2as Jornadas Internacionais de Histórias em Quadrinhos reúne pesquisadores em São Paulo

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2as Jornadas Internacionais de Histórias em Quadrinhos reúne pesquisadores em São Paulo

Quando tomou conta dos jornais norte-americanos no final do século 19, as histórias em quadrinhos nada mais eram do que uma simples forma de entretenimento destinada às crianças – e alguns adultos mais espertos.

Nesse início, eram vistas com muito preconceito, principalmente pelo sistema educacional, que colocava os quadrinhos como um empecilho ao desenvolvimento cognitivo das crianças. Nos anos 1950 as hq’s sofreram um duro golpe com a publicação do livro A Sedução do Inocente, onde o psiquiatra Fredric Wertham defendia que a rebeldia e violência da juventude norte-americana daquele período eram influenciadas pelas revistas em quadrinhos.

Steve CanyonNa década de 1960 veio a redenção com o surgimento das primeiras pesquisas acadêmicas sobre os quadrinhos – o melhor exemplo é o do escritor, semiólogo e filósofo italiano Umberto Eco, cujo livro Apocalípticos e Integrados (1964) analisa a cultura de massa e tem como destaque o artigo no qual ele analisa a primeira página dominical da série em quadrinhos Steve Canyon, de Milton Caniff. Além disso, há capítulos abordando o Superman e Mickey Mouse.

No Brasil, essas pesquisas começaram nos anos 1970 com os pioneiros Àlvaro de Moya, Moacyr Cirne, Waldomiro Vergueiro, Sonia Luyten e Antonio Cagnin. De lá prá cá, as abordagens acadêmicas sobre a linguagem dos quadrinhos só tem crescido. Diversos eventos acadêmicos nas mais diferentes áreas têm aceitado trabalhos sobre o tema.

Mas o maior congresso sobre histórias em quadrinhos da América Latina é a Jornada Internacional de Histórias em Quadrinhos, cuja segunda edição acontece na próxima semana, de 20 a 23 de agosto, na ECA/USP, em São Paulo.

KICK-ASS-QUEBRANDO TUDOEste ano o número de inscritos cresceu e 201 comunicações serão apresentadas, divididas em 15 mesas temáticas, como Quadrinhos e Arte, Quadrinhos e Cinema, Quadrinhos e Mídias Virtuais, entre outras. Além disso, será apresentadas quatro conferências com pesquisadores dos EUA (John Lent), Espanha (Manuel Barrera e Jesús Jiménez) e Brasil (Henrique Magalhães, professor da UFPB, quadrinista e dono da editora Marca de Fantasia, que publica livros teóricos sobre quadrinhos e álbuns de hq’s).

Ano passado eu enviei comunicação, mas não pude comparecer ao evento. Este ano estarei presente com a comunicação Kick-Ass e o Discurso do Herói Épico, onde faço um estudo comparativo entre a série em quadrinhos e a adaptação da mesma para o cinema.

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Bruno Alves

Bruno Alves é professor, rabisca de vez em quando uns desenhos por aí e tem sempre uma música tocando em off na cabeça, mesmo quando não está usando headphones. E sim, ele gosta dos Titãs.

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