10 temas que os editores não aguentam mais ver em literatura

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10 temas que os editores não aguentam mais ver em literatura

[rightbox]Quem escreve sempre acha que a sua história é única e perfeita. Mas a triste realidade, é que para os editores, aquela história única nada mais é que “a terceira história de zumbi que eu leio essa semana”. Mas então, e pra saber quais assuntos tentar evitar? Pra isso, o site io9.com foi atrás de diversos editores, e perguntou a eles o que eles consideram temas saturados.

Antes, umas ressalvas. Todos os editores que foram entrevistados disseram a mesma coisa: muitos desses temas são “ondas”, “modas”, e só porque só temos histórias de sereias pra todo lado, não quer dizer que daqui a alguns meses estaremos assim. E nenhum editor nunca via dizer “Eu to cansado de unicórnios,” porque exatamente agora alguém pode estar escrevendo uma história sobre unicórnios tão boa que faria você ficar louco pra lê-la – e há chances de, o mesmo editor que não aguentava mais unicórnios, comprar esse original num piscar de olhos.[/rightbox]

Então isso não é uma lista do que não se deve escrever sobre – e sim uma lista de temas que você realmente teria que suar a camisa pra conseguir publicá-la, devido ao mercado saturado.

Sem mais, vamos aos 10 temas que os editores não aguentam mais ver em literatura:

1 – Zumbis

livros de zumbi

Sobre os mortos-vivos, há muito saturadíssimos no mercado, principalmente pela falta de criatividade dos escritores, Neil Clarke da Clarkesworld respondeu sobre o que ele está cansado de ver da seguinte forma:

Sem hesitar: ZUMBIS! Histórias de zumbis, assim como os zumbis, não param de vir até nós, não importa o quanto a gente desencoraje eles. Eu tenho reclamado dessa implacável horda de histórias de zumbis por anos, e felizmente consegui colocar balas de rejeição na testa de cada uma delas. [Zumbis] me enchem. Sempre a mesma coisa. Até quando alguém pensa que fez algo diferente, é alguma coisa que eu já vi um milhão de vezes. Eu tenho certeza que existe audiência pra isso, mas não sou eu. E nunca vai ser.

E Brit Mandelo, da Strange Horizons completa:

Eu continuo tão cansado das histórias de zumbi quanto eu estava ano passado, e provavelmente no ano retrasado. Nós não costumamos ver uma história de zumbi que tem algo novo nela; até aquelas que tentam ter alguma coisa inteligente, alguma cosia especial, acabam sendo iguais todas as outras que eu vi recentemente.

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2 – Universos Paralelos

A editora Sheila Williams, da Asimov’s Science Fiction disse que ela está um pouco cansada em ver universos paralelos em histórias:

Os universos paralelos/multiversos estão sendo usados em demasia como um elemento da história, e de menos como um experimento de pensamento científico… Eu gostaria de ver mais dessa teoria explorada e menos dessa onda que as pessoas usam como desculpa pra qualquer história alternative. Ainda assim, eu não ligo de me contradizer porque o que eu gosto é de histórias bem escritas, assim como qualquer editor.

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3 – Viagem no tempo

Back to the Future

Esse caso é aquele em que um editor estão preso entre tantas histórias de um único tópico exatamente nesse momento – e isso é provavelmente algo temporário. Clarke, da Clarkesworld disse que ele está com tantas histórias de viagem no tempo, que agora ele está se sentindo cheio delas. Normalmente você espera ver “esse tipo de saturação de temas” depois de muitas pessoas terem seus originais na onda de alguma antologia temática. Mas Clarke não conseguiu identificar algum livro que causasse esse aumento nas histórias de viagem no tempo. Mas, de acordo com Clarke, esses aumentos repentinos são normais, e “daqui a alguns meses, provavalmente eu estarei feliz em ver esse tema novamente.”

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4 – Falso Steampunk

Steampunk

Ann VanderMeer editou algumas antologias bestsellers de ficção steampunk. E ela diz estar realmente cansada de ver “histórias que pensam ser steampunk, porque um relógio, óculos, aeronaves ou equipamentos do tipo são adicionados à história.

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5 – Vinganças

Mas VanderMeer, que também edita ficções para Tor.com e outras antologias e também é editora de Weird Tales, afirma estar cansada de ver “histórias de vingança doméstica ou escolares, em excesso”. Ela completa: “Você sabe o que eu quero dizer: um marido (ou esposa) posto para baixo que finalmente consegue sua vingança contra seu parceiro depois de anos de abuso. Ou o bully da escola finalmente paga por seus atos”.

