O Homem de Aço | Crítica

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O Homem de Aço | Crítica

Com de roteiro de Christopher Nolan e David S. Goyer (Trilogia Batman O Cavaleiro das Trevas) e direção de Zack Snider (300 e Watchmen), O Homem de Aço nos apresenta um Superman nunca visto e pronto para um novo momento de glória na história do primeiro e mais poderoso super-herói do universo.

Desde moleque, o Super Homem tem sido um dos meus heróis preferidos nos quadrinhos (ao lado do Batman). Cresci lendo suas histórias e vendo seus filmes incríveis (os dois primeiros) estrelados por Christopher Reeve – até sugeri a minha mãe que desse o nome de Chris ao meu irmão caçula, já que Clark ou Kal seria apelar demais para a pobre.

Contudo, o reinado do Último filho de Krypton começou a se desestabilizar tanto no cinema quanto nos quadrinhos. Nem gosto de lembrar da saga Superman Azul e Vermelho nos quadrinhos (argh!), da série de Tv Lois & Clark e do filme Superman Returns (LIXO!) , dirigido por Bryan Singer (X-men) em 2006.

Após tanto sofrimento, meu interesse pelo personagem foi definhando e só não se extinguiu porque acompanhei a “fase boa”, se é que realmente teve, da série teen SmallVille, que retratava a adolescência de Clark Kent criando altas confusões na cidade onde cresceu antes de se mudar para Metrópolis. Como eu também era adolescente na época, era natural curtir esse “Barrados no Baile com mutantes” mas em 10 anos de série eu cresci um pouco e vi que também não era lá essa Coca toda.

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Enfim, alguns anos se passaram e, após o sucesso majestoso da trilogia Batman, A Warner Bros. concedeu poder pleno para Christopher Nolan construir o universo DC no cinema, que culminará no filme da Liga da Justiça.

Como primeiro passo da missão, o desafio era reviver a magia do Homem de Aço. Zack Snider foi o escolhido para dirigir um elenco de primeira linha com Henry Cavill, Kevin Costner, Russell Crowe, Laurence Fisburne, Diane Lane, Amy Adams e Michael Shannon.

Tive a oportunidade de conferir a pré-estreia de O Homem de Aço e sair feliz do cinema agradecendo ao trio Nolan, Snider e Goyer por me trazer de volta aquele sentimento da infância ao terminar de ver um filme ou hq do super.

É um pássaro? É um avião? Não! É o Super-homem… ou quase isso

Em O Homem de Aço, começamos acompanhando os últimos dias de Krypton, com Jor-El (Russell Crowe perfeito no papel) lutando para salvar a vida de seu filho Kal-El, enviando-o ao planeta Terra. Desde o primeiro minuto do filme, as paletas de cores (que filme bonito!) nos fazem lembrar dos trabalhos passados de Snyder (Watchmen e Sucker Punch) e o visual criado por ele, tanto da atmosfera do planeta, passando por sua tecnologia até os trajes krypitonianos me deixaram maravilhado. – Pode querer um prequel em Krypton? –

Através de uma história não-linear, vemos o desenvolvimento de Kal-El, lutando contra seus monstros internos, na busca por encontrar seu lugar neste mundo ao qual não pertence. O roteiro de Nolan e Goyer nos apresenta um novo Superman, distante de tudo o que já foi trabalhado nos filmes anteriores. Trata-se de uma nova roupagem, adaptada a nova geração de fãs e que acerta em cheio no tom que eu esperava para o futuro do universo DC. Nem sombrio como o Batman, nem alegre como Os Vingadores.

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Se o super do Christopher Reeve era romântico, idealista, condescendente, inocente e bom demais, em Homem de Aço ainda não estamos nesta fase do personagem de conseguir colocar a segurança da humanidade em primeiro lugar custe o que custar. Kal derruba prédios sem dó nem piedade, aparentemente sem se importar com quem está no meio do caminho – pra ter uma ideia melhor, multiplique o nível de destruição de Vingadores por Transformers e chegará perto. Mas, pense comigo: Se ele mal controla os poderes direito, vai ter experiência de parar pra pensar em todas as consequências enquanto luta contra 3 “supers” iguais a ele?

