Análise: Social Comics, o streaming brasileiro de quadrinhos

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Análise: Social Comics, o streaming brasileiro de quadrinhos

 

No primeiro episódio do nosso podcast Geek Café FM (no já longínquo ano de 2013) nós discutimos sobre como os serviços de streaming de áudio e vídeo afetaria o futuro do entretenimento. O nome mais citado foi o da Netflix, claro. De lá prá cá, o serviço de vídeo cresceu assustadoramente, tendo faturado em 2015 cerca de 500 milhões de reais (estimativa).

Hoje, consumir conteúdo (filmes, séries, musica) via streaming é uma realidade – e serviços como Spotfy, Tidal e Crackle, entre outros, fazem a nossa alegria!

Em agosto de 2015 um serviço brasileiro veio se juntar aos gigantes do streaming. Criado por Fernando Goulart, Marcelo Castro e João Paulo Sette (que também é Diretor de Operações da CCXP – Comic Con Experience), o Social Comics tem como objetivo disponibilizar quadrinhos para leitura on-line a partir de uma assinatura mensal.

Para utilizar o serviço o assinante paga R$ 19,90/mês. Por enquanto, o pagamento só pode ser feito por cartão de crédito, mas a plataforma avisa que em breve novas formas serão implementadas. Para saber se vale a pena, o assinante pode experimentar o serviço por 14 dias grátis.

Já os produtores (editoras, autores independentes) podem se cadastrar gratuitamente e são remunerados por visualização de páginas – ou seja, cada página lida gera um valor para os criadores.

Assinei o Social Comics em novembro para testar o serviço, mas só agora tive tempo de parar e analisar com mais calma o que eles oferecem (olá, férias!). A vantagem é que de lá prá cá o acervo melhorou. 🙂

Mas, e aí, vale a pena?

Vamos lá…

ACESSO E NAVEGAÇÃO

O Social Comics pode ser acessado via web ou então via aplicativo, que está disponível para IOS e Android. O Windows Phone ainda não foi contemplado. A criação da conta é rápida e em pouquíssimo tempo você já está navegando.

No iPad a navegação é excelente, com as páginas da HQ se adequando perfeitamente à tela. Podemos ampliar as páginas e em todas as hq’s que visualizei a resolução estava muito boa. Também testei no meu Zenfone 5 e tudo rodou muito bem, sem engasgos ou problemas nas imagens. Só achei ruim ter que ler na tela de 5’.

No netbook senti dificuldades para ler, já que a navegação não é tão amigável como nos dispositivos móveis. Dá para ler, mas não é tão legal assim.

Quanto ao acesso, só é possível usar um dispositivo por vez – se você estiver lendo no tablet e não fechar o aplicativo não poderá ler as hq’s no celular ou no PC.

No aplicativo, é possível ler off-line!!! Basta marcar a HQ e depois ler sem precisar estar conectado à internet.

Os quadrinhos estão divididos de várias formas: por editora, por autor e por selo; e também por gêneros (comics, mangá, ficção científica, adulto, biografias, etc.). Essa organização é bastante funcional e ajuda um bocado. Também há um mecanismo de busca para pesquisa no site.

ACERVO

Bem, se você é um leitor assíduo das editoras Marvel e DC, lamento informar que a Panini, que publica aquele povo com a cueca por cima das calças no Brasil, não faz parte do Social Comics.

Mas se você é um leitor assíduo de quadrinhos e vai além dos super-heróis, com certeza vai gostar do Social Comics.

O acervo foi ampliado desde que o serviço foi implementado em agosto do ano passado. Várias editoras – grandes e independentes – firmaram parceria e disponibilizaram diversas publicações para a plataforma.

Das grandes, a editora Nemo disponibilizou 72 títulos no Social Comics, incluindo toda a coleção do gênio francês Moebius (oito volumes), além de dois volumes da aclamada série de ficção-científica Aãma, de Frederik Peeters e da premiada graphic novel Pílulas Azuis, do mesmo autor e do álbum O Incrível Cabeça de Parafuso e Outros Objetos Curiosos, do mestre Mike Mignola. Imperdíveis também os sete álbuns da divertida série Boulle & Bill, de Verron; os quatro livros do gato Garfield, do Jim Davis e, por último, mas não menos importante, os seis livros do Snoopy e toda a turma do Charlie Brown!!!!

