Valérian e A Cidade dos Mil Planetas ou o dia em que Luc Besson escorregou no tomate podre

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Valérian e A Cidade dos Mil Planetas ou o dia em que Luc Besson escorregou no tomate podre

Valérian e A Cidade dos Mil Planetas ou o dia em que Luc Besson escorregou no tomate podre

Existem artistas que possuem uma assinatura própria, uma marca, um estilo, que fazem com que você passe a acompanhar tudo o que eles fazem. E mesmo que de vez em quando eles cometam uns deslizes aqui e ali, você ainda dá um desconto e procura pontos positivos – e geralmente encontra.

Luc Besson é um desses caras.

Ver o nome dele em uma produção já me anima. Além de diretor e produtor, Besson também é roteirista e talvez muita gente nem saiba que franquias como Carga Explosiva (com Jason Statham) e Busca Implacável (com Liam Neeson) tem roteiros escritos por ele.

E Besson já está na História do cinema por três clássicos incontestes: Nikita (1990), O Profissional (1996) e O Quinto Elemento (1997). E é justamente por conta desse último que sua nova empreitada no terreno da ficção científica me deixou tão animado.

O Quinto Elemento é aquele filme que, caso eu esteja em casa de folga e ele estiver passando,  vou rever pela 347564 vez. O filme tem uma história legal, personagens interessantes e, principalmente, uma direção de arte inspirada que deve muito a uma certa série de quadrinhos franco-belgas que começaram a ser publicadas em 1967: Valérian, Agente Espacio-Temporal, de Pierre Christin (roteiros), Jean Claude Meziérs (arte) e Évelyne Tranlé (cores).

Para ter uma ideia da importância da série, que foi publicada até 2010 pela equipe original, um tal de George Lucas se inspirou em muitos de seus elementos para criar sua própria space opera: Star Wars!

Referências de Valérian em Star Wars

Então, imaginem a minha expectativa para ver Valérian e A Cidade dos Mil Planetas (França, 2017, 137 minutos)! O único trailer que vi era visualmente impactante, marca registrada de Besson.

O filme tem uma sequencia inicial primorosa. Enquanto ouvimos a clássica Space Oddity de David Bowie vemos a evolução da ocupação do espaço por parte da humanidade, começando com as primeiras capsulas orbitando a Terra e passando pela construção e aprimoramento da estação espacial. Com o passar do tempo, cada vez mais povos da Terra vão chegando para ampliar a estação: chineses, africanos, indianos, árabes…

O tempo passa e começam a chegar alienígenas de diversas raças. Crescendo exponencialmente de tamanho, a estação, batizada de Alpha City, torna-se um centro de convivência de diversas espécies e em sua gigantesca estrutura as particularidades de cada mundo são reproduzidos à perfeição. Alpha torna-se a cidade dos mil planetas.

No entanto, sua estrutura alcança massa crítica e ameaça despencar em direção a Terra. Lançada ao espaço inicia sua jornada pelas estrelas como um símbolo de diversidade e convivência pacífica entre as mil espécies que a habitam.

Depois dessa bela introdução, somos levados a um planeta paradisíaco, habitado por uma raça pacífica e que tem uma perfeita simbiose com a natureza. É outro belo momento do filme, um segundo prólogo que hipnotiza pelo visual.

Já quero um filme sobre esses seres, Luc!!!

E depois disso conhecemos Valérian (Dane DeHaan) e Laureline (Cara Delevigne). As imagens continuam a nos maravilhar, mas quando a história realmente se inicia, as coisas começam a complicar.

Resumindo:

  • o casal de protagonistas não tem nenhuma química. Não consegui me importar com eles em nenhum momento do filme. Eles não são engraçados. Eles não são carismáticos. O romance deles é chato. Quando personagens principais não nos interessam, o filme está perdido. Fiquei um tempão torcendo para que a raça que protagonizou o segundo prólogo reaparecesse e salvasse a pátria. Cara Delevigne é muito ruim. Não conheço outras atuações do Dane DeHaan além do terrível Harry Osborn/Duende Verde do Homem-Aranha, mas aqui ele está péssimo.
  • a trama é mal apresentada. Temos o plot inicial com Valérian e Laureline em uma missão para recuperar um objeto importante e raríssimo. Os dois agentes entram em outra dimensão para realizar a missão (o visual e o conceito do mercado gigantesco vibrando em uma frequência dimensional diferente é genial e muito bem realizado). A partir daí, a história toma outros rumos, ficando confusa e desinteressante.
  • Eu já falei que o visual é fantástico e as criaturas e mundos imaginados por Besson por si só mereceriam um filme à parte? Cores, 3D, montagem, direção de arte, maquiagem e figurinos são os únicos acertos do longa.
  • o vilão é o mais clichê do que o mais clichê de todos. E Clive Owen está péssimo no papel. A motivação dele, embora tenha fundamento, é muito, mas muito mal explicada.
  • a última vez que bocejei durante um blockbuster foi em Transformers – A Era da Extinção. Isso é um mau sinal.
  • o final é anticlimático.

Não foi dessa vez, meu amigo Luc.

O filme tem dividido a crítica. Uma das provas disso são os 51% no Rotten Tomatoes. Pelo que tenho visto, os elogios são para o espetáculo visual que é o filme. E as críticas, para o roteiro e atuações.

A pretensão de Besson é criar uma nova franquia. Espero que o filme consiga se pagar e ganhe algum trocado para que uma sequencia seja confirmada e meu amigo Luc consiga rever os deslizes que cometeu. Valérian tem potencial, as hq’s são ótimas e o personagem e seu universo merecem uma chance.

Nota:

2 canecas de café expressso bem doce! =/

 

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Bruno Alves

Bruno Alves é professor, rabisca de vez em quando uns desenhos por aí e tem sempre uma música tocando em off na cabeça, mesmo quando não está usando headphones. E sim, ele gosta dos Titãs.

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