Wolverine: Imortal (quase lá) – Crítica

Cinema

Wolverine: Imortal (quase lá) – Crítica

Quando surgiu nos quadrinhos (na revista The Incredible Hulk #180, outubro de 1974) Wolverine era apenas um mero coadjuvante jogado no meio de uma batalha entre o gigante verde o monstro Wendigo.

O sujeito estranho vestido de amarelo e azul e com garras saindo das mãos se tornaria rodapé na história dos quadrinhos se não tivesse sido incluído pelo seu criador, Len Wein, na nova formação dos X-Men (junto com Colossus, Pássaro Trovejante, Tempestade e Noturno), surgida em maio de 1975. O resto é história.

Wolverine é o herói mais ocupado do Universo Marvel, aparecendo em praticamente todas as revistas da editora, nem que seja fazendo uma ponta. Wolverine na capa vende. E muito.

Não seria diferente no cinema. Um astro nos quadrinhos, Wolverine foi a escolha óbvia para ser o protagonista da versão cinematográfica dos mutantes. Hugh Jackman encarnou com perfeição o personagem nos três filmes da franquia, tornando-o popular entre aqueles não-iniciados nos quadrinhos.

Depois de um filme-solo que, se não foi um fracasso de bilheteria rendeu reações negativas de fãs e críticos (porque o filme é muito, muito ruim), hollywood tentou novamente. E o resultado é positivo.

Wolverine Imortal (The Wolverine, 2013, 126 minutos) chega com a missão de apagar da mente dos fãs o fiasco de 2009. Para isso, o novo filme não é uma sequência e sim um recomeço para o carcaju sanguinolento.

A trama se passa dez anos depois dos acontecimentos de X-Men 3: O Confronto Final, quando Wolverine teve que matar Jean Grey, a Fênix, o amor de sua vida, para salvar o mundo. Atormentado pelo seu ato, Logan não consegue dormir, vive tendo pesadelos e recebe constantemente a fantasmagórica visita da ruiva.

Morando nas florestas do Canadá, o mutante só volta à civilização para comprar mantimentos. Numa dessas idas à cidade, ele vai tirar satisfações com um caçador que feriu um urso cinzento com uma flecha venenosa – por conta disso, o animal ensandecido pela agonia matou cinco pessoas.

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No bar, após confrontar o infeliz caçador, Logan é contatado por Yukio, que lhe transmite o convite do seu senhor, Ichiro Yashida, dono de um império tecnológico japonês, para ir ao Japão. O agora empresário foi salvo da bomba atômica lançada em Nagasaki, em 1945, por Logan e agora, com câncer terminal, quer revê-lo antes de morrer.

Embora relutante, Logan aceita o convite. Ao chegar ao Japão, conhece a bela Mariko Yashida, neta de Ichiro, e descobre a verdadeira intenção do velho: ele quer o fator de cura de Wolverine e diz que pode acabar com a maldição do mutante, dando-lhe uma vida normal.

Wolverine recusa. Mas algo está errado. Seu fator de cura está falhando. E, para piorar, ele se envolve na guerra entre o clâ Yashida e a máfia Yakuza, que lutam por Mariko, herdeira do império. A morte nunca esteve tão perto para o carcaju!

Comparando (e não tem como não fazer isso) com o filme anterior, Wolverine – Imortal é uma obra-prima. Se deixarmos a comparação de lado, Wolverine – Imortal é um bom filme, sem nada de extraordinário. Ainda não é O filme do Wolverine, mas também não faz feio.

Tirando o final corrido e clichê, o roteiro apresentado é redondinho. O diretor James Mangold não tem pressa em contar sua história, que vai sendo desenvolvida aos poucos. O filme é sério, com pouco humor, destoando dos últimos filmes de supers. Hugh Jackman nos dá um Wolverine mais introspectivo, atormentado, em luta com seu interior – embora esse embate não seja tão profundo como nos quadrinhos do personagem.

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Gostei muito da ambientação no Japão. Só pelo fato de ter mantido os diálogos em japonês Mangold já ganhou um ponto – todo mundo sabe que americano detesta ler legendas. As cenas de luta são muito boas – com destaque para Wolverine enfrentando trocentos soldados da Yakuza e no embate com Shingen Yashida, pai de Mariko. Tudo bem que não tem sangue (filme família, né?), mas a ação é bem coreografada e dinâmica. Eu perdi a conta de quantos inimigos Logan fatiou. SNIKT!

Os personagens japoneses são muito bons, com destaque para Yukio e Harada, embora não sejam fiéis à suas versões em quadrinhos. O que é uma pena. De ruim, apenas a vilã Víbora, meio deslocada no cenário como um todo (aliás, o que uma vilã do Capitão América está fazendo aqui?).

Falando nisso, fiquei com inveja de quem nunca leu um quadrinho de Wolverine, porque para esses o filme deve ter sido excelente. Principalmente para quem não leu Eu, Wolverine, hq na qual o filme é levemente inspirado. E bota levemente nisso. Conhecimento às vezes é uma maldição.

Wolverine-Imortal-posterQuase nada foi aproveitado da hq no filme – tirando a cena do urso e do bar, que é perfeita. A Yukio da hq é muito mais legal do que a do filme. E como é que Mangold coloca centenas de ninjas em cena e não faz uma luta épica entre eles e Wolverine?

Se o diretor ganhou um ponto lá em cima, ele perde em sub-utilizar, distorcer e macular um dos melhores personagens orientais da Marvel, o Samurai de Prata! SACRILÉGIO!

Por fim, Wolverine – Imortal promete muito e cumpre pouco, mas esse pouco é suficiente para devolver a dignidade ao carcaju sanguinolento nos cinemas. Quem sabe num terceiro filme as coisas engrenem de vez?

Mantendo a tradição, o filme tem uma cena pós-créditos. E que cena épica! Não vou entregar detalhes, mas ela faz uma ligação com o próximo filme da franquia mutante: X-Men Dias de Um Futuro Esquecido, que vai juntar os mutantes de X-Men First Class com os mutantes da trilogia original dos X-Men. Promete, principalmente pela hq no qual é inspirado. Só espero que, dessa vez, essa inspiração não passe tão longe.

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Bruno Alves

Bruno Alves é professor, rabisca de vez em quando uns desenhos por aí e tem sempre uma música tocando em off na cabeça, mesmo quando não está usando headphones. E sim, ele gosta dos Titãs.

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