Por que existem poucas personagens femininas em Star Wars?

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Por que existem poucas personagens femininas em Star Wars?

[rightbox]Esses dias, enquanto passeava pelas redes sociais fui pega de surpresa com a notícia do anúncio de que Star Wars VII teve o elenco divulgado. Entre a alegria pela volta dos clássicos atores da série, como Harrison Ford (Han Solo), Carrie Fisher (Princesa Leia) e Mark Hamill (Luke Skywalker), cresceu entre os fãs as especulações sobre os novos personagens e questões do tipo: “Será que Andy Serkis (Gollum na trilogia de ‘O Senhor dos Anéis’ e em ‘O Hobbit’) fará algum tipo de E.T. por captura de movimentos?” – apareceram instantaneamente.

Naturalmente, é possível imaginar que você como bom fã de Star Wars resolveu dar uma olhada em todos os novos atores que estão chegando pra fazer parte da franquia e analisar quais personagens dentro do Universo Expandido (UE) da série eles estariam bem encaixados. Não deu tempo (ainda) de fazer isso? Bem, confesso que eu também não tive tempo. Mas isso não é algo pra se exasperar. Nos próximos dias muito sobre as várias questões associadas à nova franquia serão discutidas por toda a Internet e também aqui no Geek Café.[/rightbox]

Star Wars VII Elenco confirmado

[leftbox]Mas como algumas pessoas não gostam de perder tempo saímos a caça do que esta sendo relevantemente discutido sobre o tema, e tal foi minha surpresa quando avistei (graças ao Bruno Alves) uma matéria com um nome bem peculiar: Hey Star Wars – Where the Hell Are the Women?. Sim, exatamente o que você leu (se não entendeu a tradução é “Ei Star Wars – Onde diabos estão as mulheres?”) e na minha cabeça algo mudou.

O texto (que esta amplamente sendo debatido) é da jornalista e escritora americana Annalee Newitz, famosa por escrever pra revistas de impacto cultural sobre ciência e tecnologia, focando especialmente em estudos sobre software livre e a disseminada (e discriminada) cultura hacker.

Annalee, como a grande maioria dos fãs da franquia, ficou encantada com o anúncio do novo elenco. Mas, diferente da maioria que estava pensando em como Harrison Ford ficará pilotando uma nave espacial aos seus 71 anos de idade, ela olhou pra lista de sete novos atores confirmados e notou que apenas um nome feminino figurava, o nome de Daisy Ridley (atriz pouco conhecida do grande público).

Então, Annalee escreveu:[/leftbox]

Há apenas uma nova personagem feminina que está sendo adicionada ao que indiscutivelmente é a série mítica mais amada do mundo. É como se 51% da população (mundial) gritasse de dor e de repente fosse silenciada.

star wars princesa leia 2[leftbox]Você, caro leitor, deve estar achando exagerado o que essa mulher (talvez maluca) esteja dizendo, mas ela resolveu contar em sua critica o porquê a falta de mais personagens femininas em franquias tão importantes (especialmente como Star Wars), em um mundo onde 51% da população é mulher, é algo que faz diferença.

A jornalista conta que tem uma sobrinha, e seu nome é Hannah. Hannah tem 7 anos, e ela estava em sua mente enquanto Annalee viu a lista do novo elenco de Star Wars. Segundo ela, Hannah é uma garotinha que usa botas cor-de-rosa e faz ballet, mas também tem um escudo rosa, uma espada rosa e faz caratê. Hannah gosta de princesas, mas quando ela fala sobre elas em seu discurso quem aparece é a princesa Leia (sim, a princesa guerreira Leia).

Hannah é a filha de uma geração geek, filha de uma geração que se alimentou de Star Wars e que não vê problemas em levar seus filhos a convenções de cultura pop vestidos de Darth Vader. Hannah aos seus 7 anos percebeu que Leia dá mais opções que Ariel (ou outras princesas da Disney). E, talvez você não tenha ainda notado, amigo geek, mas a cada dia o número de mulheres ao seu redor que consome cultura pop esta crescendo e as nossas filhas não serão diferentes de Hannah.

Para Annalee, na nova saga de Star Wars:

Leia ainda estaria lá, como a princesa lutando – mas talvez (é fato) ela não seria um piloto de caça feminino, cuja arrogância poderia rivalizar com Han Solo, ou um Sith feminino. Não.

