DLC: Disc Locked Content?

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DLC: Disc Locked Content?

Fala galera! Tudo certo? Jogaram muito esse final de semana? Eu joguei! Mas esse post não é pra falar disso. Nesse post eu venho debater uma questão pertinente que enche os comentários dos blogs e sites especializados sempre que é levantada. As opiniões variam e o debate está longe de chegar a uma conclusão. Falo do DLC (Downloadable Content), conteúdo extra dos jogos que é baixado através das plataformas online de cada sistema.

Em sua essência, os DLCs não são novidade. PC Gamers estão bastante acostumados com o termo "expansão", um pacote vendido em separado do jogo original contendo novos estágios, história, modos de jogo ou qualquer outra coisa. Via de regra, para jogar o conteúdo da expansão você precisa ter o jogo original.

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Com a chegada dos consoles conectados à internet e com plataformas próprias para comércio de produtos digitais (PSStore, XBLM e Wii Shop Channel), abriu-se a oportunidade para os produtores lançarem patches de correções para bugs após o lançamento do jogo bem como, conforme o foco desse post, conteúdo extra, extendendo a vida útil de um game dando aos jogadores a oportunidade de revisitarem aquela experiência. No papel, a ideia é perfeita.

No entanto, pacotes de expansão necessitam ser comercialmente viáveis. Além dos custos de produção um pacote de expansão envolve custos logísticos (estoque, embalagem, produção do CD, distribuição…) e para evitar um prejuízo massivo, havia um certo nível de exigência para que a expansão justificasse seu preço. Em outras palavras, um pacote de expansão tem que ter conteúdo.

O mesmo não ocorre com os DLCs. Como os DLCs são distribuídos digitalmente, uma boa parte dos custos logísticos são inexistentes e as empresas podem disponibilizar incrementos menores e não-essenciais (como roupas extras para o seu personagem favorito) a preços módicos ou mesmo gratuitamente. Comercialmente, a prática tem sido um sucesso, mas eventualmente foi deturpada.

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Como disse, a ideia original era que o jogador pagasse para ter acesso a um "plus" na sua experiência mesmo meses após o lançamento. O que vemos hoje em dia, porém, são mais e mais desenvolvedoras anunciando DLCs ANTES do jogo sequer ter sido lançado*. Pior ainda, lançando-os simultaneamente com o próprio game completo e cobrando por isso, como vimos recentemente com o DLC "From Ashes" do Mass Effect 3. No caso do From Ashes, trata-se de mais ou menos 1 a 2 horas a mais de conteúdo por US$10.00 sendo que o jogo no lançamento já custa US$60.00. WTF?

Mas, esse não é o lado mais perverso. O pior tem sido as empresas que lançam seus jogos com parte do conteúdo no disco desabilitado/locked, cobrando alguns $$ a mais para liberar o acesso ao que, em teoria, já foi pago e deveria ser meu. Daí o termo "Disc Locked Content" no título do post, usado como sinônimo de DLC entre os que desprezam essa prática. A Capcom, empresa da qual já fui grande fã, é a mais recente culpada disso (e a que o faz com maior frequência também). Foi identificado no conteúdo do disco de Street Fighter x Tekken que o jogo tem 12 personagens a mais, além de roupas extras. Há alguns dias a empresa anunciou os preços desses "DLCs" e quem quiser ter acesso a tudo que está no seu disco deverá desembolsar pelo menos US$33.00 a mais! A notícia gerou tanta revolta que hackers, para provarem o que estavam falando sobre o conteúdo, começaram a jogar com os personagens extras online na Xbox Live para todo mundo ver.

Em retaliação, a Capcom pediu aos fãs que identificassem e denunciassem esses hackers imediatamente para que a Microsoft pudesse bani-los da rede. Pra mim, essa foi a coisa mais absurda que já vi uma empresa de games fazer com os seus fãs, é querer transformar os jogadores em pseudo-nazistas a troco de nada. Claro que o tiro saiu pela culatra e a repercussão negativa em fóruns e blogs só denegriu ainda mais a imagem da Capcom. No fim das contas, a mesma afirmou que continuará as investigações sem a nossa ajuda.

O fato é que nem as empresas, nem os jogadores, tem muita certeza de como seria a melhor maneira de praticar os DLCs. Todos tem uma opinião, mas não há consenso. Um ex-funcionário da BioWare até ofereceu uma justificativa razoável para o lançamento de DLC simultâneo ao próprio jogo em si.

É preciso discutir e pesquisar bastante a opinião e comportamento dos consumidores antes de se chegar a uma "fórmula perfeita", talvez seja necessária até mesmo uma regulamentação governamental em torno do desenvolvimento e comercialização de conteúdos extras para games.

Quem sabe?

O que sabemos com certeza é que esse é um caminho sem volta. Especialmente a medida que a distribuição de conteúdo para consoles torna-se mais digital e interconectada.

E você, qual a sua opinião? Deixa aí nos comentários e vamos continuar essa discussão!

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*A notícia diz que na época os produtores de FF13-2 não haviam decidido se na versão americana o game viria com o DLC incluso gratuitamente ou não. Só pra informar: não vem. Na verdade quem fez pre-order na Amazon recebeu o Omega como DLC, na GameStop foi uma arma para a Serah e na BestBuy era o livro Episode i que conta o desenrolar da história entre o Final Fantasy XIII e XIII-2. Todo o resto teve que pagar pra ter acesso a esses extras, menos o Episode i que era exclusivo para pre-order na BestBuy (eu consegui!).

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