Transcendence | CRÍTICA

Cinema

Transcendence | CRÍTICA

O título desse filme bem que poderia ser: Transcendence – Johnny Depp, se liga, môvéi!

Este é o terceiro projeto no qual Johnny Depp se envolve que dá errado. Sombras da Noite não foi bem de bilheteria e crítica. O Cavaleiro Solitário deu um merecido prejuízo monstro à Disney. E agora isso.

Mas vamos lá, já que esse post não é sobre Johnny Depp, e sim sobre o seu novo filme, Transcendence – A Nova Inteligência, que estréia no Brasil no próximo dia 19.

A premissa é recorrente na ficção científica: a interface homem/máquina. Mais precisamente, a transferência da mente humana para o ambiente virtual. Afinal, será possível um dia experimentarmos a imortalidade preservando nossas consciências no que hoje chamamos de nuvem? cartas para a redação…

Johnny Depp é Will Caster, um cientista cuja pesquisa objetiva criar uma inovadora forma de inteligência artificial, que está em um adiantado estado de desenvolvimento. Segundo o Dr. Will, essa nova inteligência seria uma transcendência da mente humana. Ao seu lado, está sua esposa, a também cientista Evelyn (Rebecca Hall), que sonha com o desenvolvimento dessa tecnologia para ajudar a humanidade em outras áreas. Do outro lado dos entusiastas do projeto está o grupo extremista RIFT (Revolutionary Independence From Technology), liderado por Bree (Kate Mara), avesso à qualquer avanço tecnológico que resulte no que eles chamam de “desumanização”.

geek-trans-img

Durante um evento científico para divulgação dos avanços do projeto, o RIFT desencadeia uma série de ataques simultâneos a instalações de pesquisa, matando centenas de pessoas. No local, Will Caster é atingido de raspão por um tiro – o atirador se mata em seguida. O que ninguém contava era que a bala estivesse envenenada com um isótopo radioativo. Diagnosticado com poucas semanas de vida, Will Caster decide se afastar de tudo e morrer em paz.

Só que Evelyn não aceita o fato e, ao descobrir que uma parte da pesquisa sobre interação homem/máquina, desenvolvida por um dos cientistas vítimas dos atentados da RIFT, apresentou resultados animadores, decide aplicar o experimento no seu moribundo marido, transferindo a mente dele para o computador. Max Waters (Paul Bettany), cientista amigo do casal, ajuda na empreitada. Logo após a transferência, Will morre e renasce dento da máquina.

Ao solicitar mais energia e sua ligação com a internet, Will assusta Max, que pula fora do projeto. Evelyn conecta seu marido à web. A partir daí, a mente de Caster se torna uma potencial ameaça e vira o alvo da RIFT e do FBI.

Olhando assim, parece bom, não é? Só que, na prática, nada funciona. O roteiro do iniciante Jack Paglen é rasteiro e não explora todo o potencial por trás da ideia. Afinal, depois que Will Caster se conecta à internet, ele aprimora sua inteligência e se torna uma nova espécie. Qual o impacto de uma IA desse porte na sociedade? Afinal, logo nos primeiros minutos ligado à rede, ele consegue transferir para a empresa de pesquisa deles milhões de dólares! Resumindo: ele roubou o dinheiro!!!

Em seguida, Evelyn e seu virtual marido chegam a cidade de Brightwood, um fim de mundo situado no deserto, e lá constroem (com o dinheiro roubado) uma complexo subterrâneo supertecnológico em cinco anos, obtendo resultados positivos em produção de alimentos e cura de doenças por meio da nanotecnologia. Cinco anos numa cidadezinha, mudando todo o contexto local/global, sob os olhos do mundo, do FBI e do RIFT e ninguém faz ABSOLUTAMENTE NADA.

Só depois desse tempo todo é que eles decidem que o Will Caster na nuvem é uma ameaça – coisa que até sua apaixonada esposa começa a perceber. Para detê-lo, criam um vírus poderosíssimo que, no processo, DESLIGARÁ TODA A ENERGIA DO PLANETA (olhaí o verdadeiro bug do milênio)! 

A partir daí, o filme vai ladeira abaixo. Com um roteiro desse nas mãos, talvez um diretor mais tarimbado fizesse a diferença. Mas esse é o primeiro trabalho de Wally Pfister na direção. Pfister é o fotógrafo fiel de Christopher Nolan, que atua como produtor executivo. Como se não bastasse roteiro e direção, os atores não colaboram.  Johnny Depp está preguiçoso, muito aquém de suas capacidades; o resto do elenco também não ajuda (Kate Mara, Paul Bettany e Cillian Murphy), nos dando personagens rasos, com os quais não conseguimos nos identificar – principalmente a insuportável líder da RIFT, vivida por Kate Mara. Morgan Freeman se salva, mas só porque ele é Morgan Freeman.

Indeciso entre filosofar sobre temas visíveis do filme (ética + política + biotecnologia) ou desenvolver um thriller sci-fi, Pfister não faz nenhuma das duas alternativas direito. O filme é longo, cansativo e extremamente frustrante. A prova é que o custo estimado foi de US$ 100.000,00 e o longa, que estreou no dia 18 de abril nos EUA e em vários países, só arrecadou US$ 78.933,406, segundo o Box Office Mojo, incluindo aí a bilheteria mundial!

Se eu fosse Johnny Depp mandava rezar um terço. Ou então fazia rapidinho um Piratas do Caribe 5, porque o negócio tá feio.

NOTA: 1 caneca de café preto.

Continuar lendo
Publicidade
Bruno Alves

Bruno Alves é professor, rabisca de vez em quando uns desenhos por aí e tem sempre uma música tocando em off na cabeça, mesmo quando não está usando headphones. E sim, ele gosta dos Titãs.

Deixe seu comentário!

Mais em Cinema

To Top