O ex-editor da Apex Magazine, Lynne Thomas ainda afirma:

Quando eu editava pra Apex, as história que eu mais estava cansado de ver eram as de vingança misógina contra a ex, que eu passei a chamar de histórias “kill the bitch”. Nós vimos MUITAS dessas, assim como na época da saturação de histórias de horror. Eu jurei pra mim mesmo que eu nunca compraria nenhuma delas, porque eu nãoa chava ser possível produzir uma dessas que eu achasse remotamente palatável… até que Rachel Swirsky escreveu ‘Abomination Rises on Filthy Wings’ como um desafio, quando ela me ouviu reclamando desse tipo de histórias. Eu comprei e publiquei aquela história.

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6 – Contos de Fada recontados

Contos de Fada

Julia Rios, da Strange Horizons disse que eles estão recebendo muitos contos de fadas clássicos recontados, e isso está começando a ficar fora de moda.

Isso não vai necessariamente fazer com que a gente rejeite a história – acabamos de publicar uma Chapeuzinho Vermelho em março – mas quando nós vemos esse tipo de história chegando, elas têm que ser eralmente boas para nos mostrar algo novo.

A editora Sigrid Ellis, da Apex Magazine diz que ela está “um pouco desgastada dessas releituras de clássicos contos de fadas europeus. Ocasionalmente algumas grandes histórias surgem em meu e-mail. Mas você tem que ser realmente brilhante para ser notado na arena dos contos de fada. É como o Thunderdome aqui.”

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7 – Sereias

Rios também mencionou que está vendo MUITAS histórias de sereias e selkies, a ponto de que algo deve ser realmente especial para que ela publique. Outro editor, que pediu para não ser identificado, diz estar ‘inundado’ de sereias:

Sendo justo, existem muitas histórias BOAS de sereias, mas cara, são MUITAS histórias de sereias! Eu não sei se posso dizer que estou cansado de vê-las. É só que eu tenho visto tantas, que nem mesmo posso publicar todas as que eu gosto, uma vez que minha revista não se chama ‘Mermaids Monthly’

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8 – Histórias “detestáveis”

Essa é em especial para as histórias de horror. Em geral, VanderMeer diz ver muitas histórias forçadas, onde alguém tenta “se dar bem com algum assunto popular”. Mas as histórias ficam especialmente forçadas quando o autor “adiciona algo extremamente dramático só pra trazer algum conflito ou drama pra história, coisas como estupro, incesto, suicídio, etc”. Quando VanderMeer vê coisas assim, jogadas sem razão, ela começa a suspeitar de o autor não saber como puxar o leitor para sua história, e por isso precisa desses artifícios. Ela resume isso em: “falso drama = história ruim”.

Thomas ainda diz:

Minha outra implicância é com a tendência em incluir quantidades massivas de estupros, misoginia, racismo, preconceitos em geral, etc, só para chocar o leitor, através de tabus óbvios que não servem para levar a história para frente.

E Ellis, sua sucessora na Apex, resume também: “Se você contar para alguém que sua história é ‘detestável’ (edgy), eu provavelmente não a publicarei”.

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9 – Horror na Gravidez

Ellis, da Apex sobre o tema:

Quando eu buscava conteúdo para a Apex, sob a direção de Lynne. Eu jurei pra mim mesma que nunca mais eu gostaria de ver outra história de horror com gravidez de novo. Eu estava cansada do corpo da mulher sendo intrinsecamente horrível. Eu estava cansado do corpo damulher ser usado como metáfora para peste e mal. E então me tornei editora. E a primeira história que comprei foi “Lucy Snyder’s ‘Antumbra’”, que é uma história de incesto de uma irmã bissexual que envolve controle da mente, experimentos médicos, estupro, e gravidez. Eu nem sequer. Com isso dito, continuo cansada de horror em gravidez. Isso não.

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10 – Finais com Trocadilhos/Reviravoltas

Por fim, alguns editores mencionaram desgostar disso. Histórias que se baseiam em trocadilhos para manter seu humor, ou que estão apenas sendo levadas para uma reviravolta final, ou frase marcante. Esse tipo de história tem uma tarefa muito, muito difícil em conquistar fãs.

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Estudante de Jornalismo, baixista, amante de boa música e de bons livros. Nada melhor que ouvir um bom e velho heavy metal oitentista lendo um bom livro de fantasia/suspense.

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