Seguindo a linha mais sóbria, todos os conceitos fantasiosos são trazidos para a ficção científica, a fim de explicar a existência de um ser tão poderoso naquele universo. É aí que Snider se supera, apresentando conceitos, criando uma atmosfera envolvente, que faz do filme mais do que um filme de super-herói, um ótimo filme de ficção científica. Alguns momentos me lembraram Além da Escuridão – Star Trek.

O novo Superman

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Henry Cavill desenvolve bem o papel, dando uma identidade interessante ao personagem. Desde as cenas mais emotivas como a do tornado ou a conversa com sua mãe terráquea Martha Kent (Diane Lane) sobre seus pais biológicos, passando pela ação desenfreada e o desfecho final, identifiquei uma atuação muito boa, segura, principalmente nas cenas onde não há diálogos. Porém, ainda não senti que ele é O cara pro papel. Ainda não sei o que falta, mas fica aquela estranheza no ar.

Elenco secundário com pegada de primeira

Amy Adams, como a icônica jornalista investigativa Lois Lane, conhece o Clark Kent de uma forma totalmente nova também, tendo toda a sua ligação com o herói alterada de uma forma que me deixou com receio de que fosse terminar estragando a história, mas a Amy salvou o filme nos entregando o futuro da relação entre os dois com seu último sorriso – ponto pra sua atuação. Pena que a maioria dos erros de roteiro envolvem a moça e isto me fez gostar menos da personagem.

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Russell Crowe está numa ótima fase e deu uma vida ao Jor-El que nenhum fã esperava presenciar, mas foi por causa de Kevin Costner no melhor Jonathan Kent – EVER! – que meus olhos marejaram na cena final.

Fechando com chave de ouro, o vilão! General Zod (Michael Shannon) é muito mais badass, motivado e dramático que praticamente todos os vilões de filmes de super heróis que vimos até agora.

Ação, destruição em massa, efeitos especiais e 3D

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Os efeitos especiais são animais! Snider só pesou um pouco a mão na computação gráfica na hora das lutas, mas não me incomodou porque ele sabe fazer cenas de ação com batalhas em mundo aberto como ninguém. O 3D não se destaca em momento algum. Assista em 2D de boa, economize uma grana e talvez até se perca menos nas cenas de ação que em alguns momentos são MUITO rápidas e um pouquinho confusas.

Um ponto que sem sombra de dúvidas chamará sua atenção é a destruição em massa resultante da batalha entre os krypitonianos. Imagine o super-herói mais poderoso do universo, no calor do momento, inexperiente em batalhas, sem controlar muito bem seus poderes e lutando contra 3 outros seres tão poderosos quanto ele. Agora acrescente a isto Christopher Nolan e Zack Snyder brincando de destruir o mundo no estilo Dragon Ball Z e prepare-se para uma das melhores cenas de ação em filmes deste estilo que você já viu. Ficou muito longa, mas eu curti!

O FIM… enfim

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Gostei da reconstrução do mito, apresentando-lhe durante todo o filme como um andarilho, perdido, vagando pelo mundo sem entender qual o seu lugar até descobrir o seu papel de herói e aceitá-lo de cara limpa. Não tem como não lembrar da formula de “Batman Begins”.

É um reboot como deveria ser, apresentando o personagem a uma nova geração de espectadores, dando uma nova roupagem que, ao mesmo tempo, gere identificação com este público e respeite os fãs de longa data.

O final é foda pros fãs old school porque deixa a pessoa se perguntando se esse é mesmo o superman. Eu digo que ainda não! Entendo que a cena final contribuirá muito mais para a transformação deste Homem de Aço, mudando-o de maneiras que o tornarão um Superman muito mais interessante. O segundo filme já está quase certo e espero ter a mesma emoção acompanhando esta nova fase do último filho de Krypton que tive ao acompanhar a do Batman.

E não vou compará-lo a Vingadores, pois, pra mim se trata de uma obra com uma pegada totalmente diferente ao escolher “abandonar” a fantasia, desbravando o caminho da ficção científica.

Agora corram pro cinema, vejam o filme e voltem aqui pra concordar, discordar e contribuir com sua opinião sobre O Homem de Aço.

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Murilo Lima

Criador e editor-chefe do Geek Café. Administrador entusiasta de novas mídias, inovação e mentes fora da caixa.

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