X-Men Dias de Um Futuro Esquecido | CRÍTICA

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X-Men Dias de Um Futuro Esquecido | CRÍTICA

Muito antes da Marvel criar um universo interligado no cinema, seus super-heróis já saltitavam pelas telonas. Divididos em estúdios diferentes, eles viviam em mundinhos particulares, onde cada um era o Senhor do seu universo. Foi assim com os mutantes X-Men, cujo filme de 1999 pode ser considerado o pontapé da nova onda de produções super-heroísticas (Blade veio antes, mas ele não é bem assim um super-herói).

Dentro do seu universo, a trilogia X-Men funcionou direitinho e tudo estava bem encaixado – eu até gosto de X3, apesar dos pesares. Quando o primeiro spin-off da série foi lançado (X-Men Origens: Wolverine) a coisa começou a degringolar. Em alguns aspectos, o filme solo do Carcaju batia de frente com alguns pontos da trilogia original.

Quando X-Men Primeira Classe veio à tona, a coisa desandou de vez. Afinal, era um prequel ou um reboot? Onde estava a equipe original que fundou os X-Men, como Ciclope, Tempestade e Jean Grey? Como ninguém explicou nada, a coisa seguiu e ficamos mais perdidos que deficiente visual em meio a um violento confronto armado.

Em meio à bagunça do universo mutante nas telonas (inspirada na bagunça do universo mutante nos quadrinhos?), Bryan Singer voltou à cadeira de diretor e decidiu dar um jeito nisso. A solução? Viagem no tempo, ora!

E não é que ele acertou?

X-Men – Dias de Um Futuro Esquecido: o quadrinho

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Para tal, Singer foi buscar uma das melhores histórias dos “mutunas” em todos os tempos, fruto da parceria bem sucedida entre Chris Claremont nos roteiros e John Byrne na arte (e nos roteiros também): Dias de Um Futuro Esquecido!

Publicada originalmente nas edições 141 e 142 da revista Uncanny X-Men, em 1981, a hq mostra um futuro distópico onde robôs gigantes chamados de Sentinelas comandam os EUA após dizimarem milhões de pessoas, entre mutantes e simpatizantes. Prestes a espalhar o caos pelo mundo, a única saída de um pequeno grupo de X-Men sobreviventes é enviar a mente de Kitty Pride ao passado para tentar impedir o assassinato do senador Robert Kelly pela Irmandade de Mutantes (formada por Mística, Pyro, Blob, Sina e Avalanche), evento que desencadeou a guerra entre humanos e mutantes.

Reza a lenda que o diretor James Cameron se inspirou na hq para criar o universo do Exterminador do Futuro. Alguns dizem que isso é mito. Vai saber.

X-Men Dias de Um Futuro Esquecido: colocando a franquia nos trilhos!

Em 2023, os mutantes estão a beira da extinção. O mundo foi dominado pelos Sentinelas, robôs cuja única função é a de caçar e exterminar pessoas com o gene X. Altamente avançadas, as máquinas conseguem identificar se um humano normal irá gerar um mutante no futuro. Com essa tecnologia, as máquinas criam verdadeiros campos de concentração onde humanos e mutantes vivem aprisionados.

dias-de-um-futuro-esquecido-critica-blink[leftbox]Um grupo de mutantes, os X-Men, compõem a resistência contra as máquinas. Liderados por Charles Xavier (Patrick Stewart) e Erik Lensherr (Ian McKellen), os mutantes tem o tempo correndo contra eles. Os Sentinelas são praticamente imbatíveis pelo fato de conseguirem se adaptar aos poderes mutantes.

Tendo em vista o extermínio iminente, só resta ao grupo uma alternativa extrema: enviar a consciência de um deles ao passado para tentar evitar o evento que resultou nesse mundo caótico. 50 anos atrás, a mutante Mística (Jennifer Lawrence) assassinou o cientista Bolivar Trask (Peter Dinklage), criador dos Sentinelas. Como a transferência da consciência para o passado requer uma resistência sobre-humana, Logan (Hugh Jackman) é o escolhido devido ao seu fator de cura.

A missão de Wolverine é espinhosa: ele precisa convencer as versões jovens de Xavier (James McAvoy) e Magneto (Michael Fassbender) que veio do futuro e que Mística precisa ser detida antes que dê início à extinção da raça mutante. Em 1973, o cenário político é o do final da Guerra do Vietnã. O cientista Bolivar Trask tenta vender ao governo americano a idéia de que o inimigo agora é outro: os mutantes, como todos puderam ver nos eventos mostrados em Cuba (em X-Men Primeira Classe).[/leftbox]

Ao chegar no passado, Logan se depara com um Professor Xavier sem seus poderes e recluso em sua mansão, atormentado pelas perdas que teve. O único que ficou ao seu lado foi Hank McCoy, o Fera (Nicholas Hoult); Magneto está preso em Washington; os primeiros X-Men estão dispersos; e Mística deixou de ser a garota que Xavier conheceu e se tornou a mão da vingança dos mutantes contra a humanidade. Sua missão: matar Bolivar Trask!

Enquanto Logan tenta resolver seus problemas em 1973, o tempo corre em 2023, com os X-Mens do futuro travando sua última batalha contra os Sentinelas, com trágicas consequências.

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A produção

Desde os primeiros teasers do filme todo mundo ficou com os dois pés atrás: personagens demais, bagunça total na cronologia, Wolverine em destaque mais uma vez… a pergunta era: será que Bryan Singer conseguiria se redimir (não prá mim, digo logo, já que considero os dois primeiros X-Men excelentes)?

