Estudo utiliza video games para tratar doenças como depressão, TDAH, demência e autismo.

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Estudo utiliza video games para tratar doenças como depressão, TDAH, demência e autismo.

Um grupo de neurocientistas tem testado a eficácia clínica de video games no tratamento de depressão, TDAH, demência e autismo. Os estudos já possuem efeitos positivos na redução de stress, qualidade do sono e desenvolvimento de capacidades cognitivas.

No verão passado, o neurocientista Adam Gazzaley passou dois meses jogando videogames. Durante cinco dias por semana, ele jogou Meditrain – um jogo desenvolvido em colaboração com Zynga, que envolve meditação – em seu iPad; e outro chamado Ritmicity, que ele desenvolveu com Mickey Hart, baterista do Grateful Dead e Rob Garza da Thievery Corporação. “O experimento baseia-se na hipótese de que nosso cérebro é uma máquina rítmica“, diz Gazzaley. “Se nos tornarmos mais rítmicos, melhoraremos a coerência entre as áreas cerebrais e veremos um benefício na cognição”.

Projeto Neuroman

Gazzaley também criou a rotina de, em seu laboratório na Universidade da Califórnia em San Francisco, às 7h30, três vezes por semana, jogar Body Brain Trainer – um jogo que treina a aptidão física e cognitiva usando a captura de movimento. “Este projeto é muito diferente de qualquer coisa que eu já envolvi em antes“, diz Gazzaley. “É a minha própria exploração de um programa de condicionamento físico e neurológico único, ou como nos referimos no laboratório, o projeto Neuroman. “Ele dá-me uma visão única de ser um participante de um dos nossos estudos, dos jogos que eu ajudei a projetar e desenvolver; além da oportunidade de ver quantas das minhas métricas cognitivas, físicas e neurais, em meus 46 anos, eu posso forçar para um nível de 20 anos de idade.”

Para monitorar seu progresso, Gazzaley usou ressonância magnética, eletroencefalografia, testes de estresse, testes físicos, monitoramento de sono, saliva e análise de sangue. O projeto de Neuroman não validará cientificamente estes jogos. Contudo estudos clínicos randomizados controlados com placebo e duplo-cegos podem fazê-lo.

Tratamento de depressão e outras doenças mentais

Gazzaley é também o co-fundador da Akili Interactive, uma empresa de jogos baseada em Boston que desenvolveu o Evo. O jogo logo começará a ser clinicamente testado como parte do processo de aprovação da Food and Drug Administration dos EUA; em uma população clínica de pacientes com TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade). “Precisamos provar que este jogo tem o mesmo nível de eficácia clínica que os produtos farmacêuticos atuais“, diz Gazzaley.

O grupo acredita que esse jogo será o primeiro de uma nova classe de medicina totalmente digital. Algo que pode nos ajudar não só a melhorar o nosso cérebro, mas também tratar condições como depressão, traumatismo crânio-encefálico, TDAH, demência e autismo.

Video Games e Medicamentos

Além de projetar jogos para ativar e estimular redes específicas do cérebro, eles também realizam testes com novas medidas. Tais como movimento dos olhos, respostas cutâneas, movimento corporal e variabilidade da freqüência cardíaca.

Os dados de desempenho do cérebro capturados durante a jogabilidade são analisados. Então o jogo é re-adaptado com base nessa informaçãoNós também podemos tomar dados de eletroencefalografia para guiar a estimulação transcraniana do cérebro. Há 50 anos procura-se encontrar drogas que melhorem a cognição e não temos uma única história de sucesso”, diz Gazzaley.

Ele afirma que há várias razões para tal falha. Medicamentos não conseguem atingir certas áreas do cérebro, nem são capazes de dizer se o seu propósito foi atingido. Elas não são personalizados para os genes do paciente. Usando jogos de vídeo, Gazzaley está projetando um sistema para melhorar nossos cérebros; que é personalizado e adaptado de acordo com o retorno (feedback) das ações em cada paciente. “Atualmente, você toma uma pílula e avalia subjetivamente seus próprios efeitos. Ao voltar ao médico meses depois, ele toma uma decisão sem base em dados concretos. É um processo muito descuidado” diz Gazzaley.

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Murilo Lima

Criador e editor-chefe do Geek Café. Administrador entusiasta de novas mídias, inovação e mentes fora da caixa.

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