A Morte e A Morte de Frei Caneca: graphic novel relata trajetória do revolucionário pernambucano

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A Morte e A Morte de Frei Caneca: graphic novel relata trajetória do revolucionário pernambucano

Na História da formação do Brasil como um país livre e independente o nome de Pernambuco tem posição de destaque.

Quando o assunto era LIBERDADE, lá estava o povo pernambucano brigando. Já em 1645, a chamada Insurreição Pernambucana botou prá correr os invasores holandeses; em 1710/1711, outra briga, dessa vez nativista, ocorreu entre Recife e Olinda e ficou conhecida como a Guerra dos Mascates; depois dela, aconteceram a Revolução Pernambucana (1817), a Confederação do Equador  (1824) e, por fim, a Revolução Praieira (1848/1850).

Cada um desses movimentos teve seus líderes, seus heróis e mártires, nomes que ficaram eternizados como símbolos da luta por justiça, igualdade e liberdade – nomes como Vidal de Negreiros, Felipe Camarão, Fernandes Vieira, Henrique Dias, Padre Roma, Abreu e Lima e Frei Caneca.

Dentre estes, Abreu e Lima e Frei Caneca são dois extraordinários personagens reais que em outro país já teriam sido retratados em filmes ou histórias em quadrinhos cheios de ação e intrigas políticas.

No entanto, infelizmente, esses personagens construtores da História normalmente são ilustres desconhecidos.

Felizmente, o lançamento da graphic novel pernambucana A Morte e A Morte de Frei Caneca – Tomo I – Filhos de Marte vem contribuir para que a História seja conhecida.

A Morte e A Morte de Frei Caneca – Tomo I – Filhos de Marte

Patrocinada pela Fundarpe através do Fundo de Incentivo à Cultura (Funcultura), a graphic novel (156 páginas, preto e branco, capa dura, 28,7 X 21,5 cm, R$ 30,00), que tem roteiro de Rodrigo Acioli Peixoto e ilustrações de nove desenhistas, relata a trajetória apaixonada e inquieta de Joaquim da Silva Rabelo, que depois de ordenado sacerdote em 1801 passou a ser conhecido como Frei Joaquim do Amor Divino Caneca –  ou, simplesmente, Frei Caneca.

Com movimentos revolucionários tomando o mundo de assalto (independência dos EUA, Revolução Francesa, etc), era de se esperar que essa chama influenciasse países como o Brasil, colônia de Portugal.

Atraído pelos ideias de liberdade, o jovem Frei Caneca enveredou pelos caminhos da Revolução – em palavras e atos, entregando-se totalmente ao sonho. O jornal Typhis Pernambucano foi uma de suas contribuições à causa. Participou ativamente da Revolução Pernambucana, em 1817, e da Confederação do Equador, em 1824. Preso e condenado, foi executado em 13 de janeiro de 1825.

A hq começa exatamente no dia de sua execução. As primeiras páginas são de extrema dramaticidade, onde vemos Domingos da Silva Rabelo, pai de Caneca, sofrendo com o destino do filho. A partir daí, a história retrocede a 1817, auge da Revolução, onde ficamos conhecendo alguns dos principais personagens da narrativa, como o cativante gigante (em tamanho físico e força dramática) Capitão Pedro da Silva Pedroso e ficamos sabendo como o Frei Caneca se envolveu com os revolucionários.

O texto de Rodrigo Acioli flui bem em toda a narrativa e em nenhum momento se torna cansativo; ponto para ele, que não cedeu ao didatismo/academicismo que acomete alguns autores que tem um pé na Academia. Ele define a trama como:

Uma obra de livre trânsito entre a história e a ficção, escrita antes pelas determinações da imaginação do que pelos ditames da realidade.

A hq tem uma belíssima direção de arte e projeto gráfico, que ficou a cargo de Camilo Maia, da excelente Livrinho de Papel Fínissimo (ainda vou publicar um livrinho com eles!). Adorei a textura e gramatura do papel e o efeito envelhecido. A ilustra da capa também é de Camilo e ficou foda.

A hq, como já falei lá em cima, tem nove desenhistas – três oficiais e seis convidados. O estilo de todos tem uma pegada underground, com muita hachura, texturas e aguadas. Algumas páginas ficaram belíssimas, outras muito confusas.

Esse é o único ponto fraco do álbum, pois a diversidade (ainda que estilisticamente próxima) de desenhistas tornou a obra irregular artísticamente – em alguns momentos, fica difícil identificar os personagens, por exemplo.

Abaixo, um teaser da hq.

A Morte e A Morte de Frei Caneca – Tomo I Filhos de Marte

A Morte e A Morte de Frei Caneca será lançada oficialmente no próximo dia 9 de maio (quinta-feira), a partir das 19 horas, no Forte das Cinco Pontas – local onde Frei Caneca foi executado. Na ocasião, haverá uma exposição dos desenhos originais da obra.

Para quem quiser saber mais sobre a graphic, basta visitar o site da mesma.

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Bruno Alves

Bruno Alves é professor, rabisca de vez em quando uns desenhos por aí e tem sempre uma música tocando em off na cabeça, mesmo quando não está usando headphones. E sim, ele gosta dos Titãs.

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