Os Fabulosos X-Men – A Saga da Fênix Negra | CRÍTICA

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Os Fabulosos X-Men – A Saga da Fênix Negra | CRÍTICA

[rightbox] Quem vê o sucesso dos X-Men hoje em dia nem imagina que o grupo de mutantes criado por Stan Lee e Jack Kirby em 1963 se tornou o primeiro e único fracasso de vendas da dupla dinâmica da Marvel Comics.

A coisa ficou tão feia que em 1970 a revista dos mutunas foi cancelada! Durante cinco anos, os X-Men ficaram sem histórias inéditas – a revista Uncanny X-Men foi relançada, mas republicando as histórias antigas.

Até que em Maio de 1975 a Marvel lançou a Giant-Size X-Men #1, escrita por Len Wein e desenhada por Dave Crockum. Na edição, uma nova geração de mutantes (Noturno, Tempestade, Colossus, Pássaro Trovejante e Wolverine) viriam se juntar a Cíclope, Banshee e Solaris. A revista foi um sucesso de vendas![/rightbox]

Na edição 94, Wein passou o bastão dos roteiros para Chris Claremont; na edição 108, John Byrne assumiu os desenhos (e começou a dar pitacos nos roteiros). Estava formada a dupla que iria revolucionar os mutantes e transformá-los no carro-chefe da Marvel Comics.

Pelas mãos de Claremont e Byrne os X-Men tiveram histórias memoráveis, verdadeiros clássicos dos quadrinhos de super-heróis – e todas deveriam ser republicadas pela coleção Graphic Novels Marvel da Salvat (fica a dica)! Mas enquanto isso não acontece, a coleção da Salvat nos traz aquele que é considerado um dos melhores arcos da dupla Claremont-Byrne – e um dos mais polêmicos também.

Os Fabulosos X-Men – A Saga da Fênix Negra

Republicado pela Salvat/Panini (196 páginas, colorida, capa dura, R$ 29,90) pela coleção Graphic Novels Marvel,  é uma daquelas sagas imperdíveis e obrigatórias que todo fã de quadrinhos deve ter na estante.

A hq começa logo depois do arco do mutante Proteus (outra puta história), que se passava na Escócia. Os X-Men estão se preparando para voltar aos EUA depois de terem salvado o mundo mais uma vez. Desfalcados de Banshee (que perdeu os poderes salvando o Japão em outro arco), Ciclope, Colossus, Wolverine, Tempestade, Noturno e Fênix estão cansados.

Ao chegarem na Mansão X, reencontram o Professor Xavier, que havia passado uma temporada no espaço ao lado da imperatriz Lilandra, do império Shiar. Durante um tempo, a paz reina entre os mutantes.

Porém, Jean Grey não está nada bem. Há algumas semanas ela vem tendo estranhos flashes de um passado alternativo do século XVIII onde ela é noiva de um homem chamado Jason Wyngarde e faz parte do misterioso Clube do Inferno, da qual é nomeada a Rainha Negra. 

Mal sabe ela (e os X-Men) que Wyngarde é um antigo inimigo do grupo que se aliou ao Clube do Inferno, uma secular instituição sediada em Nova York, cujos membros são políticos e empresários influentes; só que há um circulo interno formado por mutantes cujo líder Sebastian Shaw almeja derrotar os X-Men.

Os ataques mentais de Wyngarde a Jean Grey desestabilizam o controle que ela tem sobre seus excepcionais poderes, adquiridos depois que se tornou a Fênix (em Uncanny X-Men #101). Quando os X-Men são capturados pelo Clube do Inferno, a personalidade maligna da Fênix Negra toma conta da jovem. 

Sem controle, Jean Grey se torna a criatura mais perigosa do universo – depois de ajudar os X-Men a derrotarem o Clube do Inferno, ela domina seus amigos num estalar de dedos, parte para o espaço sideral, destrói um cruzador do Império Shiar e devora um sol, matando cinco bilhões de seres no processo!

Como deter uma entidade cósmica faminta, praticamente invencível, e ao mesmo tempo salvar Jean Grey da morte? Esse é o grande dilema dos X-Men, principalmente depois que o Império Galáctico Shiar declara guerra a Fênix por seus crimes!

Na saga que se desenrola por nove edições, Claremont e Byrne nos apresentam novos personagens que se tornaram icônicos no universo mutante: a jovem mutante Kitty Pride, a vilã Emma Frost, Rainha Branca do Clube do Inferno e o Senador Robert Kelly (cujo assassinato desencadearia o futuro sombrio da saga Dias de Um Futuro Esquecido).

O roteiro de Claremont/Byrne é soberbo ao mesclar drama, relação entre os personagens e ação, tudo perfeitamente equilibrado. A sensação é de estarmos assistindo a um filme diante da narrativa ágil da dupla. Byrne estava no seu auge aqui – e é justo creditar parte da beleza de seu desenho ao arte-finalista Terry Austin.

Toda a saga é excelente, mas a coisa começa a se tornar épica nas edições 131 a 134, que começa com o resgate dos X-Men que foram capturados, passando pela derrota da equipe pelos mutantes do Clube do Inferno e o ataque solitário de um enfezado carcaju – a frase “Tá legal, otários… cês fizeram o melhor que podiam. Agora é a minha vez!” dita por um Wolverine saindo dos esgotos com cara de poucos amigos é inesquecível!

Nessa fase, o mutante canadense começava a se destacar e trilhar o caminho do sucesso que faz dele o personagem mais rentável da Marvel – e tudo isso graças a John Byrne.

A polêmica em torno dessa saga se deu por conta do destino da personagem Fênix. Ao transformar a adorável Garota Marvel, que tinha apenas o poder da telecinésia, em uma personagem com poderes quase divinos, Claremont criou um monstro. Durante várias histórias, a Fênix só precisava estalar os dedos para derrotar seus inimigos. Na saga do Cristal M’Kraan, ela salvou o universo sozinha!

Com seu lado negro no controle, Claremont e Byrne fizeram a Fênix consumir um sol, destruindo o planeta dos D’Bari e matando CINCO BILHÕES DE SERES! A idéia original era fazer com que a Fênix fosse derrotada e enterrada na mente de Jean Grey e assim tudo voltaria ao normal.

Só que o editor Jim Shooter não gostou nada disso.

Como assim alguém assassina cinco bilhões de alienígenas e sai impune?

O destino da personagem foi alterado e o resultado fez jus ao estilo Marvel de criar histórias – são super-heróis, são tramas fantásticas, mas com um expressivo lado humano. A decisão de Jim Shooter se mostrou acertada.

E 34 anos depois, reler a Saga da Fênix Negra é como beber um bom vinho! 

Nota:

Cinco canecas de Irish Coffee

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Bruno Alves

Bruno Alves é professor, rabisca de vez em quando uns desenhos por aí e tem sempre uma música tocando em off na cabeça, mesmo quando não está usando headphones. E sim, ele gosta dos Titãs.

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