Porque Assassin’s Creed III pode revitalizar a franquia

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Porque Assassin’s Creed III pode revitalizar a franquia

"Um novo Assassin’s Creed será lançado esse ano."

Não era preciso ser um X-Men ou viajar no tempo pra saber disso. O fato é que Assassin’s Creed, o game produzido pela competentíssima Jayde Raymond, tornou-se uma franquia carro-chefe da Ubisoft nessa geração como Prince of Persia foi na geração anterior. Curiosamente, as duas séries compartilham algumas similaridades (inclusive a produtora dos primeiros games!), mas não vou discutir tais detalhes nesse momento.

 

No entanto, para se manter relevante e ao mesmo tempo maximizar os lucros, as empresas exercem uma tática bastante conhecida (e detestada) por gamers mais ávidos: Milkar. Para os novos, milkar advém do inglês "milking", uma alusão ao exercício de extrair leite de uma vaca constantemente até esgotar. Na indústria dos games essa expressão é utilizada quando uma empresa identifica uma determinada franquia como lucrativa e opta por lançar continuações (sequels) para ela com frequência, muitas vezes provendo pouco ou nenhum incremento sobre a versão anterior, até o público cansar e migrar. Um exemplo bastante conhecido de milking são os games da série Guitar Hero, sugada de tal forma que no ano passado a Activision Blizzard declarou sua morte por não conseguir manter as vendas.

A razão para as empresas optarem por essa estratégia é bem simples: tais continuações implicam em um baixíssimo custo, pois os fundamentos do game são essencialmente os mesmos, já estão desenvolvidos e testados. Numa era em que o custo de desenvolvimento de um game da geração HD ultrapassa facilmente os 20 milhões de dólares e os seus maiores mercados consumidores enfrentam uma crise financeira sem precedentes, milkar é a forma mais segura de manter margens de lucro satisfatórias, embora seja a menos sustentável no longo prazo.

E é nesse contexto que vimos Assassin’s Creed se desenvolver. O primeiro game, lançado em 2007, teve uma boa recepção da crítica por seus gráficos, a fluidez da sua movimentação e alguns aspectos da gameplay, porém esses mesmos aspectos foram criticados por se repetirem constantemente ao longo do game, nunca se renovando. Mesmo assim, para um game de 2007, quando as plataformas atuais não possuíam muitos lançamentos, era o suficiente para conquistar boas vendas e fixar a marca na cabeça dos fãs.

2 anos depois, chega Assassin’s Creed II, com sua jogabilidade repensada, um novo protagonista e uma nova ambientação. A crítica teceu vários elogios ao game e o público abraçou a franquia de tal modo que a mesma alcançou um sucesso de mais de 9 milhões de cópias vendidas em poucos meses. Apesar de seu lançamento ter coincidido na semana seguinte ao lançamento de Call of Duty: Modern Warfare 2, que veio a se tornar o segundo jogo mais vendido da história em alguns países, Assassin’s Creed II mostrou que a franquia estava madura, pronta para ser "ordenhada".

Certa de sua aposta, a Ubisoft começou uma avalanche de produtos ligados a série, desde jogos promocionais para Facebook e livros contando diversas histórias paralelas, até um curta-metragem estrelando Giovanni Auditore, pai de Ezio Auditore da Firenze (protagonista de AC2), utilizado para promover o game. Principalmente, Assassin’s Creed passou a ser uma série com novos títulos lançados anualmente para consoles, primeiramente com Assassin’s Creed: Brotherhood em 2010 e mais recentemente com Assassin’s Creed: Revelations em 2011.

O problema dessa estratégia é que ela cria uma zona de conforto. Dentro dela a empresa se limita a fazer pequenos incrementos entre cada novo jogo, provocando no jogador a sensação de estar jogando essencialmente a mesma coisa novamente, 1 ano depois e pagando US$60.00 por isso. Tal problema quase sempre é citado nas reviews dos dois últimos jogos da franquia, sendo o Brotherhood um bom game embora geralmente lembrado apenas por ter sido o primeiro game com online multiplayer da série, enquanto o Revelations é visto como o game com jogabilidade mais refinada da série, mas que repete a fórmula dos anteriores sem acrescentar nada de relevante.

Pior, essas continuações frequentes e produtos complementares diversos vão impossibilitando a base de usuários de manter o crescimento. Novos fãs que queiram adentrar no universo de Assassin’s Creed a partir do Revelations, por exemplo, precisarão pelo menos jogar o ACII e Brotherhood ou gastar algumas horas assistindo Let’s Play deles no Youtube para conseguir entender o que se passa no jogo mais recente. De fato, foi por essa razão que deixei passar várias ofertas da Black Friday que ofereciam Assassin’s Creed Revelations por US$40.00 poucos dias após o lançamento.

Sim, meu tempo jogando Assassin’s Creed limita-se a metade do primeiro game, mas tenho grande respeito pelo que a série conquistou em termos de fãs e recriar ambientações históricas interessantes de serem exploradas. Estava disposto a remediar isso no ano passado, mas o desgaste causado pelo milking atingiu até a mim.

Este ano, já sabíamos que haveria um novo Assassin’s Creed e, prevendo um desgaste ainda maior da franquia, eu nem considerei inclui-lo na minha lista dos

10 jogos mais esperados de 2012. Aparentemente, eu estava enganado.

O trailer acima foi revelado na semana passada e, para o alívio geral (inclusive o meu próprio), a Ubisoft promete soprar novo oxigênio na trilogia dos assassinos. Assassin’s Creed III vai se passar no século 18, expandindo-se através da Revolução Americana e introduzindo um novo protagonista, Ratohnhakéton, um meio inglês meio nativo americano (ameríndio). Além do nome complicado, Ratohnhakéton possui todo um novo arsenal pelo que pode-se ver no trailer, incluindo machado e pistolas. Aliás, Ratohnhakéton (vocês não imaginam como é chato digitar isso três vezes seguidas) utiliza um outro nome durante o game, Connor (ufa!). Outra novidade parece ser o fato de que haverá exploração de áreas selvagens, como florestas, em grande escala. Inclusive podendo escalar árvores e utilizá-las para os ataques.

A Ubisoft já assegurou que teremos a presença de figuras históricas importantes, como o primeiro presidente americano, George Washington (!), o pai de muitas invenções, Benjamin Franklin e o general Charles Lee. O Anvil Engine, utilizado em todos os games da série, foi atualizado e suportará mapas maiores e até 1000 personagens simultâneos na tela (anteriormente, esse número era de 100 personagens).

Entre novidades na jogabilidade, novo protagonista, nova ambientação e um game que esteve em desenvolvimento desde o lançamento de Assassin’s Creed II, declaro aqui que Assassin’s Creed III é oficialmente um dos jogos mais esperados de 2012 por mim. E vocês, fãs e não-fãs, o que gostam nessa série? Estão tão ansiosos quanto eu pra conhecer o novo assassino? Comenta aí!

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