E por que não? Porque ela é mulher.

Fãs especulam que Daisy Ridley pode ser a filha de Han Solo com a Princesa Leia. Mas será que Ridley terá um papel feminino grande em um elenco de homens? E dessa forma ela poderá ajudar a lançar-nos para o futuro da série que inspirará as meninas a usarem espadas cor-de-rosa? Annalee, que acredita que “contos míticos deveriam abrir possibilidades, e não fechá-las”, indaga-nos a pensar:[/leftbox]

Estamos seriamente ainda fingindo que o universo é composto quase inteiramente de homens (e homens na sua maioria brancos)?

Pra finalizar ela deixa claro, o que a gente já sabe:

Star Wars não é apenas mais um filme B bobo onde posso rir do elenco totalmente masculino. É um mito cultural evoluindo para o século XXI, cujas histórias evocam um futuro para a humanidade, mesmo que elas tenham acontecido “há muito tempo”. É uma história que todos nós – jovens e velhos – podemos olhar para ter inspiração, para criar heróis, pela nostalgia e para piadas compartilhadas (com amigos) quando algo dá errado. Não é nenhum exagero dizer que Star Wars é uma parte importante do jogo imaginário coletivo que chamamos de cultura. Então, quando Star Wars não pode oferecer-nos qualquer coisa remotamente parecida com um elenco diversificado de personagens, em um momento da história em que nós sabemos que isso é necessário, não é apenas uma decisão de elenco ruim em um escritório de Hollywood. É um movimento que vai absolutamente formar a maneira como as crianças pensam sobre si mesmas, e as possibilidades que estão abertas para elas. É uma decisão que envia um sinal para adultos sobre onde eles estão em relação ao outro. Os mitos são coisas poderosas, porque aprendemos quem somos contando histórias. Quando é que vamos deixar que as meninas e as crianças de diversas raças tenham fantasias tão poderosas como as indicadas para os meninos brancos? Quando?.

[leftbox]Em resposta a crítica de Annalee o diretor do filme, J.J. Abrams, disse que ele tem um “papel importante” na seleção de elenco, e que neste haverá uma parte feminina.

Star Wars VII JJ AbramsAo ler o texto de Annalee me lembrei em primeiro lugar da personagem feminina em sci-fi que mais marcou minha vida, a subtenente Ellen Ripley, interpretada por Sigourney Weaver, no clássico Alien – o oitavo passageiro. Ripley era forte, determinada e de extrema importância no filme, mas era única. Então cheguei à conclusão, que já sabia, que as personagens femininas estão em segundo plano em certos tipos de linhas de produção cinematográfica, mas creio que isso pode ser modificado. E a gente até acabou de ver uma mudança nesse paradigma na recente trilogia de Jogos Vorazes, que trás Katniss Everdeen que luta pela vida em um futuro catastrófico, em Frozen, que trás Anna e Elsa bem longe do padrão de princesa da Disney, e no atual Divergente, também com uma personagem heroína mulher, a Tris.

Talvez você vá levantar a voz e dizer que aquilo era outra época, que a história foi feita num tempo que a mulher não tinha papel de relevância. Mas se a nova historia de Star Wars será criada hoje, por que não lembrar que a mulher exerce um papel diferente na sociedade e colocar mais personagens femininas? Você pode responder essa questão levantando a ideia de que o cânone clássico deve ser respeitado. Mas não foi informado pela própria Lucasfilm que o UE de Star Wars vai começar a mudar (leia aqui)? Por que essa não pode ser uma boa mudança?

A proposta deste post, caro leitor, não é criar em você um pensamento negativo, não é te dar vontade de me queimar, como fizeram com Joana d’Arc, na fogueira dos revolucionários de redes sociais. A ideia aqui é abrir uma linha de pensamento para se debater sobre algo (que como já falei antes) nem eu mesma havia pensado e contribuir com a cultura de que nós como fãs podemos sonhar, sugerir e esperar que numa galáxia muito, muito distante Star Wars reproduza nossos desejos…[/leftbox]

*Agradecimento as opiniões de Bruno Alves e Thiago Miro.

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Cantora de ocasião, atriz de televisão, bailarina do Faustão, mas queria saber tocar violão. Sei que, às vezes, sou legal mesmo quando não estou dando mole.

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