Adoro Problemas: Meio século de história e política americanas passados a limpo

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Adoro Problemas: Meio século de história e política americanas passados a limpo

Não gosto de livros autobiográficos e muito menos os de autoajuda (nada de ‘autos’ é muito bom), mas resolvi declarar meu amor pela figura mais odiada pelos republicanos, o cineasta, escritor e diretor Michael Moore. O seu livro "Adoro Problemas: Meio Século de História e Política Americanas Passados a Limpo" nada mais é do que uma reunião de histórias peculiares da sua vida, mas posso dizer que ser detido do prédio da Bolsa de Valores de NY (vocês preferem New York ou Nova Iorque?) e ganhar um Oscar não é para qualquer um.

O livro resgata os melhores momentos da infância de Moore e faz uma releitura dos episódios polêmicos por conta de sua postura crítica e avassaladora. Quem já viu algum dos documentários (Fahrenheit 9/11, Capitalismo: Uma história de amor, Tiros em Columbine) deve lembrar-se das fraudes eleitorais que levaram George W. Bush à presidência (Al Gore, eu torci por você), o impacto das multinacionais, os abusos dos planos de saúde (Wallmart nós estamos de olho), a degradação ambiental por parte das empresas e pelo governo, as cidades esquecidas como Flint, tudo isto reunido com uma pitada de sarcasmo e indignação por Moore.

Moore reúne 24 crônicas e como de costume com seus documentários não é especialista em seguir um curso certo, começamos com o epílogo, uma descrição sobre a repercussão de sua atuação na noite do Oscar, quando recebeu a estatueta pela direção de ‘Tiros em Columbine" em março de 2003, momento que os Estados Unidos invadiam o Iraque, com 70% de aprovação popular.

Continuo não entendendo o que os norte-americanos chamam de abertura política e direitos civis, mas felizmente Moore não se importou com a opinião da grande maioria e usou então o discurso do prêmio para protestar contra a guerra e tudo virou um pandemônio. Um ódio e desejo de matar Moore se espalhou pelo país: “Estou pensando no assassinato de Michael Moore, e me pergunto se eu mesmo posso matá-lo ou se preciso contratar alguém para fazer isso…”, afirmou na TV Glenn Beck, comentarista conservador do canal Fox News.

Para alguns, Moore assume o lugar do poeta inglês D. H. Lawrence pelo uso de tom e temas caóticos. Ele cita até uma frase do poeta “A alma americana essencial é dura, isolada, estoica e assassina”. Apesar de deixar claro minha opinião quanto a figura dele, confesso que o livro tem seus altos e baixos. Por vezes o perdemos de vista, fica confuso o que ele quer nos passar e demora um pouco até retomarmos a cena. No entanto, se você é, assim como eu, uma pessoa normal que não aguenta mais pseudo-intelectuais, falsos moralistas e seres com um ego do tamanho de Tony Stark (mas sem o bom humor dele), então aproveite para conhecer Michael Moore e entender que nem todo mundo é chato ou é revolucionário de sofá. Ah, ele quem fez o clipe "Boom!" de System of a Downm e estava lá no Occupy Wall Street:

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Tem a mesma profissão de Clark Kent, mas sonha em ser Bruce Wayne. Espera até hoje o final de Caverna do Dragão, sua convocação para Hogwarts e ser chamada para lutar na Terra Média!

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