X-fãs, acalmem-se e relaxem! Sim, ele conseguiu e, na maioria das vezes, acertou o tom e organizou a bagunça.

Vamos aos destaques:

O futuro pintado por Singer é aterrador! O céu negro e a pilha de esqueletos no chão mostra que a guerra foi sangrenta (olha a citação ao Exterminador do Futuro aí…). Os Sentinelas do futuro são assustadores e implacáveis. Eles se adaptam aos ataques sofridos e reagem impiedosamente. Preparem-se para suar pelos olhos em algumas sequências….

Os X-Men do futuro são tudo aquilo que todo fanboy quis ver durante toda a franquia – e é lindo ver todos usando seus poderes como nos quadrinhos. Apesar de terem pouco tempo de tela, os mutantes Bishop, Blink, Homem de Gelo, Colossus, Mancha Solar, Apache e Tempestade fazem toda a diferença na batalha contra os robôs enquanto Kitty Pride mantém a consciência de Logan no passado. As cenas de batalha entre os mutantes e os Sentinelas são sensacionais e extremamente brutais!

A direção de arte é espetacular, tanto no futuro quanto no passado. Sem excessos, 1973 é representado não só pelo vestuário, mobiliário e veículos, mas pela textura das transmissões de tv, que emulam a qualidade de imagem do período. A tecnologia retrô é muito bem detalhada – a cena no laboratório do Fera na Mansão Xavier é um bom exemplo e tem uma referência que vão deixar trekeers felizes.

A trilha sonora de John Ottman é excelente e muito bem entrelaçada com os momentos mais cruciais do filme. Eu meço a qualidade de uma trilha quando, depois de ter visto o filme, fico com vontade de escutá-la fora do cinema. E isso aconteceu com essa. Recomendo, embora tenha sentido falta do tema de Magneto (de Primeira Classe)!

Apesar de Wolverine voltar no tempo, o filme não é centrado nele e há um bom equilíbrio entre os personagens. Hugh Jackman é hours-concours e seu Wolverine é tudo aquilo que já esperávamos. Na verdade, ele é vital para o desenvolvimento da história, mas funciona como se fosse os olhos do espectador. Há um momento no filme em que ele praticamente “desaparece”, já que tinha cumprido sua missão. O confronto dele com Magneto é outra sequência feita para agradar os fãs dos quadrinhos! 

A força do filme reside no trio McAvoy-Fassbender-Lawrence! Nunca vimos um Xavier assim, tão alquebrado, e McAvoy consegue passar com maestria a crise do personagem; Fassbender nos dá um Magneto superpoderoso, implacável, imprevisível e ainda mais decidido a salvar sua raça; e Jennifer Lawrence mostra porque é um dos melhores talentos de sua geração – sua Mística caminha entre a doce e romântica Raven que cresceu com Xavier e a eficiente metamorfa Mística, que anda pelo mundo ajudando seu povo. A relação entre esses três personagens é que dá substância ao filme!

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Peter Dinklage está excelente (e falar isso é chover no molhado). Seu Bolivar Trask não é um vilão clichê – ele tem uma motivação aceitável e sua missão é impedir que sua raça seja substituída. Ele tem, ao mesmo tempo, medo e paixão pelos mutantes.

A sequência com Mercúrio é tudo aquilo que falaram dela, podendo ser considerada clássica no nível da abertura de X-Men 2 com o Noturno (que ainda é insuperável). Gostei muito do Evan Peters como o mutante – e prestem atenção nas referências a sua origem nos quadrinhos. O Mercúrio de Os Vingadores 2 deve estar sofrendo um upgrade depois da Marvel ter visto a performance do Peters…

O que poderia ter se tornado um samba do afrodescendente mentalmente prejudicado (viagem no tempo, dois elencos diferentes, etc) felizmente não acontece. O trio de roteiristas Simon Kinberg, Jane Goldman e Matthew Vaughn (diretor de Primeira Classe e Kick-Ass) conseguiu traduzir a essência da história original e o que vemos é uma trama fluida e bem dosada entre drama e ação.

Não tem Stan Lee. Mas tem as participações de Chris Claremont, escritor da hq Dias de Um Futuro Esquecido, e Len Wein, o cara que criou o Wolverine e co-criou os Novos X-Men Noturno, Colossus, Tempestade e Pássaro Trovejante – eles participam como congressistas em uma cena.

É um filme perfeito, então? Claro que não! Depois que sai do cinema fiquei matutando e alguns furos de roteiro foram surgindo e algumas questões ficaram sem respostas – algumas são bem bobas, outras mais preocupantes. Porém, nada que comprometa o resultado final.

Mas, vamos ao que importa: afinal, a bagunça cronológica foi arrumada, permaneceu a mesma ou ficou mais complicada?

Responder a isso seria entregar spoilers pesados. Mas posso dizer uma coisa: X-Men Dias de Um Futuro Esquecido deixa excelentes possibilidades para a franquia mutante nos cinemas. E isso poderá ser confirmado em 2016, com X-Men: Apocalypse. Ou não. Quem viver, verá.

E, parafraseando os fãs de Nolan: in Singer we trust!

NOTA:

Cinco canecas de Café Irlandês!

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Bruno Alves

Bruno Alves é professor, rabisca de vez em quando uns desenhos por aí e tem sempre uma música tocando em off na cabeça, mesmo quando não está usando headphones. E sim, ele gosta dos Titãs.

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