Nárnia ( O sobrinho do mago)

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Nárnia ( O sobrinho do mago)

Recentemente encontrei uma característica em um dos meus livros favoritos, As Crônicas de Nárnia de C.S. Lewis, não sei se foi à paixão pela escrita ou por ser desatenta (sim, eu sou) que não reparei, mas enfim, um exemplo vai ajudá-lo a enxergar este detalhizinho:

"Nárnia, Nárnia, desperte! Ame! Pense! Fale! Que as árvores caminhem! Que os animais falem! Que as águas sejam divinas!".

Nada?

Que tal assim, que se faça o dia e a noite, que venham os filhos de Adão e as Filhas de Eva! Pois é, escutei tantas vezes Edmundo, Pedro, Suzana e Lúcia sendo chamados assim e não percebi a grande jogada do escritor: os sete livros (aqui reunidos em volume único) são baseados nas histórias bíblicas, o amigo de J.R.R. Tolkien, ao contrário de muitos autores conseguiu de uma forma tranquila colocar os ensinamentos da Igreja na sua obra. Calma, não estou dizendo que é certo ou errado, apenas que é o seu modo de conduzir a história, afinal, nada mais é do que uma linguagem, fatos narrados para serem criticados pelos leitores.

Minha história preferida é a criação do mundo, ou como Lewis chama: O sobrinho do Mago ( é a primeira, obviamente). A história começa com o Tio André, um senhor um tanto egoísta e excêntrico e duas crianças, seu sobrinho Digory e a vizinha Polly; onde ele usa suas experiências de magia, tentando transportar pequenos animais para outros mundos. Depois de inúmeras chantagens (sem spoiller aqui) tio André acaba convencendo Polly e Digory a colocarem o anel verde mágico. E as crianças acabam sendo transportadas para uma terra onde haviam vários lagos e pinheiros, um lugar calmo e tranquilo, chamado de “Bosque entre os dois mundos”:

"Tio André e o estúdio sumiram imediatamente. Por um momento tudo ficou turvo. Digory conseguiu ver uma suave luz vindo de cima e escuridão embaixo. Não parecia estar apoiado em alguma coisa. Nada o tocava, aparentemente. "Acho que estou dentro d’água" – pensou. "Ou debaixo d’água." Levou um susto, mas percebeu em seguida que estava sendo levado para cima. De súbito viu que tinha chegado ao ar livre e que se arrastava para a relva da margem de um pequeno lago."

Alguns devem pensar, "Oh Nanda, sério mesmo que você gosta desta parte da história de Nárnia?" (!) É claro, é como desbravar um mundo, entender o porquê dos personagem existirem, por exemplo: Sabe como aquele guarda-roupa do "Leão, a feiticeira e o guarda-roupa" foi parar ali? Quem é o tio dos meninos? Porque ele tem um canal para Nárnia? Quem é Aslam, o leão? Quem é a feiticeira branca? E como tudo virou inverno? Esta primeira parte responde tudo. O curioso é que você escolhe sua ordem de ler, pela cronológica ou pela publicação, pode deixar a criação para o final, mas eu me bagunço facilmente por isto escolhi seguir a ordem (foi um sufoco não me perder em Senhor dos Anéis):

Nárnia ( O sobrinho do mago)"– O que ele está pensando é uma grande tolice – interrompeu Aslam. – Este mundo só estará explodindo de vida por poucos dias, pois a canção com que o chamei à vida ainda vibra no ar e retumba na terra. Não será por muito tempo. Mas não posso dizer isso a este velho pecador, como também não posso consolá-lo; ele mesmo se colocou fora do alcance da minha voz. Se eu lhe falasse, ouviria apenas rosnado e rugido. Oh, Filhos de Adão, com que esperteza vocês se defendem daquilo que lhes pode fazer o bem! Mas eu lhe ofertarei a única dádiva que é capaz de receber."

Você pode escolher definir Aslam como um grande criador, o sopro do mundo (lembra do sopro da vida, neste caso um rugido mesmo?) e a Feiticeira como a parte sombria, esquecida e fria, temos até uma maçã (quanta ironia) mas esta não é pecado. É melhor desapegar um pouco dos símbolos para não perder o foco da história.

"Espere – disse a feiticeira. Que a sombra da traição nem passe pela sua palavra. Meus olhos enxergam através das paredes e dentro do espirito dos homens, e estarão dentro de você em todos os lugares. Ao primeiro sinal de desobediência, rogo-lhe esta praga: onde se sentar, será como o ferro em brasa; quando se deitar, invisíveis blocos de gelo pousarão em cima de seus pés. Agora vá!"

Lewis tem uma escrita tão simples que a história flui rapidamente, alguns pontos merecem destaque como a canção de Aslam que faz florescer outro mundo a partir do nada, as criaturas mágicas, o um ciclo histórico criado com facilidade, sem contar que apesar de ser um livro infantil (um dia entendo as categorias) é grandioso em nos mostrar a bondade, o afeto, o poder da natureza e seus pensamentos:

"Na linha do horizonte pousava um sol vermelho, muito maior do que o nosso. Digory percebeu também que era bem mais velho que o nosso, um sol no fim da vida, já cansado de olhar para aquele mundo. ”

As Crônicas de Nárnia – Volume Único

pode ser encontrado por

R$ 33,90 no Submarino.

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Tem a mesma profissão de Clark Kent, mas sonha em ser Bruce Wayne. Espera até hoje o final de Caverna do Dragão, sua convocação para Hogwarts e ser chamada para lutar na Terra Média!

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