Conhecido no Japão como Jigoku Shojo, HELL GIRL a “Garota do Inferno” é um anime que eventualmente se transformou em mangá (e não o contrário) e também em live action. No artigo de hoje, iremos explorar esta última, sendo uma série japonesa de 12 episódios que são, no mínimo, muito interessantes.

Cada um dos episódios conta uma história independente que envolve algum tipo de vingança, seja o funcionário que tem um chefe abusivo e quer “dar o troco”, ou uma mulher que sofre bullying no colégio e quer atacar a menina que lhe faz mal.

Nesse contexto, há uma lenda urbana que diz que há um site que só funciona a meia-noite, e para conseguir acessá-lo é necessário muita sorte, como uma espécie daquelas loterias online. No entanto, a lenda é verdadeira, e aqueles que querem a morte devem digitar o nome dele e esperar uma visita da Garota do Inferno. Caso consiga, a menina, com olhar extremamente melancólico, entregará um boneco com uma fita e dirá:

Desate o nó e a pessoa que você quer morrerá e irá para o inferno, mas tome cuidado: ao fazer isso, você também irá ao inferno quando morrer”.

O interessante é que, compartilhando spoilers neste parágrafo, é explicado ao longo da trama que a menina do inferno está pagando um pecado pela sua tribo há cerca de 400 anos, e por isso ela foi designada pelo mundo espiritual para ser “HELL GIRL”, justificando também o olhar triste na hora de assassinar as pessoas de modo tão brutal. A única forma dela se livrar desta função e ter finalmente paz, é que pelo menos uma pessoa não desatasse o nó do boneco. No entanto, aqueles que a procuram estão tão desesperados por vingança, que não se importam de um dia irem ao inferno, contanto que o seu inimigo também vá.

Mesmo com história independentes, o início do live action pode ser um pouco repetitivo, compensando mais pelas cenas de violência e gore que entram um pouco no “trash”, sendo o típico filme de terror “B”, mas que é divertida justamente por isso. Já a história, ao longo dos capítulos, vai ganhando um ritmo interessante.

Além disso, os episódios contados no live action se referem exclusivamente a primeira temporada, já que no anime renderam mais duas, e haverá uma nova adaptação para filme em live action no ano de 2019.

Curiosamente, o contato com a Garota do Inferno parece acompanhar a tecnologia vigente. Como ela trabalha há 400 anos nesse segmento, há um episódio em que demonstra que seu primeiro trabalho veio através de carta. Com o tempo, as pessoas podiam se corresponder com o inferno através de jornais impressos e até mesmo uma opção adaptada para smartphones.

Chama a atenção as semelhanças também com outra série de sucesso que também foi adaptada em live action: Death Note, sendo considerado uma versão mais feminina deste.

Já a trilha sonora também chama a atenção e é considerada um marco na série. Composta por Yasuharu Takanashi, o live action aproveita muitas músicas do anime e também inclui inéditas. No Japão, foram lançados dois CDs com as músicas, um contendo 24 faixas e o segundo contendo 26.

Quanto ao anime, ele foi desenvolvido pela Aniplex e pelo Studio Deen, e foi dividido em três temporadas com 26 episódios. Diferente do Live Action, o anime dá um final conclusivo para a protagonista Enma Ai (A Garota do Inferno), não deixando o final em aberto. Além disso, a última temporada é focada em uma única história, não em tramas independentes como nas anteriores.

Também há uma versão em game para Nintendo DS em estilo visual novel que segue a história do anime, e também um jogo para o PlayStation 2, também no mesmo gênero. Ambos foram lançados exclusivamente no Japão, mas possuem traduções não oficiais para o inglês feitas por fãs.

Por mais que a série não tenha sido um hit mundial como o já citado Death Note, Naruto ou Dragon Ball, tanto o anime, quanto o live action e o mangá renderam relativo sucesso e é muito lembrado entre os fãs mais hardcores da cultura japonesa.

Por lá, os episódios do live action renderam bons índices de audiência na Nippon Television, e muitos atribuem isso a escolha do elenco de atores, em especial a Aya Sugimoto, que anteriormente tinha feito a Rainha Beryl no Live Action de Sailor Moon, e também a atriz Sayuri Iwata, que também é uma cantora famosa em sua terra natal e participou de filmes da série Kamen Rider.

No fim das contas, se você curte uma boa série de terror que é um pouco “trash”, mas é igualmente envolvente, nós recomendamos dar uma chance a Garota do Inferno. Um pouco previsível, mas divertido mesmo assim.