A Fantasia – o novo (e fascinante) capítulo da literatura brasileira

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A Fantasia – o novo (e fascinante) capítulo da literatura brasileira

Já se pegou pensando em como seria jogar quadribol em Hogwarts? Ou talvez deitar para  descansar sob uma árvore no Condado? Ou quem sabe morar em Winterf… não, espera aí. Ou quem sabe viajar com Daenerys para ver as maravilhas de Essos? Pois é, isso e muito mais já foi imaginado por qualquer leitor de Fantasia. Mas recentemente também tem muita gente se imaginando em outros sonhos, em por exemplo, trombar com Ablon passando pelo Rio de Janeiro, ou de alguma forma chegar a Kurgala e aprender os círculos com Adapak. Ou até mesmo viajar até Arton e conhecer a cidade-mercado flutuante de Vectora.

O que alguns não sabem é que esses novos mundos, novos universos, que vem surgindo nos últimos anos são 100% brasileiros. Essa nova e fascinante vertente da literatura nacional vem tendo um crescimento monstruoso nos últimos anos, seja em vendas, seja em qualidade, seja em variedade. Nomes como Eduardo Spohr, Affonso Solano, Leonel Caldela, entre outros, vêm sendo best sellers no Brasil inteiro, e ao mesmo tempo o seu público só aumenta. 

Esse “boom” todo pode se afirmar ser consequência de filmes como O Senhor dos Anéis no início do século, e o crescimento da chamada “cultura nerd”. Mas também, de acordo com Eduardo Spohr, em um Nerdcast feito especialmente para esse tema, esse “boom” de fantasia no Brasil teve um catalisador muito poderoso para os jovens: Harry Potter, o fenômeno mundial, angariou milhares de jovens leitores no passado com sua saga. E esses mesmos leitores cresceram junto com o bruxo e hoje já buscaram mais fantasia para si. São os que buscam as Crônicas do Gelo e Fogo, mas também são aqueles que buscam A Batalha do Apocalipse, ou os Dragões de Éter

É um grande exemplo do que dizem por aí:

Não é que você não gosta de ler, você que ainda não descobriu seu livro certo.

E um dos fatos mais fascinantes nesse meio todo é que esses autores brasileiros estão unidos, e sempre comparecem às Bienais do Livro, e lançamentos uns dos outros em conjunto. Trocam figurinhas, e têm movimentado a crescente cena, que promete firmar-se como um novo capítulo em nossa literatura. É algo, perdoem-me o trocadilho, fantástico, imaginem: assim como no passado estudamos Machado, quem garante que no futuro não estudaremos Vianco? 

Ainda não conhece esse cenário brasileiro? Então leia esse post até o fim, e eu espero que se interesse por algum dos mundos abaixo, posso lhes garantir que valerá a pena, apenas lamento ter que ter escolhido apenas seis deles. 😉

André Vianco

André Vianco
Vianco pode ser considerado o mais antigo pilar dessa nova geração. Hoje aos 37 anos ele já tem 14 livros na conta.

Se você está cansado de vampiros brilhando, e quer resgatar aqueles do passado, esse é o autor certo para você. Especializado em suspense, Vianco tem em sua maior especialidade essa criatura.

Por onde começar:

► Os Sete (2000), e suas sequências.

 

 

Raphael Draccon

Raphael DracconO senhor da trilogia Dragões de Éter, Draccon é mais um jovem best seller.

Dono de uma escrita única, possui dois universos, o de Nova Ether, onde se passa a trilogia que o catapultou, ótimo para amantes de high fantasy, e hoje o de Fios de Prata, onde embarcamos num mundo de sonhos controlado por antigos deuses.

Por onde começar:

► Dragões de Éter – Caçadores de Bruxas (2007), ou

► Fios de Prata – Reconstruindo Sandman (2012).

Eduardo Spohr

Eduardo Spohr

Aquele que trouxe o Apocalipse e desvendou o código dos anjos, arcanjos e demônios. Spohr é dono de um universo cercado de intrigas, onde entramos na mente dos anjos em meio à uma destrutiva guerra que definirá o futuro da humanidade.

Excelente para amantes de história e mitologia. Em seus livros Spohr nos leva da Babilônia à Segunda Guerra Mundial. Nos coloca cara a cara com Lúcifer, e logo depois em meio ao Armagedon. Recentemente está terminando a trilogia Filhos do Eden, que se passa durante a Guerra Civil que culmina na batalha final mostrada em seu primeiro livro.

Por onde começar:

► A Batalha do Apocalipse (2010), ou

► Filhos do Éden – Herdeiros de Atlântida (2011).

Leonel Caldela

Leonel CaldelaO gaúcho Leonel Caldela surgiu para a grande massa como autor de livros ambientados no cenário do RPG brasileiro Tormenta. Com total liberdade, deu um ar mais adulto e sério à obra, sem medo de julgamentos trouxe a nós uma leitura mais densa, ideal para aqueles que procuram romances sem pudores ou medo de mostrar a realidade.

Dono de cenários próprios como Deus Máquina e O Caçador de Apóstolos, hoje Leonel aposta no Código Élfico, onde traz a história de uma jovem que logo se vê em meio a uma trama que envolve elfos MUITO diferentes do que estamos acostumados a ver, tudo com aquele olhar único que apenas Leonel tem coragem de reproduzir.

Por onde começar:

► O Inimigo do Mundo (2004), ou

► O Código Élfico (2013).

Affonso Solano

IMAGEM 07O Matador de Robôs Gigantes, além de ilustrador também é um transportador. Pois é isso que ele faz com você no momento que você lê o primeiro capítulo de seu livro, O Espadachim de Carvão.

O hoje editor da Fantasy – Casa da Palavra, Solano te leva para o fantástico mundo de Kurgala, e te coloca na pele de Adapak, o jovem filho de um deus que apesar de poderoso é ingênuo. E em pouco mais de 200 páginas Solano consegue nos levar a outro mundo, discutir chagas como preconceito de todas a formas e ainda nos dar muita ação. Ler esse livro é como assistir a Samurai X, ou outro anime do estilo.

Por onde começar:

► O Espadachim de Carvão (2013)

Carolina Munhoz

Carolina MunhozE para finalizar, uma representante feminina, a jornalista Carolina Munhoz traz ao leitor histórias fantásticas, onde a magia invade o mundo real.

Como em A Fada, seu primeiro livro (que ela escreveu aos 16 anos), uma jovem de Londres descobre em seu aniversário de 18 anos não ser humana. Ou no seu último lançamento, Feérica onde Violet adentra em um mundo de reality shows e outros bastidores da mídia e vive o conflito do mundo material contra o mágico na própria pele.

Por onde começar:

► A Fada (2005),

► Feérica (2013).

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Estudante de Jornalismo, baixista, amante de boa música e de bons livros. Nada melhor que ouvir um bom e velho heavy metal oitentista lendo um bom livro de fantasia/suspense.

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