Vingadores – Era de Ultron: Avante, Marvel!

Cinema

Vingadores – Era de Ultron: Avante, Marvel!

Quando surgiu em 1961, o Universo Marvel era radicalmente o oposto do já trintão Universo DC: suas HQs se passavam em um universo interligado, cidades reais eram o palco das ações e os seus heróis eram demasiado humanos com seus dilemas, frustrações e dramas, apesar dos poderes divinos.

Essa aura de “humanidade” foi o que me fez me identificar melhor com as HQs da Casa das Ideias, embora para mim os dois melhores super-heróis dos quadrinhos continuem sendo Batman e Arqueiro Verde.

Por outro lado, tirando o morcego, sempre vi os heróis da DC como um panteão de deuses, mais divinos que humanos. Não havia muito conflito entre os superseres e as pessoas comuns  – havia um confiança rolando. Um herói como o Flash, por exemplo, sempre teve essa pegada mais leve (começando pela sua extensa Galeria de Vilões).

Então, é engraçado ver no cinema  como essas duas visões se inverteram. Enquanto a DC tenta dar um ar mais sério e dramático aos seus heróis, a Marvel nos entrega um universo, digamos, mais leve, embora não carente de humanidade e drama.

Vingadores – Era de Ultron

A partir de 2008, com o início de seu Marvel Cinematic Universe interligado, a Casa das Ideias tem nos dado um belo exemplo de planejamento e visão do todo, embora algumas coisas desandem no meio do caminho (Homem de Ferro 3, Thor e a primeira metade da série Agents of SHIELD são os melhores exemplos dessa derrapagem).

A prova de que esse planejamento estava bem encaminhado foi o sucesso do megablockbuster Os Vingadores, que fechou a Fase 1 do MCU.

Grandioso é a palavra que pode definir o primeiro filme dos heróis mais poderosos da Terra. Como superar isso? Mas a pergunta verdadeira é: há necessidade de… superar?

Comercialmente, claro que a resposta é sim. E então, praticamente fechando a Fase 2, temos Vingadores: Era de Ultron (EUA, 2015, 141 minutos), novamente sob o comando do nerd Joss Whedon.

avante-vingadores-02[leftbox]Era de Ultron é um típico filme de equipe de super-heróis, com conflitos internos e batalhas gigantescas  – daquelas que vemos nas páginas dos quadrinhos.

E esse é, para mim, o maior mérito do filme, que já começa com um batalha épíca no fictício país da Sokovia, onde a equipe luta para resgatar o Cetro de Loki, que está em poder da Hydra (como eles ficaram sabendo onde o cetro estava? Ora, você não viu na série Agents of SHIELD?). Diferente do grupo desconexo do primeiro filme, agora todos agem como uma equipe em perfeita sincronia.

E como num gibi da Marvel, há os momentos de confraternização e DR’s. O jantar na torre Stark é sensacional, mostrando que apesar de serem, provavelmente até esse momento, os seres mais poderosos do planeta, eles também dão uma pausa para descansar, tomar uns drinques e jogar conversa fora.

E é justamente aí que começa a trama do filme. O programa Ultron, idealizado por Stark (com uma ajuda de Bruce Banner), programado para ser uma linha de defesa da Terra contra invasões alienígenas e similares, cria consciência própria e chega à conclusão de que o maior mal da Terra é a humanidade – e para que haja paz, ela precisa ser eliminada.[/leftbox]

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Apesar da construção apressada, o Ultron do filme é sensacional. E diferente do personagem dos quadrinhos, que fique claro.

E isso é perfeitamente explicavel: lá, o robô tem os padrões mentais do instável Hank Pym, o Homem-Formiga original. Aqui, o vilão tem os padrões mentais do Tony Stark – por isso ele é mais sarcástico e irônico. Ponto para a Marvel.

Porém, mesmo sendo sensacional, o Ultron não foi o adversário fodástico que eu esperava e que os trailers venderam. Acho que a Marvel vai deixar todo o peso do vilão praticamente invencível para quando Thanos der o ar da graça em Avengers Infinity War 1 e 2. Nos quadrinhos, o robô é vilanesco, cruel e muito violento.

Vingadores[rightbox]Uma coisa que me incomodou muito foram os cortes do filme, facilmente perceptíveis. Com certeza o estúdio foi o responsavel, pois foi anunciado que a versão para o cinema teria 2h50m  – o corte original tem mais de 3 horas.

Comercialmente, isso é inviável para quem quer ganhar mais $$$$$. Olhaí o motivo da atual treta entre Whedon e o Marvel Studios. Imaginem a versão estendida desse filme!!!!

Por fim, gostei muito do filme, apesar desses deslizes e do excesso da batalha final (me pareceram os Chitauris usando armaduras).

Os personagens foram bem aproveitados (típico do Whedon isso), principalmente o Gavião Arqueiro e a Viúva Negra, que ganharam peso; a Feiticeira Escarlate é um achado; e o Visão a melhor coisa do filme. Já quero um filme solo do Visão pra ontem! E o que dizer dos Novos Vingadores?

Como já tinha dito antes e repito aqui, Vingadores é um filme de gibi que não tem vergonha de se assumir como um filme de gibi.[/rightbox]

Faço uma analogia aqui com a série The Flash, que antes da estréia do Demolidor na Netflix era o programa mais fiel aos quadrinhos da TV. Só quem cresceu lendo quadrinhos desses personagens é que vai entender isso.

Por isso, não sejam haters com críticos que não conhecem esse universo, ok? Eles só gostam de filmes de super-heróis densos e realistas como os da trilogia do Batman de Nolan.

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Whedon nos deu outro filmaço de super-heróis, com mais drama (mas ainda com  muitas piadinhas – não que eu ache ruim) mas não conseguiu superar o primeiro filme – no máximo, eles empatam.

Acho que essa busca pela grandiosidade, pela superação do épico anterior, pode ser bastante prejudicial para o universo cinematográfico da Marvel  – tenho muito medo que no vindouro confronto com Thanos o vilão venha acompanhado de milhares de soldadinhos de chumbo.

Nas HQs, o titã nunca precisou disso e sempre saiu na porrada mano a mano com os Vingadores.

Era de Ultron deixou várias pistas para a Fase 3 da Marvel no cinema (Ragnarok, Pantera Negra, Guerra Civil… Planeta Hulk?), que começa ano que vem com Capitão América 3: Guerra Civil. Fechando a Fase 2 teremos, em poucos meses, o filme do Homem-Formiga, que para mim é uma grande incógnita. Esse vou ver sem nenhuma expectativa. Espero que a Marvel me surpreenda de novo.

NOTA: Quatro canecas de Irish Coffee

Bruno Alves

Bruno Alves é professor, rabisca de vez em quando uns desenhos por aí e tem sempre uma música tocando em off na cabeça, mesmo quando não está usando headphones. E sim, ele gosta dos Titãs.

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