   

Só o acervo da Nemo compensaria os R$ 19,90 da assinatura…

Mas ainda tem mais: a JBC tem como destaque as revistas dos Combo Rangers, do Fábio Yabu. A HQM tem seis títulos da editora Valiant e seu universo de super-heróis (recomendo muito X-O Manowar). A Mythos vem com A Balada de Halo Jones, do bruxo Alan Moore e a excelente revista Juiz Dredd Megazine! A Editora Europa disponibilizou todas as edições da revista Mundo dos Super-Heróis, a melhor e mais completa publicação do gênero.

Além disso, quadrinhos nacionais recentes e de excelente qualidade se destacam, como Fifo (Guilherme de Sousa), Pétalas (lindo álbum de Gustavo Borges e Cris Peter), Beladona (Denis Mello), The Few and Cursed (Felipe Cagno e Fabiano Neves), O Quarto Vivente (Luciano Salles), Pátria Armada (Klebs Junior), Klaus (Felipe Nunes), Quaisqualigundum (Roger Cruz e Davi Calil), os dois álbuns fofos da série Bear, de Bianca Pinheiro, o sucesso independente Um Sábado Qualquer, de Carlos Ruas e os pernambucanos Luciano Félix e Ary Santa Cruz com as séries Mistiras e Um Teco (uma paródia do mangá One Piece) e Laerte Silvino com o álbum A Iara.

   

Ainda tem mangá nacional, charges, toneladas de quadrinhos independentes, comics norte-americanos obscuros dos anos 1940/1950 e muito mais – bem, pelo menos não podemos dizer que não há uma diversidade de gêneros e estilos.

O Social Comics anunciou na última CCXP uma série de novidades para 2016:

  • conteúdo nacional produzido exclusivamente para a plataforma. A série Diário de um Super, de Eric Peleias, já estreou. Mais três entrarão no acervo entre fevereiro e dezembro. Achei a ideia ótima por fomentar a produção nacional;
  • Parceria com a norte-americana Dark Horse Comics, que publica, entre outras coisas, as hq’s de Conan e de Hellboy. A primeira obra da parceria já está disponível: o primeiro volume da série The Umbrella Academy, de Gerard Way e Gabriel Bá;
  • Três editoras nacionais se tornaram parceiras da plataforma: a Mino, a Zarabatana (do excelente Bando de Dois, do Danilo Beyruth) e a Aleph, que tem quadrinhos foda no catálogo, como O Quinto Beatle e Violent Cases (de Gaiman e McKean);
  • E a grande novidade é a parceria com a Maurício de Sousa Produções, que vai disponibilizar as graphics MSP e seus quadrinhos regulares!

VEREDITO

Bem, claro que eu ainda não li tudo que tem por lá – para isso eu precisaria de um ano de férias. E é claro que devem ter HQs que não compensam.

Mas a relação custo/benefício é positiva tendo em vista a quantidade, variedade e qualidade dos títulos e pela excelente usabilidade do serviço nos dispositivos móveis.

Além disso, com as novidades anunciadas teremos uma ampliação do acervo e a oferta de quadrinhos mais conhecidos do grande público, o que pode ser um diferencial para atrair novos assinantes.

Para que o serviço fique ainda melhor espero que as novas formas de pagamento não demorem a serem implantadas e que os administradores pensem em ofertar alternativas de planos (um anual com desconto seria bem vindo).

De minha parte, vou continuar assinando e apostando no serviço – e prometo postar aqui as resenhas dos melhores quadrinhos da plataforma.

Nota: cinco canecas de Irish Coffee

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Bruno Alves

Bruno Alves é professor, rabisca de vez em quando uns desenhos por aí e tem sempre uma música tocando em off na cabeça, mesmo quando não está usando headphones. E sim, ele gosta dos Titãs.

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