reinos. Depois de uma discussão tensa, Loki é condenado a passar a eternidade preso em uma cela. Seria o fim para o Deus da Trapaça?

Enquanto isso, Thor e seus amigos (Hogun, Frandall, Vollstag e Sif) travam diversas batalhas nos mundos dos Nove Reinos para trazer a paz, perdida depois das consequências dos atos de Loki. Na Terra, mais precisamente em Londres, Jane Foster tenta levar uma vida normal desde a invasão a Nova Iorque – ela está frustrada e ressentida por que Thor esteve perto dela mas não a procurou.

De repente, estranhos fenômenos físicos começam a surgir, como gravidade anulando o peso de veículos e estranhos micro-portais por onde objetos desaparecem. Acidentalmente, Jane termina atravessando um desses portais e termina encontrando o que não devia. Como consequência, Malekith desperta de seu sono de milênios e retoma o seu plano de trazer a escuridão ao universo e se vingar dos asgardianos.

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Com esse cenário montado e todas as peças em seus devidos lugares, a história começa a se mover. Muito mais épico do que seu antecessor, Thor – O Mundo Sombrio acerta logo de cara ao mostrar mais detalhes de outros dos Nove Reinos. Asgard é apresentada com toda sua imponência e uma riqueza de detalhes que impressiona, traduzindo com perfeição o universo imaginado pelo mestre Jack Kirby. Além disso, há um equilíbrio entre os eventos passados na Terra e em Asgard e todos tem sua importância.

Aliás, acho que equilíbrio é a palavra certa para definir muita coisa desse filme. As cenas de humor, drama e ação entram nessa definição; os personagens coadjuvantes que no filme anterior eram só isso mesmo, coadjuvantes, ganham mais espaço e suas ações tem impacto na trama – Erik Selvig, Heimdall, Frigga e Darcy (alívio cômico do filme); até Chris Hemsworth encontrou o seu tom na interpretação do Deus do Trovão (vai ver ele frequentou o mesmo curso que ajudou Chris Evans a melhorar) e, para mim, não parece mais deslocado no papel.

Há citações a outros personagens do MCU (Stark, Capitão América, SHIELD) e uma delas é hilária! A participação do nosso velho amigo Stan Lee não é tão épica como a que ele fez no Espetacular Homem-Aranha, mas está dentro do esperado.

Com relação ao vilão Malekith: nos quadrinhos, ele é casca de ferida. Porém, desde que o vi nos trailers achei que tinha alguma coisa errada. Ele não passava, pelo menos para mim, aquilo que todo vilão motherfucker transmite: medo! Apesar de Christopher Eccleston ser um bom ator, na minha humilde opinião ele não incorporou  o personagem.

Porém, discordo de algumas críticas que li sobre a motivação do vilão ser chinfrim. Eu gostei. Quer coisa mais ‘história tradicional em quadrinhos de super-herói” do que  o supervilão querer destruir o mundo, por mais insano que isso pareça? De um jeito ou de outro, é isso que todo vilão quer, nem que seja de forma metafórica – e eu cito aqui o plano insano do Coringa de Batman O Cavaleiro das Trevas: o mundo que ele queria destruir era o da ordem, da civilidade, da razão. Deixei para o final o melhor.

Thor-O-Mundo-SombrioPrimeiro, Loki! Claro que todo mundo já esperava isso, mas não custa repetir: LOKI ROUBA O FILME DE NOVO!!! Tom Hiddleston mostra ser um daqueles atores que nasceram para interpretar aquele personagem específico, como Robert Downey Jr. e seu Tony Stark. Está lá toda a dualidade do Deus da Trapaça, com seu sorriso cínico e suas ações ambíguas. Você nunca sabe se ele está sendo sincero ou escondendo uma faca prá enfiar no seu irmão Thor. Com o final do filme, fica a expectativa de que Thor 3 será épico (se a Marvel não perder a mão)!

Segundo, a primeira cena pós-créditos (que na verdade é ‘entre-créditos’). Quando Benício Del Toro aparece encarnando um certo personagem da Marvel eu soltei um “PQP” mental! Aposto que 90% do cinema não entendeu patavinas do que estava acontecendo, mas eu, leitor de quadrinhos old school posso garantir: Guardiões da Galáxia vai ser o filme mais surtado da Fase 2 da Marvel!!!

E fiquem até o final dos créditos, pois tem outra cena legal – e que talvez faça a tão comentada ligação do filme com a série Marvel’s Agents of SHIELD. Se for verdade, parece que o seriado vai melhorar!!!!

Nota? Eu dou um 8 brincando. Agora, se for considerar apenas os filmes da Marvel, Thor – O Mundo Sombrio merece um 9!!!

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Bruno Alves

Bruno Alves é professor, rabisca de vez em quando uns desenhos por aí e tem sempre uma música tocando em off na cabeça, mesmo quando não está usando headphones. E sim, ele gosta dos Titãs.

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